Peru vai às urnas em clima de polarização e crise política

Os peruanos vão às urnas neste domingo, 7, para escolher o próximo presidente da República em uma das eleições mais polarizadas dos últimos anos. O segundo turno coloca frente a frente a conservadora Keiko Fujimori, líder do partido Força Popular, e o esquerdista Roberto Sánchez, em uma disputa que reflete a profunda divisão política do país.

A votação acontece em meio a um cenário de instabilidade institucional que marcou a última década no Peru. Desde 2016, o país teve uma sucessão de crises políticas, processos de impeachment, renúncias e mudanças de governo, resultando em oito presidentes diferentes em aproximadamente dez anos.

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Peru e a defesa da economia de mercado

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko tenta chegar pela quarta vez ao comando do país. Ela construiu sua campanha em torno da defesa da economia de mercado, do combate à criminalidade e da promessa de estabilidade política. Também tem recorrido com frequência ao exemplo da Venezuela para alertar contra o avanço de propostas identificadas com a esquerda latino-americana.

Do outro lado, Roberto Sánchez se apresenta como alternativa às forças políticas tradicionais. O candidato defende maior participação do Estado na economia, ampliação de programas sociais e reformas constitucionais voltadas à redução das desigualdades. Seus apoiadores argumentam que o atual modelo econômico não foi capaz de distribuir os benefícios do crescimento de forma equilibrada entre as diferentes regiões do país.

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A campanha foi marcada por acusações mútuas e por um forte embate ideológico. Enquanto setores conservadores alertam para os riscos de uma guinada à esquerda, grupos progressistas afirmam que uma eventual vitória de Keiko representaria o retorno do fujimorismo ao poder, movimento político associado ao legado de seu pai, que governou o Peru entre 1990 e 2000.

Independentemente do resultado, o próximo presidente terá o desafio de reconstruir a confiança da população nas instituições democráticas, estabilizar o cenário político e enfrentar problemas econômicos e sociais que se agravaram nos últimos anos. A expectativa é que a disputa seja decidida por margem apertada, refletindo a divisão do eleitorado peruano.

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