Exclusivo: entenda como Victor Fish mudou de vida ao apostar no hype da corrida de rua

Fotos: Reprodução / Instagram @victorfishh

A moda de uma época é impactada pela composição dos signos, das convenções que o comportamento daquela sociedade acaba por repercutir. Pouco tempo atrás, há uns quatro anos, o minimalismo das cores sólidas e a tecnologia de peças resistentes à utilização diária se sobrepuseram à ostentação das estampas e logotipos. 

A tendência monocromática associada à procura por conforto e tecnologia fez surgir uma infinidade de empresas especializadas na produção das agora famosas tech-shirts – aquelas que “não amassam, não deixam cheiro e não marcam sua silhueta”. 

Este movimento fashion, não por acaso, ganhou força ao mesmo tempo em que os brasileiros elegeram a corrida de rua como seu mais novo e favorito esporte. De uma hora para outra, todo mundo passou a ver aquele amigo sedentário, farrista, publicando fotos de suas participações em meias-maratonas que você nem sabia que existiam. 

Fotógrafos, por sua vez, se apressaram a criar agências pensadas exatamente para capturar tais registros – às vezes, mais valiosos para alguns do que a prova em si.

Um estudo realizado pela Olympikus em parceria com a BOX 1824 revela que 15 milhões de brasileiros correm – sendo que 2 milhões começaram no ano passado, um crescimento de 15%. Entre 2024 e 2025, a base de corredores ficou mais jovem, com média de 34 anos, mais diversa e mais democrática, com forte entrada de mulheres (56%) e avanço da classe C (43%). No entanto, 71% dizem correr apenas uma vez por semana – ou seja, mais por hobby do que por exercício de fato.

Como é comum na roda do capitalismo, que historicamente se mantém pelos ciclos que ele mesmo cria, absolutamente tudo parece ter passado a orbitar neste lema: ser fit, discreto, tecnológico, monocromático, saudável e instagramável. Copos térmicos, relógios, logotipos, design de celulares, cortes de cabelo, cenários de programas de televisão, itens de decoração, hábitos de celebridades, iguarias culinárias. 

Tudo em que é possível expressar este novo arquétipo foi transformado.

Por isso mesmo, seria humanamente impossível para esta ou qualquer outra coluna dizer o quanto este fenômeno impactou o mundo digital. Escolhemos, então, Victor Fish como a personificação de como este estilo de vida se tornou, também, um novo nicho de mercado para influenciadores. Baiano, Victor Oliveira adotou “Fish” por conta de um apelido de infância. Mas de peixe ou de bobo ele não tem nada.

De forma muito franca, o administrador teve uma conversa exclusiva comigo e admitiu ter visto no celular uma forma de superar uma grave crise financeira – que, assim como para outros milhões de brasileiros, veio durante a pandemia de COVID-19. “Foi mais por necessidade. Na pandemia, eu perdi meu trabalho. Eu não tinha de onde tirar, eu não tinha dinheiro pra montar uma empresa. E aí eu tive que me transformar. Olhei pro digital como uma esperança, porque era a única coisa que eu podia fazer”, lembra. 

“Eu não sou artista. Eu sou dos bastidores, da produção. Já fui produtor, já fiz camarotes, já botei trio na rua, enfim. Eu trabalho nesse ramo até hoje. Só que na pandemia, esse setor não existia, porque não tinha show. Estava morando de favor na casa do sogro e meu filho tinha acabado de nascer”, completa o rapaz de 38 anos, que fala com a leveza de quem tirou um peso dos ombros.

Victor começou a correr pela higiene mental, também como boa parte dos brasileiros àquela triste época. Não era moda, não era tendência, não era fonte de renda. Mas ele lembra do dia em que percebeu no que aquele hábito poderia se tornar. 

“As contas, já em um novo emprego, ainda estavam apertadas. Veio filho, veio escola… Em junho de 2024, eu precisava trocar o tênis. O meu já estava bem castigado. Numa corrida tradicional aqui em Salvador, uma casa esportiva convidou algumas pessoas para experimentar um tênis da New Balance nessa corrida. Aí, eu olhei para o perfil de todo mundo, e me perguntei: o que eu não sei fazer e essa galera faz? Eu tenho que virar isso aqui”, admite.

Hoje com 50 mil seguidores no Instagram, o que se observa na fala de Victor Fish é, sem dúvida, a honestidade de quem não tem receio de reconhecer o que muito mais da metade de seus colegas decidiu fazer. 

No método de tentativa e erro, Victor fez de se si mesmo o próprio produto como faz um bom marqueteiro: copiou concorrentes, mapeou os melhores formatos virais, ensaiou vídeos até então fracassados, e, por fim, aprendeu a vender a própria imagem como um ativo. “Eu era super tímido. Isso aqui que eu estou fazendo com você mesmo [a entrevista], eu estou mais treinado agora. Mas eu tremia na base. Eu tive que tomar curso de oratória. Me especializei e estudo até hoje essa área porque a gente precisa evoluir”, confessa.

Victor, afinal, não deixou de honrar sua formação. Tornou-se – pelo menos por agora – um sucesso de vendas. O influenciador, hoje, é procurado por marcas que vão de empreendimentos imobiliários a farmácias e supermercados. Estava, no Carnaval deste ano, em um dos mais exclusivos camarotes corporativos de Salvador; mas, desta vez, como convidado VIP. “Todo mundo quer estar no hype da corrida”, diz ele, que afirma não fazer menos que dois publiposts por semana – algo que já se equipara ao que lucra no mercado convencional.

Basta olhar para o feed do influenciador para que tenhamos um espelho quase que evidente de alguém que soube escolher quais corridas correr. Mas, como disse antes, ele não é bobo nem nada. Com um sonho de lançar uma plataforma para incentivar atletas amadores, o personagem desta coluna sabe que o hype sempre passa – afinal, tem que dar lugar a outro.

Tudo o que falamos aqui pode mudar na mesma velocidade em que Salvador ganha um novo corredor.

Chegando ao fim do texto, recomendo fortemente que chequemos se isso já não aconteceu.

*Matheus Pastori é jornalista, especializado em Branding e Conteúdo Digital. É membro do Conselho Editorial da Let’s Go Bahia

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