Na manhã de 4 de abril de 1964, o presidente deposto João Goulart desembarcou com sua família no Uruguai em busca de asilo político, encerrando sua trajetória no poder após o golpe militar que o derrubou três dias antes. A saída, consumada há exatos 61 anos, marcou o início de um exílio que duraria até sua morte (em 1976) e abriu caminho para uma ditadura que devastou o Brasil por duas décadas. Goulart deixou o País sob pressão das Forças Armadas e do imperialismo, que já preparavam um regime de terror contra o povo brasileiro.
Após instalar-se em Montevidéu, Jango adquiriu uma fazenda na fronteira entre Uruguai e Brasil, onde passou a criar gado. Em 1966, envolveu-se na Frente Ampla, movimento pacífico pela redemocratização, ao lado de figuras como Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek. A iniciativa, porém, foi sufocada em 5 de abril de 1968, quando o ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, proibiu suas atividades. Um ataque cardíaco no mesmo ano levou Goulart a abandonar a política e dedicar-se às fazendas que mantinha no Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil.
A morte de Jango, em 6 de dezembro de 1976, na fazenda La Villa, em Mercedes, Argentina, oficialmente atribuída a um infarto, é cercada de suspeitas. Sem autópsia, a pedido da família, cerca de 30 mil pessoas compareceram ao funeral em São Borja (RS), apesar da censura imposta pela ditadura. Em 2000, o ex-governador Leonel Brizola afirmou que Goulart e Kubitschek foram assassinados pela Operação Condor, plano coordenado por ditaduras sul-americanas e apoiado pelos Estados Unidos. Em 2008, o ex-agente uruguaio Mario Neira Barreiro declarou ao jornal Folha de S.Paulo que Jango foi envenenado por ordem do delegado Sérgio Fleury, com aval do presidente Ernesto Geisel.
Documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI), revelados pela revista Carta Capital em 2009, mostram que um agente infiltrado, identificado como “B”, monitorava Jango no exílio. Arquivos uruguaios de 1965, obtidos pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, alertavam para um possível atentado contra ele, baseado em informações de “fontes sérias” brasileiras.
Em 1976, o Exército Argentino desmantelou um plano da extrema direita para sequestrar seu filho, o que reforçou a insegurança de Goulart. Uma comissão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul concluiu, em 2008, que há fortes indícios de assassinato premeditado com conhecimento de Geisel.
A partida de Jango para o exílio, defendida como um ato abnegado para evitar confronto e o derramamento de sangue. Livre para agir, o imperialismo impôs um regime de terror que destruiu a economia nacional e as conquistas da Revolução de 1930, e para isso, não apenas derramou sangue, mas também prendeu e torturou um incontável número de trabalhadores, camponeses e estudantes.
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