Protesto nacional marcado na Venezuela para exigir transição democrática

A jornada de protesto foi aprovada durante uma concentração, convocada pela Coligação Sindical Nacional de Trabalhadores, que hoje reuniu várias centenas de venezuelanos na Praça Alfredo Sadel de Las Mercedes, na zona leste de Caracas.

A 03 de junho, os promotores do protesto nacional querem deslocar-se à Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, para exigir liberdade para os presos políticos, o fim da perseguição de líderes sindicais e salários dignos para os venezuelanos.

Hoje, um grupo de representantes dirigiu-se à representação diplomática de Washington em Caracas para entregar uma carta, na qual também pediu que os Estados Unidos (EUA) intervenham para conseguir “uma transição real” e a realização de eleições presidenciais no país.

“No dia 03 de junho, os trabalhadores e os venezuelanos em geral, iremos até a Embaixada dos EUA. [O Presidente] Donald Trump tem de nos ouvir, porque não podemos continuar à espera de soluções que não se concretizam. Exigimos uma transição real”, disse um dos manifestantes à agência Lusa.

À Lusa, José Manuel Yepez explicou ainda que a 21 de maio terá lugar uma assembleia sindical geral de antecipação do grande protesto.

“Vamos preparamo-nos para a grande manifestação de 03 de junho. Durante o dia todos os venezuelanos vão sair às ruas, e à noite tocar tachos nas suas casas”, explicou o dirigente sindical Carlos Salazar aos jornalistas.

O sindicalista José Patines também instou todos os venezuelanos a aderirem ao “grande protesto”.

“É assim que funciona a luta: que todos saíam às ruas (…). É assim que se conquista a democracia e a liberdade de um país. Os EUA não vão fazer tudo por nós. Os venezuelanos devem resgatar a democracia e a sua liberdade”, disse aos jornalistas.

Também em declarações à Lusa, a manifestante Maribel Reyes relatou que “há um crescente descontentamento na população” porque quatro meses após a captura do antigo líder Nicolás Maduro — durante uma operação militar conduzida por forças norte-americanas em Caracas – a situação local “não tem evoluído como os venezuelanos esperavam”.

“A situação económica está pior, tudo está muito caro e anunciaram um ‘falso’ aumento do salário que representa mais fome e menos direitos”, disse.

Contou ainda que “os reformados passam fome”, porque alegam que não há recursos “para um aumento digno das pensões”.

“Mas isso é uma falsidade”, denunciou, alertando ainda que “os EUA devem estar atentos” porque o chavismo “está a preparar-se para manter-se indefinidamente no poder”.

“Sem uma mudança real de regime não haverá democracia”, frisou.

Na missiva hoje entregue à embaixada dos EUA, os sindicatos fazem um “pedido urgente de intervenção” para restabelecer a democracia na Venezuela.

“O desenrolar dos acontecimentos desviou-se do seu objetivo fundamental: a restauração efetiva da democracia”, defenderam os sindicatos no documento, advertindo que “a atual liderança, longe de promover uma transição institucional legítima, tem recorrido a práticas que reproduzem as mesmas estruturas do regime anterior”.

“Estas ações revelam uma preocupante continuidade do aparelho de poder, caracterizada pela substituição de atores, mas não de práticas, consolidando um esquema de controlo que impede qualquer transformação real do sistema político venezuelano”, frisaram.

Os signatários denunciam ainda a permanência de redes ligadas ao tráfico de droga e ao chamado narcoterrorismo, estruturas que têm sido alvo de sanções internacionais, incluindo medidas adotadas pelo próprio Governo dos EUA.

Os sindicatos apontam ainda que “não se concretizou a tomada de posse de um Presidente legitimamente eleito”, que “os presos políticos não foram libertados” e que “não existem garantias institucionais mínimas para um processo de transição”.

“Alertamos para o facto de se estar a configurar um cenário de consolidação do poder por vias de facto, o que contradiz os princípios democráticos e os objetivos que inicialmente motivaram as ações internacionais”, concluíram.

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