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- Em 11 de junho, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, assinou no Palácio de Miraflores a licença da Fase I do campo de gás Loran com a Shell.
- O acordo, incluído em cinco instrumentos estratégicos da aliança técnico‑financeira estabelecida em março de 2026, autoriza a exploração e desenvolvimento inicial do campo.
- Loran contém sete depósitos, seis transfronteiriços com Trinidad e Tobago, e reservas estimadas em cerca de sete trilhões de pés cúbicos de gás natural.
- Após 23 anos sem desenvolvimento, a licença permite que a Venezuela avance na produção e exportação de gás a partir do campo.
A presidente interina da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, presidiu a assinatura da licença para a Fase I do projeto de Desenvolvimento e Exploração do Campo de Loran com a multinacional britânica Shell no Palácio de Miraflores, na quinta-feira, 11 de junho. A cerimônia, realizada no Salão Sol del Perú, formalizou um total de cinco acordos de importância estratégica entre a República e a empresa de energia, no âmbito da aliança técnica e financeira estabelecida em março de 2026.
O Campo de Loran é um ativo de gás natural não associado com sete reservatórios, seis dos quais são transfronteiriços com a República de Trinidad e Tobago. Suas reservas são estimadas em aproximadamente sete trilhões de pés cúbicos (TCF) de gás. O campo permaneceu inexplorado por 23 anos antes da assinatura do acordo na quinta-feira.
Fato principal
O Campo de Loran possui 7 reservatórios, 6 dos quais são transfronteiriços com Trinidad e Tobago, e reservas estimadas em aproximadamente 7 trilhões de pés cúbicos (TCF) de gás natural não associado. A Fase I prevê o início da produção em 2027, com a infraestrutura conectada ao sistema de processamento existente em Trinidad, abrindo a primeira janela para exportações de gás offshore para a Venezuela. Fonte: Ministério do Poder Popular para Assuntos Exteriores, 11 de junho de 2026.
Declaração Histórica da Presidente em Exercício
“Hoje damos um passo histórico, a meu ver, com a assinatura desta licença para a primeira fase do desenvolvimento e exploração do campo de Loran, um campo transfronteiriço que compartilhamos com Trinidad e Tobago”, declarou a Presidente em Exercício, Delcy Rodríguez, durante a cerimônia. “Esta licença permitirá que a Venezuela dê um passo muito importante em seu desenvolvimento de gás e também como exportadora de gás. Dissemos isso desde o início das negociações com a Shell e outras empresas do setor de gás: queríamos tornar a Venezuela uma exportadora de gás e, com esta assinatura, reafirmamos esse caminho.”
O presidente descreveu o acordo como uma situação vantajosa para ambas as partes, baseado na complementaridade técnica entre as duas nações, e destacou que os novos mecanismos de negociação operam dentro da estrutura da Lei de Hidrocarbonetos recentemente reformada, que permite acordos comerciais flexíveis entre o Estado venezuelano e empresas internacionais.
Os Cinco Acordos Assinados
O pacote assinado em Miraflores compreende uma licença central — para o Campo de Loran — e quatro instrumentos jurídicos complementares resultantes da aliança técnico-financeira de março: três ordens de compra e duas ordens de serviço para trabalhos a serem realizados nas unidades de produção de Carito e Pirital, pertencentes à Divisão de Punta de Mata, no norte do estado de Monagas.
Os quatro acordos complementares visam aumentar a produção de petróleo leve, o hidrocarboneto utilizado como diluente na formulação da Mistura Merey 16 com petróleo extraído da Faixa Petrolífera do Orinoco, e garantir o fornecimento da “dieta” necessária à Refinaria de Puerto La Cruz para a produção de combustíveis para o mercado interno.
Fato principal
Cinco acordos assinados em Miraflores: uma licença para a Fase I do Campo de Loran, três ordens de compra e duas ordens de serviço para trabalhos em Carito e Pirital (Divisão de Punta de Mata, Estado de Monagas). Esses acordos visam aumentar a produção de petróleo leve para a mistura Merey 16 e abastecer a Refinaria de Puerto La Cruz. Fonte: Declaração oficial da Presidência, 11 de junho de 2026.
Do Gás de Queima ao Mercado Nacional
As ordens de compra também incluem a aquisição de peças de reposição para o equipamento de compressão, uma intervenção técnica que reduzirá o gás de queima — um volume historicamente liberado na atmosfera devido à falta de infraestrutura — e permitirá a incorporação formal desse recurso ao mercado nacional.
O gás recuperado servirá como combustível direto para os setores de eletricidade, industrial, petroquímico e doméstico, bem como para o mercado de exportação. É um componente fundamental da estratégia abrangente implementada pelo governo do presidente interino para otimizar o uso dos recursos energéticos da Venezuela.
Venezuela, um novo fornecedor de energia para o Caribe
A Fase I do Campo de Loran prevê o início da produção em 2027, com infraestrutura conectada ao sistema de processamento existente em Trinidad e Tobago. É o primeiro corredor de exportação de gás offshore da história da Venezuela e complementa o desenvolvimento do Campo de Dragón, também operado pela Shell, consolidando a posição da Venezuela como um novo fornecedor de energia para a região do Caribe.
“Essas formas de negociação e acordos comerciais flexíveis também nos dão um impulso na produção para um melhor aproveitamento dos recursos em benefício do povo venezuelano. As medidas que estamos tomando hoje representam o futuro do nosso país; disso não há dúvida”, afirmou o presidente interino Rodríguez.
Uma Agenda para Jovens Profissionais
Na cerimônia, o presidente também mencionou as oportunidades que a nova agenda de investimentos abre para os profissionais venezuelanos: “Aqui está o futuro para nossos jovens profissionais, para nossos jovens empreendedores, mas também para o bem-estar do nosso povo”. O presidente interino destacou que recém-formados “se cadastraram em nosso site para oferecer seus serviços às empresas que estão vindo investir no país”.
A mensagem vincula a política de atração de investimentos ao aumento dos salários e à criação de empregos qualificados no setor energético, um foco central do programa econômico do governo Rodríguez.
A declaração oficial concluiu: “Com esses acordos, a República Bolivariana da Venezuela reafirma seu compromisso em atrair investimentos de atores globais e sua capacidade de executar projetos que promovam a eficiência produtiva e a sustentabilidade dos recursos.”
A assinatura do contrato na quinta feira faz parte de uma sequência ininterrupta de marcos energéticos que, desde o início do ano, têm sido observados pela administração do presidente interino: o recorde de produção nos primeiros quatro meses do ano, o acordo de continuidade com a Chevron até 2050, a aprovação da Lei de Abertura do Setor Elétrico pela Assembleia Nacional em 2 de junho e, agora, a incorporação da Shell no desenvolvimento do Campo de Lorán. A Venezuela também consolida sua posição como destino da nova onda de investimentos energéticos regionais e como ator fundamental na reconfiguração do cenário do gás caribenho.
Fontes:
- Ministerio del Poder Popular para Relaciones Exteriores — Venezuela firma licencia con Shell para Fase I del campo gasífero Loran
- Infobae — Venezuela otorgó a Shell una licencia para la exploración y explotación de un campo de gas
- MercoPress — Venezuela hands Shell a license for the cross-border Loran gas field
- Deutsche Welle — Venezuela autoriza a la británica Shell la explotación gasífera
- G1 (Globo) — Venezuela concede licença à britânica Shell para exploração de gás
- Telesur — Transmisión oficial del acto de firma desde Miraflore
*Javier Romero é jornalista argentino.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.
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