Cobertura emergencial foi instalada para tentar preservar o prédio histórico da antiga Estação Ferroviária Uruguai, em Piratuba (Foto: MPF, Divulgação)
Uma construção que guarda parte da história da ferrovia catarinense vive hoje uma corrida contra o tempo para não desaparecer. Localizada em Piratuba, no Oeste de Santa Catarina, a antiga casa de pernoite da Estação Ferroviária Uruguai, edificada por volta de 1910, apresenta estado crítico de conservação e precisou receber uma “cobertura de emergência” após o colapso do telhado original.
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O caso motivou uma atuação do Ministério Público Federal (MPF), que encaminhou um acordo parcial envolvendo a União, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para garantir a preservação do imóvel histórico.
A medida foi apresentada após uma inspeção realizada no local em 30 de abril, quando representantes do MPF constataram o avanço da deterioração da estrutura, considerada um dos remanescentes da antiga linha férrea Itararé-Uruguai, que cruzava Santa Catarina no início do século passado.
Durante a vistoria, foi identificado que parte das ações emergenciais já havia sido executada. Entre elas, a instalação de uma estrutura metálica com cobertura de zinco sobre o prédio original, utilizada como forma de reduzir infiltrações e evitar o agravamento dos danos causados pelas chuvas.
Mesmo assim, o relatório aponta que a edificação segue em situação crítica. Segundo o MPF, a cobertura original, composta por telhas francesas de barro, sofreu colapso severo. Vigas e ripas de madeira apodreceram e desabaram no interior do imóvel.
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As paredes internas também apresentam infiltrações, reboco deteriorado e trechos com tijolos expostos, evidenciando o estado avançado de abandono da construção centenária.
A atuação faz parte de uma ação civil pública movida pelo MPF para assegurar a preservação do patrimônio, que atualmente passa por processo de valoração histórica junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Sobre o local
Construída para servir de alojamento aos trabalhadores da ferrovia durante escalas e trocas de tripulação, a casa de pernoite integra o complexo ferroviário da antiga Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande, responsável por impulsionar o desenvolvimento de cidades do Meio-Oeste catarinense no início do século XX.
Hoje, mais de um século depois, o imóvel representa um dos poucos vestígios físicos da linha ferroviária que ajudou a moldar a história econômica e social da região e que agora corre o risco de desaparecer.
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