Venezuela e Índia fecham parceria para associação energética de longo prazo

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  • Delcy Rodríguez, presidente da Venezuela, visitou a Índia de 3 a 7 de junho e, em reunião com Narendra Modi em Hyderabad House (4/6), firmou compromisso de associação energética de longo prazo.
  • A Índia recebeu cerca de 427 mil barris diários de petróleo venezuelano em maio de 2026, tornando‑se o segundo maior destino da produção venezuelana, atrás apenas dos EUA.
  • Projeções para junho apontam embarques entre 300 mil e 380 mil barris diários, e a Venezuela subiu para a terceira posição entre os fornecedores da Índia.
  • A parceria abrange exploração, produção, refino e distribuição, alinhada à meta venezuelana de elevar a produção de 1,2 milhão para 1,37 milhão de barris diários até o fim de 2026.

A presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, liderou entre os dias 3 e 7 de junho uma visita oficial à República da Índia que terminou com o compromisso de ambas as partes de construir uma “associação energética de longo prazo”. O ato central foi a reunião bilateral de quinta-feira (4), na Hyderabad House, entre Rodríguez e o primeiro-ministro Narendra Modi, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores da Índia (MEA) em seu comunicado oficial.

A Índia recebeu em maio de 2026 cerca de 427.000 barris diários de petróleo venezuelano, posicionando-se como o segundo destino mundial da produção nacional venezuelana, atrás apenas dos Estados Unidos (558.000 bpd), de acordo com dados da PDVSA confirmados pela empresa de análise marítima Kpler. A projeção da consultoria para junho situa os embarques entre 300.000 e 380.000 bpd. Em maio, a Venezuela foi o quarto fornecedor global da Índia e, segundo o secretário do MEA, Rudrendra Tandon, durante junho escalou para a terceira posição.

A produção nacional venezuelana está atualmente em 1,2 milhão de barris diários, com meta oficial de encerramento de 2026 em 1,37 milhão de bpd. Em maio, a Venezuela exportou 1,15 milhão de bpd distribuídos em 67 embarques marítimos para os Estados Unidos, Índia e Europa.

O secretário Tandon precisou que as conversas se concentraram em “forjar uma associação energética de longo prazo” que abrange tanto atividades de exploração e produção quanto de refino e distribuição. A delegação venezuelana visitou a refinaria da Reliance Industries em Jamnagar, Gujarat — o maior complexo de refino do planeta — e realizou reuniões em Mumbai com o grupo Tata e com a Aliança Solar Internacional. A Reliance havia assinado em 2012 um acordo-quadro com a PDVSA para até 400.000 bpd, contrato suspenso durante o período de sanções e atualmente em processo de reativação.

A cooperação bilateral discutida não se limita aos hidrocarbonetos. O comunicado do MEA confirma que foram exploradas oportunidades em minerais críticos, produtos farmacêuticos, agricultura, equipamentos agrícolas, pecuária, setor automotivo, MSMEs e energias renováveis. A Aliança Solar Internacional, com sede em Gurugram, manteve encontros com a delegação para analisar projetos solares conjuntos.

Em sua mensagem oficial ao chegar ao Aeroporto Palam, a presidente encarregada Rodríguez declarou: “Com muita alegria chegamos à Índia para trazer a mensagem da Venezuela, que é de paz, amizade e cooperação. Neste país valente, espiritual e grande potência econômica, cumpriremos uma frutífera agenda de trabalho orientada a fortalecer áreas de cooperação em benefício do nosso povo; avançando no caminho da complementaridade e do desenvolvimento compartilhado entre nossas nações”.

Após a reunião com Modi, Rodríguez acrescentou: “Reafirmamos a vontade de continuar fortalecendo nossa relação, em prol de um futuro de prosperidade compartilhada entre nossas nações e para o Sul Global”. Por sua vez, o secretário Tandon afirmou em coletiva de imprensa: “Trabalhamos com um governo que é amigável e deseja uma aliança com a Índia. A Venezuela tem sido tradicionalmente uma amiga próxima; simplesmente estamos voltando à normalidade”.

Acompanharam Rodríguez os ministros Yván Gil (Relações Exteriores), Jacqueline Faría (Transporte), Isabel Iturria (Saúde) e Gabriela Jiménez (Ciência e Tecnologia), além do vice-presidente setorial de Comunicação Miguel Pérez Pirela. Pelo lado indiano, além de Modi, participaram o ministro das Relações Exteriores Subrahmanyam Jaishankar e o secretário de Relações Exteriores Vikram Misri.

Embora não tenham sido assinados acordos formais durante a visita, ambas as chancelarias coincidiram em que a reunião bilateral estabelece um marco político para que empresas indianas — estatais como ONGC Videsh, privadas como Reliance e Tata — ampliem sua participação no setor energético venezuelano nos próximos doze meses. Esta foi a sexta visita de Rodríguez à Índia e a primeira em sua condição de presidente encarregada.


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