VW Tiguan busca novas inspirações no design e tecnologia para encarar chineses

O lançamento de um SUV de R$ 300 mil, numa revenda do interior do Estado, tem um significado especial para o gestor comercial da Guaibacar de Osório, Fabricio de Souza, que está na gerência desde 2013. Portanto, salienta o executivo, são 13 anos no acompanhamento da evolução da marca Volkswagen no mercado, mas também nas mudanças do comportamento do consumidor do interior do Estado, que evoluiu nas escolhas na medida em que as ofertas se ampliaram. Principalmente na oferta dos veículos chineses, que se acelerou nos últimos 3 anos. “Estamos cercados em Osório pelas grandes marcas da China, o que nos obriga a sermos mais criativos. A evolução da própria Volkswagen, também pressionada pela intensa concorrência, serve ao nosso desenvolvimento enquanto concessionária da marca. Atuamos em ampla área geográfica composta por 18 municípios, numa área que inicia em Mostardas e vai até Arroio do Sal, área litorânea. Nosso mercado abrange ainda a região Serrana, com Terra de Areia, Itati até Santo Antônio da Patrulha. Esta grande área geográfica significa também diversidade cultural e econômica, com aumento gradual do poder aquisitivo. Não tivesse poder aquisitivo, a Volkswagen não lançaria em primeira mão o Tiguan, que custa R$ 300 mil. Não surpreende, pois outros SUVs na mesma faixa de preços têm grande demanda no litoral. Portanto, a região litorânea tem hoje invejável posição de mercado, situação que nos põe hoje como o quarto mercado automobilístico no Rio Grande do Sul. Por isto a Volkswagen nos coloca em situação privilegiada no recebimento de novidades. Neste momento o belo Tiguan já está em test-drive com moradores da região”, acrescenta.



Evento ocorreu na Guaibacar do Litoral
| Foto: Renato Rossi / Especial

Para o executivo, o crescimento na demanda de veículos foi resultado de variáveis que mudaram o comportamento social, como a pandemia e a posterior enchente, que foram fatores disruptivos nas vidas das pessoas, com milhares que vieram morar no litoral, num crescimento demográfico que gerou maior atividade econômica. “Quantas novas revendas de novos e seminovos surgiram? Quantos milhares de carros novos e usados entraram em circulação? É óbvio que a Volkswagen não deixaria de surfar esta onda”. A Guaibacar, convém lembrar, foi a primeira revenda da Volkswagen em Capão da Canoa, uma região com forte apelo econômico. A revenda foi desativada em função da inauguração desta filial em Osório, numa área de grande densidade automotiva, próxima à BR-101, salienta.

Como exemplo de força comercial da região, o executivo cita o crescimento em vendas no quadrimestre de 2026 comparado ao quadrimestre de 2025. “O crescimento em vendas foi de 25%, o que significa um crescimento geométrico que chama a atenção da Volkswagen. Então a montadora nos privilegia em lançamentos e quantidade e diversidade de modelos da marca disponíveis para venda”, acrescenta.

Em relação ao perfil do consumidor de Osório e região litorânea, é familiar, com pai, mãe, filhos e tantas vezes parentes próximos agregados ao núcleo familiar. “E todos contribuem para o crescimento econômico do mercado automobilístico. É lógico que neste momento de crise global há mais incertezas do que certezas que afetam o mercado”, prossegue.

Para o executivo, os momentos difíceis são desafiadores e geram novas oportunidades. “Vemos um mercado elétrico ainda não consolidado em crescimento. E o consumidor é privilegiado nas ofertas pela concorrência entre marcas. Quando me perguntam qual a melhor escolha, é lógico que recomendo a marca que representamos, que tem alto padrão de qualidade. É lógico que há outras marcas com qualidade que serão avaliadas pelo consumidor. E a melhor compra é do carro que convém a determinado uso. Hoje o carro elétrico serve mais ao uso urbano, enquanto os veículos híbridos e a combustão pura não têm a limitação da autonomia. No caso do Tiguan, a autonomia supera os 700 quilômetros. Pode ser a próxima escolha”, conclui.

