Brazzaville, 29 mai 2026 (Lusa) — O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde alertou hoje que o aumento generalizado dos combustíveis impacta negativamente o número de turistas do país, que representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto.
“Isso vai ter um impacto ao nível do custo dos transportes e eventualmente também ao nível do número de turistas que procuram Cabo Verde”, afirmou Olavo Correia, em declarações à Lusa, à margem das reuniões anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, que hoje terminam.
O ministro cabo-verdiano reagia às previsões económicas do BAD, que apontam para um crescimento de 4,7% da economia cabo-verdiana em 2026, abaixo dos níveis registados em 2025, mas ainda considerado pelo Governo positivo para o contexto internacional atual.
Esses “4,7%, portanto, à volta dos 5%, está dentro do potencial de crescimento económico de Cabo Verde”, sublinhou o ministro.
O BAD apontou alguns riscos nas projeções do crescimento de 2026 e 2027, “sobretudo relacionados com o contexto desfavorável do comércio mundial, que poderá reduzir o crescimento económico global e afetar economias periféricas”.
“A previsão, mesmo com esta ligeira quebra, é ainda assim um nível de crescimento muito bom para a economia cabo-verdiana”, acrescentou, alertando, contudo, que o conflito no Médio Oriente poderá ter uma implicação orçamental para o arquipélago.
“Se prolongar por muito tempo, isso terá um impacto muito forte no orçamento do Estado, no nível do défice, do endividamento, por isso era muito importante para nós, Cabo Verde, que esta guerra terminasse com a máxima urgência”, sublinhou Olavo Correia.
O turismo para Cabo Verde é “falar do valor à volta dos 25% do PIB, é um setor muito importante, não só diretamente”, observou, frisando que o impacto no turismo estende-se a vários setores da atividade económica.
“O turismo é um setor que cria oportunidades e gera escala e influência outros setores da economia”, afirmou, apontando efeitos na agricultura, pescas, sistema financeiro e transportes.
O país atingiu um recorde de 1,25 milhões de hóspedes em 2025.
“Há aqui um aumento da procura, há aqui um aumento do mercado que é provocado pelo aumento do turismo e que, no fundo, acaba por transformar também toda a economia cabo-verdiana”, acrescentou.
No relatório “Perspetivas Económicas de África 2026: Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado” o BAD prevê que crescimento económico de África deverá abrandar para 4,2% este ano ou até para 4% se o conflito no Médio Oriente se prolongar.
O relatório foi apresentado no encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, entre chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, incluindo de países africanos lusófonos, analisam os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.
O lema das reuniões deste ano, que decorrem até hoje na capital da República do Congo, Brazzaville, é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”.
*** A Lusa viajou a convite do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ***
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