Eutanásia assistida [e solicitada pelo paciente a um médico, que tem até três dias para se manifestarABEL F. ROS
Uma paciente oncológica se tornou nesta sexta-feira (22) o primeiro caso de morte por eutanásia assistida no Uruguai, país que aprovou no ano passado uma lei pioneira na América Latina.
O primeiro caso de eutanásia no Uruguai “ocorreu hoje” (sexta-feira), confirmou uma fonte do Colégio Médico do Uruguai.
O veículo local Telenoche 4 informou, citando fontes da área da saúde, que foi realizado o primeiro procedimento de eutanásia no país, solicitado por uma mulher de 69 anos que enfrentava um câncer em estágio terminal.
O primeiro caso ocorre um mês depois de entrarem em vigor a regulamentação e o protocolo sanitário previstos na lei, aprovada pelo Parlamento no ano passado.
Para Federico Preve, um dos deputados da esquerda governista que impulsionou a norma, trata-se de “um dia simbólico muito importante para o país”.
“Essa pessoa pôde decidir morrer com tranquilidade, pôde decidir falecer segundo suas próprias convicções”, disse o deputado a jornalistas.
O Uruguai faz parte de um pequeno grupo de países que legalizaram a morte assistida, que inclui Espanha e Países Baixos.
A lei uruguaia exige que o paciente seja maior de idade, cidadão ou residente e esteja psicologicamente apto, em estágio terminal de uma patologia incurável que provoque sofrimentos insuportáveis, com grave deterioração da qualidade de vida.
Segundo o protocolo, é o paciente quem deve solicitar o procedimento a um médico, que tem até três dias para se manifestar. Um segundo médico, clínico geral ou especialista, dá sua opinião.
Se ambos entenderem que os requisitos são cumpridos, o procedimento continua. Caso contrário, uma junta médica avalia o caso e toma a decisão final.
O procedimento é realizado por meio de medicamentos especificados no protocolo, e o paciente pode reverter sua decisão a qualquer momento do processo, sem precisar dar explicações.
País laico e acostumado a abrir caminho para a região na hora de legislar direitos, o Uruguai acrescentou assim uma nova norma liberal a outras como a regulamentação do mercado de cannabis, o casamento igualitário e o aborto.
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