El Niño Costeiro pode alcançar potencial para eventos extremos em países da América do Sul, alerta meteorologista
O aquecimento acelerado das águas do Pacífico junto à costa do Peru eleva a preocupação sobre os impactos do El Niño Costeiro. Segundo a meteorologista da MetSul Estael Sias, o fenômeno pode afetar diversos países da América do Sul, em especial o Peru e o Equador.
O alerta de especialistas é para a possibilidade de que o episódio repita o desastre registrado entre 1997 e 1998, quando ambos os países tiveram que lidar com um rastro de destruição em função de um El Niño Costeiro registrado no período. A meteorologista relembra que o episódio “alterou profundamente os padrões atmosféricos da região e desencadeou uma sequência de eventos extremos”.
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Nos últimos dias, o Peru sofreu com chuvas e deslizamentos em dimensões em algumas áreas que não se registravam desde o intenso El Niño Costeiro de 2017.
Foto: Bombeiros do Peru
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O que aconteceu durante El Niño Costeiro de 1997
No Peru, chuvas torrenciais atingiram áreas normalmente áridas, o que resultou em enchentes de grandes proporções, além de deslizamentos de terra. Com o transbordo de rios, cidades ficaram isoladas e milhares de moradias foram destruídas ou danificadas.
Estael relembra que estradas, pontes, sistemas de abastecimento de água e redes elétricas sofreram graves prejuízos. A agricultura e o setor pesqueiro do país foram muito prejudicados com inundações. As graves consequências geraram uma crise humanitária que afetou milhões de pessoas, com grandes perdas econômicas.
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No Equador, o cenário foi parecido. Diversas cidades sofreram com alagamentos persistentes, enquanto comunidades rurais enfrentaram isolamento e dificuldades de acesso a serviços básicos. Os danos foram além do mercado interno e tiveram reflexo nas exportações.
Para além do impacto material, o El Niño Costeiro daquele período teve importantes consequências para a saúde pública em ambos os países, já que as áreas alagadas favoreceram a proliferação de mosquitos e contribuíram para o aumento de doenças transmitidas pelos vetores.
A contaminação da água e as precárias condições sanitárias em áreas afetadas pelas enchentes também contribuíram para o registro de enfermidades relacionadas.
Cenário atual
Na última semana, a Nasa alertou para o aumento do nível do mar, que despontou para 15 centímetros acima da média histórica para maio naquela região – resultado da expansão da água, que ocorre quando aquecida. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também advertiu sobre a intensificação do aquecimento e seus impactos futuros.
De acordo com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, “o mundo precisa tratar isso como o alerta climático urgente que é”. Conforme Estael, medições indicam que as temperaturas do mar chegaram a atingir até 6°C acima da média em áreas próximas ao litoral peruano.
O índice Niño 1+2, usado para monitorar as águas costeiras do Peru e do Equador, aproxima-se da marca de +3°C, o que é considerado muito elevado para a região, observado em uma área estratégica para o desenvolvimento do El Niño Costeiro.

Foto: NOAA
No Peru, especialistas apontam que o aumento da temperatura superficial do mar contribui para a elevação do nível médio das águas ao longo da costa, ampliando o risco de alagamentos em áreas litorâneas.
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Além do aumento da temperatura, há preocupação perante a forte agitação marítima, que pode provocar ondas mais intensas ao longo da costa peruana, especialmente ao Sul, situação que pode afetar atividades pesqueiras e operações portuárias. Estael diz ainda que o Estudo Nacional do Fenômeno El Niño (Enfen), órgão responsável pelo monitoramento oficial no Peru, mantém status de alerta para o episódio costeiro.
As projeções indicam que o evento poderá persistir até fevereiro do próximo ano, embora a intensidade mais elevada esteja concentrada nos próximos meses. Conforme o Enfen, o fenômeno já alcançou oficialmente intensidade moderada, o que deve permanecer até, pelo menos, agosto. No entanto, para Estael, trata-se de uma avaliação considerada por muitos que subestima a força do aquecimento.
Semelhanças entre 1997 e 2026
Vários dados já indicaram semelhanças entre o episódio registrado no fim do século passado e o que está por ser anunciado ainda neste mês. No entanto, a meteorologista salienta: “Existe atualmente uma quantidade ainda maior de água quente disponível no oceano, o que poderia permitir que o fenômeno atingisse intensidade superior à registrada há quase três décadas.”
El Niño Costeiro x El Niño clássico
O El Niño Costeiro consiste no aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial nas proximidades das costas sul-americanas, que afeta o clima de países como Peru, Equador e, às vezes, o Chile, com efeitos mais imediatos. É um fenômeno que não afeta todo o clima mundial.
O El Niño clássico ou canônico, no entanto, tem efeitos de maior dimensão, em escala global, e consiste no aquecimento anômalo do Pacífico Central e Leste na zona equatorial. É este que vai se instalar nos próximos meses, enquanto o que agora se instala na costa peruana é o El Niño local.
“Uma vez que tanto o El Niño de impacto global como o El Niño costeiro se dão em seu litoral, o Peru sofre muito com o aquecimento anômalo das águas em sua costa. Por esta razão, os dois fenômenos causam muita apreensão entre os peruanos”, diz Estael.
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