Eduardo Cunha | O Paraguai agradece

Bolsa Eleição de Lula afasta empresas para o país vizinho, que agora pode ter a ajuda dos EUA contra PCC e CV, facções que também agem por lá

Tivemos na semana passada muitos fatos relevantes, que podem ter ou não influência no resultado das eleições de outubro, mas que certamente produzirão efeitos na nossa economia ou na vida das pessoas.

Primeiro falo da aprovação do fim da escala 6 X 1, para um novo modelo de escala 5 X 2, com redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Depois quero falar sobre a decisão do governo norte-americano de classificar organizações criminosas armadas como terroristas.

Dizer que o fim da escala 6 X 1 não é uma política eleitoreira é uma verdadeira maldade do governo Lula, que escolhe as pautas pontuais, visando exclusivamente a obter uma melhoria dos seus desfavoráveis índices de popularidade e tentando reverter um quadro eleitoral que lhe parecia desfavorável, jogando os seus adversários no famoso “nós contra eles”. Quem não concordar com “nós” passa a ser “eles”.

Ou seja, quem está comigo está com o povo. Quem não concordar com as minhas propostas de cunho eleitoral estará do lado das elites, dos mais ricos.

Sempre foi essa a tática da esquerda no país, sendo que Lula e seus aliados já tiveram 5 mandatos presidenciais sem nunca terem tido essa brilhante ideia “arrasa quarteirão” de redução não só da jornada de trabalho, acumulada à redução da escala.

Essa é uma combinação tão explosiva que não sabemos o que terá de consequência.

O Paraguai, país vizinho, integrante do mercado comum do Mercosul, já vem se beneficiando da combinação de políticas públicas petistas ao longo dos anos. O custo dos impostos brasileiros, acrescido do custo dos encargos trabalhistas, tem feito centenas de empresas produtivas brasileiras passarem a criar empregos e produzir renda por lá, à custa do fornecimento ao nosso mercado brasileiro, sem qualquer tarifa adicional, pelo fato de estarmos tratando do acordo do Mercosul.

Certamente, o fim da escala 6 X 1 levará ao aumento do número dessas empresas que optam pela mudança para o Paraguai, além do número de pessoas que resolvem mudar o domicílio fiscal, atraídas pela alíquota de imposto de renda de 10% –fora as demais reduções de custo por lá.

Por lá não existe a nossa Justiça do Trabalho, assim como não existem as contribuições previdenciárias como as daqui. Não existe concorrência com o nosso Bolsa Família, que obriga o empresário a ficar na ilegalidade e contratar sem registro da mão de obra ou pagando um salário que possa competir com a fábrica de ociosidade do período lulista, em que a aposentadoria da categoria Bolsa Família em breve será o maior custo orçamentário do país.

Também a escala 5 X 2 não conseguirá responder às dúvidas que ficarão na sociedade e nas contas públicas. É certo que dentro desse prazo de carência de 14 meses para entrada em vigor, isso será alterado, servindo tão somente para engano daqueles que eles pensam serem os nossos trouxas eleitores.

Afinal, só a simples redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas já não provocará significativo aumento de custos e, por consequência, da inflação no país?

Peguemos só um pequeno exemplo, onde 4 horas em 44 horas significam uma redução de cerca de 9% na carga trabalhada e sem redução de salário. Como ficam, por exemplo, os custos das obras públicas?

Simplesmente irão aumentar a parte de mão de obra em 9%, acrescido dos encargos sobre esses 9%, algo em torno de 130%. Tudo isso representa um total de 20,7% de aumento do custo de mão de obra.

Ou você acha que o custo da limpeza da sua cidade, que é mão de obra pura, não aumentará também isso?

Poderíamos dar dezenas de outros exemplos de aumento de custos.

Mas ao juntarmos essas duas situações, a redução de jornada e a redução dos dias trabalhados, temos duplo aumento de custos. Uma coisa é o aumento do custo direto da mão de obra, outro é a necessidade para atendimento de 6 ou 7 dias necessários ao trabalho de cada atividade.