Portas abertas e o potencial do Tiguan

Foram mais de 3 mil Tiguan comercializados em dois dias na promoção Portas Abertas. No belo showroom da Guaibacar de Osório, a lona que cobria o Tiguan aumentava a expectativa do público que, em confraternização, lotava a revenda num município a 120 quilômetros de Porto Alegre. O mesmo entusiasmo em outras revendas Volkswagen pelo Brasil, que se refletiu em vendas instantâneas.

Retiradas as lonas de cobertura, os dois Tiguan expostos mostraram o quanto a Volkswagen foi impactada pelos SUVs chineses. Mas isto não é novidade, já que a Volkswagen foi pioneira na eletrificação com o lançamento do ID.4 na Europa em 2020.

E a linha excessivamente curva do ID.4 vinha do estúdio de design que a marca ainda possui na China. Esta sinuosidade no design do Tiguan o distancia completamente das duas gerações anteriores, mais próximas de um SUV “raiz”. Portanto, o novo Tiguan mostra um hibridismo na forma típico do design chinês. Mas há impacto visual, embora a mente procure algum traço dos “antigos” Tiguan e não ache. Há certa estranheza nisto porque é notório o conservadorismo estético da montadora, notado por exemplo no Taos, cuja segunda geração é praticamente igual à primeira: a forma não mudou.

Resta saber se a ruptura no design significa também um avanço na dirigibilidade, já que a segunda geração era mediana neste quesito. Mas os dados técnicos impressionam: 272 hp no motor turbo com injeção direta e torque de 36,5 kgfm. Convém salientar que este motor, de código EA888, é um motor de última geração que não está em nenhum outro modelo da Volkswagen comercializado no Brasil. É acoplado à tração integral com gerenciamento eletrônico do torque. Isto significa que num terreno misto, com partes molhadas e outras secas, o gerenciamento do torque será conformado à aderência do terreno. É uma margem de segurança ampliada.

No quesito segurança, para mal iluminadas vias do Brasil será auxílio valioso a tecnologia Matrix aplicada nos faróis, que usa 750 pontos para iluminar o caminho e não ofuscar motoristas na direção contrária. Ainda sobre a iluminação, há um filete de LEDs na dianteira conectando os dois faróis, um recurso já utilizado no T-Cross. Os logotipos da marca são luminosos na frente e na tampa do porta-malas. E o Tiguan é o primeiro a oferecer tal tecnologia no Brasil.

Na dianteira é marcante a grade frontal posicionada na parte inferior, com pintura preta e formato de X no interior. É bela e suave a traseira, onde se destaca o filete luminoso que une as lanternas. Há vincos fortes na tampa do porta-malas e uma grade colmeia que une as laterais e confere um ar esportivo à traseira. Um belo conjunto, sem dúvida.

O Tiguan expressa um porte maior pelo design, mas suas medidas são até contidas: comprimento de 4,70 metros, largura de 1,87 metro, altura de 1,69 metro e entre-eixos de 2,78 metros. Capacidade para cinco passageiros. O porta-malas contém 423 litros, uma capacidade bem abaixo da geração anterior, onde cabiam 600 litros.

No interior há uma nova central multimídia flutuante com tela sensível ao toque de 15 polegadas. O quadro de instrumentos é digital e formal, não inovador em relação a outros veículos da Volkswagen. O acabamento interno é requintado e mostra materiais de qualidade com diversas texturas. Não é ambiente favorável ao plástico com textura de tijolo como acontece nos interiores dos SUVs da Citroën, por exemplo. Mas nem dá para comparar Citroën com este Tiguan.

Que tem ainda iluminação ambiente com múltiplas variáveis, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de colisão frontal com frenagem de emergência, assistente de manutenção de faixa, câmera 360 graus, head-up display, bancos dianteiros com massagem e ventilação, porta-malas com acionamento elétrico e rodas de 19 polegadas.

Além de uma série de equipamentos de segurança gerenciados por chips e algoritmos que dispensam a ação humana. O Tiguan, graças a Deus, não tem karaokê a bordo. O que não impede que o futuro proprietário do Tiguan goste do “rap ostentação”, aquele onde o rapper se faz fotografar numa Ferrari que nunca é dele.

A Volkswagen não empresta veículos para o jornalista especializado de CM. Já o definiu na base do detestável preconceito como insultuoso. Nunca na minha vida recebi tal insulto. Mas hoje o Brasil é assim. As ofensas são intensas e múltiplas. Mas não se preocupe que consigo um Tiguan para testes. Porque vocês merecem.

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