PETRA: Robot português criado pelo INESC TEC opera de forma autónoma no fundo do mar durante semanas
Investigadores do INESC TEC desenvolveram o PETRA, um veículo autónomo submarino capaz de descer a 6.000 metros, realizar apoio logístico a infraestruturas no fundo do oceano e operar em condições onde nenhuma embarcação consegue chegar.
Um grupo de investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) criou um robot autónomo submarino com características únicas no mundo inteiro. Designado de PETRA, este “Long-Range Deep-Sea Logistic AUV” foi apresentado esta semana nos AED Days, um evento que reúne o ecossistema português da Aeronáutica, Espaço e Defesa no Centro de Congressos do Estoril.
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O que torna o PETRA verdadeiramente singular não é apenas a capacidade de atingir os 6.000 metros de profundidade, nem a autonomia para permanecer semanas no fundo do mar. Segundo José Miguel Almeida, investigador do INESC TEC, este veículo destaca-se “pela componente da função de suporte logístico a operações no fundo do mar em lugares remotos”.
Ou seja, este robot pode aceder a equipamentos como nós sensoriais do fundo do mar, recolher os dados por eles registados e recarregar as respetivas baterias. Pode ainda transportar e recuperar equipamentos de forma totalmente autónoma, sem necessidade de navios de investigação ou de operação offshore, nem de utilizar ROVs (veículos subaquáticos operados remotamente), em operações demoradas. Isto permitirá reduzir os custos destas operações para uma fração das soluções atuais.
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Hoje, missões de observação científica dependem inteiramente de navios que se deslocam ao local, param no ponto exato e operam sensores, estruturas e veículos robóticos a partir da embarcação. Este é um processo dispendioso, logisticamente complexo e limitado pelas condições meteorológicas do local. Com o PETRA, grande parte dessas dependências são imediatamente eliminadas. Segundo o investigador do INESC TEC, “o custo de operação de um único navio pode equivaler ao de uma frota inteira destes robots”.
Tudo isto com a vantagem de poder operar mesmo em dias de tempestade, ou nas zonas polares onde no inverno é praticamente impossível chegar por mar, podendo o veículo continuar a operar e a recolher dados. Do ponto de vista técnico, o PETRA recorre a uma estrutura modular e reconfigurável, podendo variar entre 6,4 e 8 metros de comprimento e transportar mais de dois metros cúbicos de carga útil.
A possibilidade de operar diretamente entre portos e bases subaquáticas costeiras abre uma perspetiva ainda mais ambiciosa na área da defesa e da segurança nacional. Será possível aplicar uma frota de veículos deste tipo a monitorizar e explorar toda a extensão da plataforma continental portuguesa, com alcance até ao meio do Atlântico.
Resiliência
O que são as falhas digitais sistémicas que podem colocar em risco infraestruturas críticas?
Um relatório da ITU expõe um risco crescente e pouco compreendido da possibilidade de falhas digitais, que podem ser responsáveis por interrupções de larga escala em infraestruturas digitais críticas que sustentam praticamente todas as funções modernas da sociedade.
Desta forma seria possível detetar qualquer tipo de exploração submarina ilegal, na vigilância de cabos submarinos ou na monitorização de zonas de interesse estratégico. A missão poderá ser definida remotamente e o veículo irá executa-la de forma autónoma, regressando à superfície ou a uma base subaquática sempre que necessitar de reportar ao centro de controlo ou receber novas instruções.
O protótipo está em desenvolvimento há cerca de dois anos e a primeira missão está marcada para maio de 2027. Será testado em pleno oceano Atlântico, no âmbito de um projeto europeu, onde o veículo permanecerá no fundo do mar durante duas semanas.
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