Os donos do Brasil tem nomes – Por Paula Sousa

Imagem Reprodução Blog Isto é Dinheiro

 

A política brasileira é um espetáculo de ilusionismo onde o público, hipnotizado pelo discurso da “justiça social”, não percebe que sua carteira está sendo batida em plena luz do dia. Em 25 de fevereiro de 2026, publiquei aqui no BrasilAgro o artigo “O ROUBO DA LUZ: O BANQUETE DOS REIS COM O SEU DINHEIRO”. Naquela ocasião, mostrei como a conta de luz do trabalhador foi transformada em um caixa eletrônico para os irmãos Joesley e Wesley Batista. Hoje, o cenário se expande de forma alarmante. O que era um assalto no setor elétrico revelou-se um projeto de poder que controla do detergente na sua pia ao ovo na sua mesa.

 

Recentemente, o deputado Nikolas Ferreira trouxe à tona novos capítulos dessa novela de “sorte” e compadrio que humilha o mérito e exalta o acesso ao Diário Oficial. O enredo é sempre o mesmo: onde quer que os “amigos do rei” coloquem os pés, o Estado brasileiro aparece com uma canetada para pavimentar o caminho e asfixiar a concorrência.

 

A geopolítica do “capacho”

 

Enquanto o presidente Lula mantém o personagem do pai dos pobres, a realidade mostra que ele atua como um funcionário de luxo — um verdadeiro capacho de bilionários. A recente viagem de Lula aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump não foi movida por diplomacia ambiental ou direitos humanos. Foi uma missão de resgate. Com a investigação do governo americano sobre as “Quatro Grandes” do setor da carne (incluindo a JBS), o desespero bateu à porta. Lula foi à Washington tentar aliviar a barra de seus verdadeiros patrões, que agora enfrentam o rigor das leis antitruste de uma potência que não aceita ser pautada pelo lobby brasileiro.

 

A linha do tempo da “sorte” absurda

 

Para quem ainda acredita em coincidências, a cronologia dos fatos, baseada em fontes como G1, O Globo, CNN, Veja e Gazeta do Povo, desenha um crime perfeito contra o livre mercado:

 

  1. O setor elétrico (Maio/2025): A Âmbar Energia (J&F) compra usinas deficitárias da Eletrobras (G1). Três dias depois, o governo publica uma Medida Provisória repassando uma dívida de R$ 10 bilhões para a conta de luz de todos os brasileiros (Gazeta do Povo/G1).

 

  1. O cartel dos ovos (Janeiro/2025): Os Batista compram 50% da Mantiqueira, a maior produtora de ovos do país (G1). Semanas depois, o Ministério da Agricultura tenta impor um “carimbo obrigatório” em cada ovo, tecnologia que só os gigantes possuíam, quase destruindo o pequeno produtor. O recuo só veio após pressão popular (Veja).

 

  1. A perseguição à Ypê (2026): A tradicional marca de detergentes Ypê, cujos donos doaram para a campanha de oposição, tem produtos suspensos pela Anvisa. A coincidência? A principal concorrente é a Minuano, que pertence ao império dos Batista.

 

  1. O blindado jurídico: O ex-advogado de Lula e da própria JBS, Cristiano Zanin, é alçado ao STF. Logo depois, Dias Toffoli — também indicado pelo PT — suspende a multa bilionária de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F (CNN/Página do STF).

 

O teatro das tesouras

 

É fascinante observar como a máquina estatal se move com precisão cirúrgica. Se você é um empresário que apoia a direita, a vigilância sanitária e o rigor da lei caem sobre sua cabeça como um martelo. Se você é um “irmão de fé” do sistema, o STF limpa seu histórico, o governo paga suas dívidas com dinheiro do povo e as agências reguladoras limpam o mercado para você passar.

 

O discurso de Lula sobre minorias e oprimidos é o papel de presente de uma caixa vazia. Por dentro, o que existe é um governo tecnocrata a serviço da J&F. O “Pai dos Pobres” virou o “Padrinho dos Bilionários”. Enquanto o militante petista briga no WhatsApp defendendo a “soberania nacional”, o dinheiro dele sai via boleto da Equatorial ou da Enel direto para o Caribe, com escala técnica no bolso de quem já confessou, em 2017, ter pago milhões em propina ao próprio PT (Delação de Joesley Batista).

 

O crime compensa?

 

A sensação que fica é de que a Lava-Jato foi um delírio coletivo. Voltamos ao estágio onde o sucesso empresarial não depende de inovação ou qualidade, mas de quem senta à mesa no Palácio do Planalto. O caso da Ypê é o ápice do descaramento: usa-se a saúde pública (Anvisa) como arma de guerra comercial.

 

A pergunta que o brasileiro deve fazer diante da prateleira do supermercado não é qual produto limpa melhor, mas sim: “quem este detergente está financiando?”. O Brasil não tem um governo; tem uma diretoria comercial que utiliza a estrutura da União para moer quem não beija o anel do “Dono do Mundo” — aquele que, por sua vez, deve tudo aos donos da JBS.

 

Conclusão

 

Não há mais espaço para ingenuidade. O Brasil é hoje um imenso quintal dos Batista, cercado por um STF solícito e um Executivo submisso. Se o eleitor não acordar para o fato de que está pagando pelo próprio chicote — seja na conta de luz, no preço da carne ou no imposto do ovo — continuaremos sendo apenas os figurantes miseráveis de um banquete onde só sentam os reis e seus capachos.

 

Lula não foi aos EUA falar pelo Brasil; foi pedir clemência para quem paga as contas do sistema. Resta saber se Trump, que não costuma ter paciência com oligopólios estrangeiros, aceitará o papel de cúmplice nesse teatro de horrores. Enquanto isso, aqui, seguimos pagando a conta — e ela está cada vez mais cara. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 13/5/2026)

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