O conflito no Médio Oriente pode duplicar os custos com combustível da TAAG, de 132 para 264 milhões de dólares (114 para 227 milhões de euros), admitiu nesta sexta-feira, dia 22 de maio, Miguel Carneiro, administrador da companhia aérea angolana, durante a conferência de imprensa para apresentação dos resultados do exercício da TAAG em 2025 e os desafios e perspetivas da transportadora para 2026.
Miguel Carneiro, administrador com o pelouro comercial da TAAG, destacou a variação do preço do Jet A-1 no primeiro trimestre do ano devido ao conflito no Médio Oriente.
A exposição da companhia a este custo deverá passar de 132 milhões de dólares (114 milhões de euros) para aproximadamente 264 milhões de dólares (227 milhões de euros), adiantou, ressalvando que a TAAG tem apostado na eficiência operacional, o que permite à companhia poupar nos custos operacionais diretos com combustível através da utilização de equipamentos mais eficientes em termos de consumo.
Questionado sobre se este impacto implicaria revisão dos tarifários, disse que a estratégia comercial da TAAG tem sido de posicionamento ao nível do preço e que, na análise comparativa, a companhia apresenta preços mais competitivos.
“Já atualizámos as tarifas a nível da carga mas hoje sentimos uma pressão acrescida”, reconheceu, sublinhando que o preço do Jet A-1 no mercado da África do Sul triplicou face a dezembro de 2025. “Estamos a monitorizar para ver o que repassamos ao cliente para manter a competitividade”, acrescentou.
Quanto a eventuais alterações ou suspensões de rotas, admitiu que poderá haver algumas suspensões caso se justifique, como têm feito outras companhias.
“O negócio é dinâmico, estamos a monitorizar todos os dias”, salientou.
Entre as ambições da TAAG para 2026 estão a ligação de Luanda a Guangzhou e a Cabo Verde, embora o administrador tenha notado que a abertura da rota para a China “já irá evidenciar uma abordagem mais conservadora da companhia”, face à pressão dos preços.
A rota mais lucrativa continua a ser para Lisboa, estando a de São Paulo/Guarulhos (Brasil) em recuperação.
As menos lucrativas correspondem ao serviço de utilidade pública, nomeadamente a rota subsidiada para Cabinda, cujo bilhete custa 29 mil kwanzas (cerca de 27 euros), segundo o mesmo responsável. – LUSA
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