Pouco depois de Charly Oliver e Michelle Denton se terem conhecido, na década de 1990, descobriram que partilhavam o mesmo sonho: viver num veleiro e explorar o mundo. Foram necessários muitos anos para que este objetivo se concretizasse, mas o casal conseguiu finalmente vender a sua casa em Boulder, no Colorado, há uma década, e comprar um veleiro chamado “Rascal”.
Desde então, passam de novembro a abril de cada ano a navegar pelas águas cristalinas das Bahamas, admirando pores do sol deslumbrantes e praias tropicais a partir da sua casa de inverno – uma casa flutuante com 12,5 metros.
Os meses de verão são dedicados a viagens pelo mundo: o casal já visitou 36 países na Europa, Ásia, África e Américas.
Estilo de vida libertador
“O que resume bem o estilo de vida de quem navega é a liberdade, e apenas trabalhar e viver em contacto com a natureza”, diz Michelle Denton, que não podia estar mais feliz por viver a vida que imaginou quando aprendeu a velejar na infância.
Demorou algum tempo até conseguir concretizar esse sonho. Quando era estudante de Direito, Michelle elaborou um plano a 40 anos que envolvia viver frugalmente e poupar o máximo possível para se reformar cedo. Quando se casou com Charly Oliver, em 2004, Denton explicou-lhe o seu plano e percebeu que ele estava disposto a segui-lo consigo.
“Para mim, a reforma sempre significou viajar e fazer as coisas de que gosto, como escalada, motociclismo e vela”, diz ele. “Ficar parado num só sítio e não ir a lado nenhum não está nos meus planos.”
A vida em terra firme parecia agitada e pouco inspiradora por vezes, acrescenta Denton, que explica que viajaram por todos os Estados Unidos, visitando a maioria dos lugares da sua lista de desejos, e a perspetiva de explorar novos horizontes e lugares de difícil acesso era extremamente atraente para ambos.
Após 33 anos a poupar, conseguiram finalmente reformar-se em 2016, três anos antes do previsto. Nesse mesmo ano, fizeram a primeira viagem marítima, partindo da Baía de Galveston, no Texas, onde compraram o barco, navegando pela Costa do Golfo até à Florida e, depois, dos Cayos da Florida até às Bahamas.
Nos últimos 10 anos, passaram os invernos a explorar as mais de 700 ilhas das Bahamas, como Abacos, as Ilhas Berry (um arquipélago de 30 ilhas), a Ilha da Conceição e Mayaguana, a ilha mais remota do arquipélago.
Tempos desafiantes
Durante os meses de verão, costumam deixar o barco para trás e continuar as suas viagens por terra.
Embora digam que a vida no mar tem muitas vantagens — como a liberdade, o custo de vida acessível e a comunidade náutica — também tem muitas desvantagens. “Não se trata cocktails e pores do sul”, diz Charly, que antes trabalhou no setor da segurança industrial.
Manter um veleiro pode ser trabalhoso e estar constantemente à mercê das condições do mar exige muita preparação, planeamento antecipado e paciência, justificam. Qualquer problema que surja com o barco, eles próprios têm de o corrigir.
“Não se chega a lado nenhum depressa”, diz ele. “Lidar com o clima pode ser problemático tanto no mar como ancorado.” O casal já passou por muitos dias desafiantes no mar, incluindo uma travessia da corrente do Golfo com mau tempo, uma corrente oceânica que flui pelo Estreito da Flórida e sobe pela costa leste dos Estados Unidos.
Vivem de forma simples a bordo. A cozinha tem apenas um pequeno forno e todas as comunicações digitais são feitas através de uma ligação limitada à internet por satélite. No entanto, dizem que levam uma rotina tranquila e não sentem falta das comodidades modernas.
O custo de vida num veleiro também é muito mais baixo do que em terra firme, garantem. Embora o seguro náutico seja comparável ao seguro habitação, o Rascal está equipado com painéis solares, que geram toda a energia de que necessitam. Também evitam luxos como comer fora. “Não gastamos muito dinheiro em restaurantes porque simplesmente não há muitos por perto. Também não passamos muito tempo em marinas, pois preferimos ficar ancorados”, diz Michelle.
Em 2023, decidiram comprar uma casa perto da Cordilheira das Cascatas, na cidade de Cle Elum, Washington, para terem uma base em terra entre as viagens.
Além disso, o casal comprou recentemente um novo iate a motor de 34 pés (mais de 10 metros), o que significa que dependem menos dos ventos sazonais e podem navegar em direção a destinos mais frios no norte dos Estados Unidos e do Canadá durante o verão, em vez de terem de esperar pelo inverno.
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