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As pequenas e médias empresas (PME) portuguesas enfrentam crescentes dificuldades para encontrar trabalhadores com as competências adequadas às suas necessidades. A conclusão é de um novo Eurobarómetro, que coloca Portugal como o terceiro país da União Europeia onde as empresas mais sentem obstáculos no recrutamento de talento qualificado.
Segundo o estudo, 35% das PME nacionais afirmam ter “muita dificuldade” em contratar profissionais com as competências exigidas para os postos de trabalho disponíveis. Trata-se da terceira percentagem mais elevada da União Europeia, a par do Luxemburgo, apenas superada por Chipre (39%) e Malta (38%).
Os dados revelam um dos principais desafios do mercado de trabalho português: a crescente dificuldade em alinhar as qualificações dos candidatos com as necessidades das empresas, num contexto marcado pela transformação digital, novas exigências técnicas e falta de mão-de-obra especializada.
Para responder à escassez de talento, muitas empresas têm procurado alternativas fora das fronteiras nacionais. Cerca de 15% das PME portuguesas dizem ter tentado recrutar trabalhadores fora da União Europeia nos últimos dois anos, enquanto 18% procuraram candidatos noutros Estados-membros.
Apesar disso, a contratação internacional continua a ser uma exceção. A maioria das empresas (71%) garante que não procura trabalhadores fora de Portugal.
Competências certas são cada vez mais valorizadas
Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a identificação e valorização das competências profissionais tornou-se um fator decisivo tanto para empregadores como para candidatos.
Ferramentas como um avaliador de CV podem ajudar profissionais a destacar competências técnicas e comportamentais relevantes para cada função, tornando os currículos mais eficazes e alinhados com as expectativas das empresas.
Ao mesmo tempo, permitem às organizações receber candidaturas mais estruturadas e ajustadas às necessidades reais de recrutamento, contribuindo para reduzir o desfasamento entre oferta e procura de talento.
Veja aqui o avaliador de currículos
A crescente importância das competências específicas é visível nos setores que mais recorrem ao recrutamento internacional. Entre as empresas portuguesas que contratam trabalhadores fora da UE, 18% procuram profissionais para a construção civil, 12% engenheiros industriais ou mecânicos e 9% especialistas em informática.
Entre as organizações que recrutam fora da União Europeia, 23% identificam a dificuldade em encontrar candidatos adequados como o principal obstáculo. Outros 18% admitem não dispor de recursos humanos suficientes para gerir processos de recrutamento internacional.
Ainda assim, 46% afirmam não ter encontrado obstáculos significativos na contratação de trabalhadores estrangeiros.
Já entre as empresas que optam por não recrutar fora da UE, mais de metade (55%) explica que simplesmente não necessita desse tipo de contratação. Outros 8% consideram os procedimentos administrativos e de imigração demasiado complexos, enquanto igual percentagem admite não possuir informação suficiente para avançar com esses processos.
Escassez de talento é um problema europeu
O fenómeno não se limita a Portugal. Em toda a União Europeia, cerca de uma em cada sete PME tentou contratar trabalhadores fora do espaço europeu nos últimos dois anos.
Segundo o Eurobarómetro, as empresas defendem mais apoio para ultrapassar a escassez de competências. Cerca de 31% consideram que a contratação internacional seria facilitada com mais apoio financeiro, 25% pedem mais informação e orientação e 23% reclamam assistência na procura de candidatos.
Citada num comunicado da Comissão Europeia (CE), a vice-presidente da CE com a pasta dos Direitos Sociais, Competências, Emprego de Qualidade e Preparação sublinha que as PME desempenham um papel essencial na economia europeia e necessitam de acesso a trabalhadores qualificados para manterem a competitividade.
“Ao capacitar as PME com os canais de informação e apoio adequados, podemos facilitar contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados para atenuar a escassez de mão-de-obra e de competências na União Europeia”, afirmou Roxana Mînzatu.
O Eurobarómetro foi realizado entre 1 e 17 de dezembro de 2025 junto de 12.900 pequenas e médias empresas dos 27 Estados-membros da União Europeia. Em Portugal foram inquiridas 500 empresas.
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