Mais de 200 empresas brasileiras transferiram parte de suas operações para o Paraguai desde 2007 em busca de custos menores, incentivos fiscais e menos burocracia.
O movimento ganhou força nos últimos anos com o avanço da chamada Lei de Maquila, modelo criado pelo governo paraguaio para atrair indústrias estrangeiras voltadas à exportação.
A diferença na carga tributária e nos encargos trabalhistas aparece como principal motivo para a mudança.
O Paraguai se consolidou como uma alternativa para empresas que buscam reduzir despesas de produção.
Pelo regime de maquila, companhias estrangeiras podem importar máquinas, equipamentos e matérias-primas sem pagar parte dos tributos, desde que o produto final seja exportado posteriormente.
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Na prática, o sistema diminui de forma significativa o custo operacional das empresas. Enquanto no Brasil a soma de impostos e encargos trabalhistas pode chegar perto de 80% em alguns setores, no Paraguai os custos ficam próximos de 12%, dependendo da atividade exercida.
Outro ponto que chama atenção é a taxa aplicada sobre exportações dentro do modelo paraguaio. Segundo especialistas, o imposto pode ser de apenas 1% quando os produtos fabricados são destinados ao mercado externo.
Empresas conseguem cortar gastos
A diferença tributária tem impacto direto nos custos industriais. Empresas instaladas no Paraguai relatam redução operacional de até 40%, especialmente em segmentos ligados à indústria têxtil, montagem de produtos e fabricação de peças.
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Além da questão fiscal, empresários também apontam economia com folha de pagamento e processos administrativos mais simples. No Brasil, gastos ligados à burocracia e às obrigações trabalhistas acabam elevando o custo final da produção.
O cenário tem permitido que companhias aumentem a competitividade e ofereçam preços mais baixos ao consumidor, principalmente no mercado brasileiro.
Brasileiros lideram operações no país
Dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai mostram que empresas brasileiras representam a maior parte das maquiladoras em funcionamento no país. Atualmente, 69% das indústrias inseridas nesse regime são do Brasil.
Ao todo, o Paraguai possui cerca de 320 empresas operando dentro do sistema de maquila. Juntas, elas movimentam aproximadamente US$ 1,2 bilhão em exportações.
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A expansão desse modelo também alcançou novos setores. Recentemente, o governo paraguaio ampliou a legislação para incluir empresas das áreas de tecnologia e serviços, aumentando ainda mais o interesse estrangeiro.
Produção sem limite mínimo de investimento
Outro fator considerado atrativo é a flexibilidade da legislação paraguaia. A Lei nº 1.064/97 não estabelece valor mínimo para abertura de empresas nem limita o capital investido. O modelo aceita investimentos nacionais, estrangeiros ou mistos.
Também não existem restrições sobre localização ou segmento econômico, desde que as empresas sigam as exigências legais do país.
Com menos barreiras tributárias e custos menores de operação, o Paraguai vem ampliando sua participação como polo industrial para empresas brasileiras que buscam produzir gastando menos.
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