Mais de 11.000 pessoas com necessidades alimentares em Moçambique

De acordo com um relatório de campo do mecanismo, que visa fornecer assistência imediata e coordenada a populações afetadas por crises, divulgado hoje, entre 13 e 17 de março, as fortes chuvas no distrito de Metuge provocaram inundações generalizadas que danificaram infraestruturas essenciais e afetaram diretamente cerca de 5.725 famílias naquela região do norte de Moçambique.

“Muitas famílias afetadas abrigaram-se inicialmente em escolas ou com familiares/vizinhos, enquanto algumas, segundo relatos, regressaram a casas danificadas apesar das precárias condições de vida, aumentando a vulnerabilidade a doenças. As inundações suscitaram também preocupações quanto à contaminação das fontes de água potável, devido à mistura da água das cheias com os pontos de água existentes”, lê-se no documento.

Em resposta, o Mecanismo de Resposta Rápida (MRR) refere que equipas realizaram, até finais de março, 181 entrevistas com informadores-chave em 12 comunidades do distrito, tendo sido apontado o abrigo como a prioridade mais urgente em todas as comunidades avaliadas, apontado por 92% dos inquiridos, impulsionada pelos danos generalizados nas habitações relacionados com as cheias e pela limitada disponibilidade de alternativas seguras.

A alimentação, segurança alimentar e a agricultura também foram as necessidades prioritárias mais frequentemente reportadas por 86% dos afetados, com as comunidades do distrito a descreverem como causas uma combinação de redução do poder de compra, disrupção da produção interna, associado a destruição das machambas (campos agrícolas) e as perdas imediatas de meios de subsistência.

O MRR avança que, no mesmo período, as chuvas que afetaram grande parte de Cabo Delgado tiveram impactos particularmente severos em sete comunidades do distrito de Ancuabe, onde as inundações e erosão do solo causaram danos generalizados nos abrigos, perda de machambas e colapso de latrinas, aumentando os riscos para a saúde e segurança de cerca de 5.709 famílias.

“Algumas famílias abrigaram-se com familiares, enquanto outras permaneceram em abrigos temporários improvisados”, lê-se no relatório, onde se acrescenta que foram conduzidas 123 entrevistas em 15 comunidades de Ancuabe.

O MRR explica que, em 94% dos afetados entrevistados, “a alimentação surgiu como a necessidade prioritária mais imediata para as comunidades”, com os “informantes-chave” a referirem que as famílias têm atualmente dificuldades em aceder a alimentação. Pelo menos 91% dos inquiridos apontaram o alojamento como a segunda necessidade pelos danos generalizados, parciais e totais, nas habitações e a vulnerabilidade dos abrigos.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde afetadas em menos de seis meses, segundo a última atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registarem nos últimos dias uma nova vaga de inundações.

Os dados do INGD indicam ainda que 320.426 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 373.241 agricultores, e 531.657 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.

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