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- Suriname, país pouco populoso da América do Sul, ganhou destaque na exploração de petróleo após a descoberta do poço Maka Central‑1 pela APA Corporation em 2020.
- Desde 2015, a ExxonMobil identificou mais de 35 poços com potencial relevante na bacia de Stabroek, revitalizando o interesse das petroleiras internacionais na região.
- Avaliações iniciais do USGS (início dos anos 2000) consideravam o potencial da bacia limitado, mas as recentes descobertas apontam Suriname como futuro polo petrolífero.
- A TotalEnergies, responsável pelo bloco offshore 58, adiou investimentos até 2022, refletindo cautela diante de riscos sísmicos ainda superiores aos da Guiana.
Palco de descobertas significativas nos últimos anos, o Suriname, um dos países menos populosos da América do Sul, é um dos mais promissores para a exploração de petróleo do continente nas próximas décadas.
Vizinho da Guiana, que também vive um dos maiores booms de petróleo do mundo desde o início da exploração do bloco Stabroek pela ExxonMobil — prevista para superar 1 milhão de barris por dia até 2027 —, o Suriname também quer tomar parte do crescimento econômico trazido pelo setor energético.
Com empreendimentos mais desenvolvidos no setor, a Guiana já foi eleita pela Cepal como o país que mais vai crescer na região latino-americana, com média de 24% esperada em 2026.
Durante décadas, no entanto, a região em que estão Guiana e Suriname foi praticamente ignorada pelas grandes petroleiras internacionais, após campanhas fracassadas de busca por petróleo ao longo das décadas de 1960 e 1970.
Segundo avaliações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que datam do começo dos anos 2000, o potencial petrolífero da bacia era limitado em comparação a outras fronteiras energéticas, como o pré-sal brasileiro ou a costa ocidental africana.
A partir de 2015, quando a ExxonMobil anunciou a descoberta do poço Liza-1, no bloco Stabroek, em águas da Guiana, a indústria voltou a ter esperanças.
Foram mais de 35 descobertas de poços com potencial relevante desde então, concentradas na bacia operada pela Exxon.
No Suriname, uma virada ocorreu em 2020, quando a APA Corporation, de Delaware, descobriu o poço Maka Central-1, no bloco offshore 58, com reservas confirmadas de gás natural, apesar dos riscos sísmicos mais elevados em comparação à Guiana e de números menos robustos.
A francesa TotalEnergies, responsável pela operação do bloco 58, decidiu adiar qualquer investimento em exploração até 2022.
Enquanto isso, o Suriname, com apenas 600 mil habitantes e uma economia historicamente dependente da mineração e da agricultura, enfrentava altas taxas de inflação, regime fiscal fragilizado e instabilidade social, além de possuir um dos menores PIBs da América do Sul.
Isso só mudou em outubro de 2024, quando TotalEnergies e APA finalmente aprovaram o Projeto Gran Morgu, o primeiro grande projeto de desenvolvimento offshore do país, com investimentos previstos de aproximadamente US$ 10,5 bilhões no bloco 58.
O projeto terá capacidade nominal de produção de 220 mil barris por dia e incluirá 16 poços produtores e 16 poços de reinjeção.
E, de acordo com informações divulgadas pelas operadoras, as obras estão até 50% concluídas. A previsão de início da produção comercial no bloco é para 2028.
Segundo a TotalEnergies, a plataforma vai usar sistemas totalmente eletrificados e deve emitir menos de 16 quilos de dióxido de carbono por barril produzido.
Diante das boas notícias, a estatal Staatsolie adquiriu, em 2025, uma participação operacional de 20% no projeto Gran Morgu, por cerca de US$ 2,4 bilhões, a fim de garantir participação direta nos lucros da produção futura.
Estima-se que o empreendimento possa gerar em torno de US$ 26 bilhões em receitas para o Estado ao longo de sua vida útil.
A localização geográfica do país favorece exportações tanto para os Estados Unidos quanto para Europa e Ásia, e o petróleo offshore da região possui baixos custos de extração.
Os custos de produção podem variar entre US$ 40 e US$ 45 por barril, considerados competitivos no mercado internacional, especialmente em meio à inflação nos preços da energia causada pela guerra no Oriente Médio.
Além do petróleo, o Suriname também pode emergir como potencial fornecedor regional de gás natural. O próximo grande projeto energético do país deve ocorrer no bloco offshore 52, operado pela estatal malaia Petronas, que controla 80% da área em parceria com a Staatsolie.
O foco principal é o desenvolvimento da descoberta Sloanea-1, realizada em 2020 e declarada comercial em 2025, com reservatórios significativos de gás natural.
Analistas internacionais descrevem o Suriname, que possui 23 blocos offshore já delimitados para exploração, como “a última grande fronteira offshore” da América do Sul, e o potencial total da região ainda está sendo estimado.
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