Torna-se necessária a contratação de mais mão de obra, competindo com o nosso Bolsa Família, que já absorve pelo Estado petista uma mão de obra para ficar –ou fingir ficar– ociosa, mas cobrando o trabalho de forma ilegal, tornando a quebradeira da previdência uma forma quase irreversível.

Se formos usar exemplos de algumas atividades, o que farão os lojistas de shoppings? Terão de fechar aos domingos para descanso?

Se não fizerem isso, terão de contratar mais gente, o que é inviável economicamente, pois a competição com o mercado on-line já vem reduzindo as vendas físicas e transformando os shoppings em praças de lazer e alimentação.

Se formos ver as atividades do agronegócio, será que dá para não tirar leite da vaca todos os dias? Será que dá para dar descanso de pasto por 2 dias aos bois?

E os supermercados? Será que continuarão a manter lojas enormes abertas no fim de semana ou simplesmente aumentarão a venda de produtos de forma on-line?

Lembrando que cada entregador necessário a um supermercado substituirá ao menos 5 funcionários de lojas físicas, aumentando o seu lucro, até porque o trabalhador terá o lazer aumentado e a oportunidade de descobrir a comodidade de não precisar sair de casa para comprar mais barato do que compra hoje em uma loja física.

A nova isenção da taxa das blusinhas, criada e depois isentada dentro do conjunto Bolsa Eleição de Lula, já mostra isso para as famílias que compram por esses aplicativos.

Desse jeito, a única categoria que vai continuar aumentando é a do entregador de aplicativos. O governo pode ainda aumentar os diversos financiamentos –puro atendimento eleitoral– para aquela que vai ser, com o tempo, a maior categoria trabalhadora do país.

Agora, se o objetivo é o aumento de renda do trabalhador, qual a razão de não se criar o salário hora, com esse aumento de redução de jornada de 9%, mas liberando tudo, sem jornada obrigatória ou qualquer escala, bastando pagar o salário do número de horas que o trabalhador quiser trabalhar?

Se ele quiser trabalhar 60 horas, recebe sobre 60 horas. Se quiser trabalhar 20 horas, recebe sobre 20 horas.

Cada trabalhador decidiria a sua escala e a sua carga horária, recebendo na mesma proporção da sua vontade e disponibilidade de trabalhar.

O trabalhador poderia optar até por praticar as suas horas trabalhadas, em mais de um empregador, tendo, enfim, uma liberdade. Acabaria com o discurso de que querem explorar o trabalhador.

Querer transformar em um plebiscito eleitoral o atendimento à vontade popular em uma votação de Congresso em ano eleitoral significa o exercício de uma maldade. Merece ser punida pelo eleitor nas urnas.

Quem vai ficar contra trabalhar menos e ganhar a mesma coisa? Isso é ou não uma maldade eleitoral?

A oposição agiu infantilmente ao passar a defender um absurdo ainda maior, que foi a escala 4 X 3, que certamente aumentaria ainda mais a quebradeira, ou a transferência para o Paraguai.

Por que não reagiu propondo outro absurdo melhor para o povo, que seria a simples redução de impostos, mantendo a mesma renda?

Será que alguém não prefere pagar menos impostos, ganhando a mesma coisa?

Será que em algum plebiscito, pagar mais impostos será uma decisão vitoriosa?

Será que poderíamos dizer que pagar impostos significa prejudicar os mais pobres e beneficiar as elites?

Se já ficássemos ao menos igual ao Paraguai no quesito impostos, será que não traríamos de volta as empresas que para lá se mudaram?

Ou seja, nem sempre a tese mais votada será a melhor tese para o país, já que todos preferem trabalhar menos e pagar menos impostos.

Da mesma forma, a nova armadilha eleitoral que Lula tentou implementar no país, de proteção ao crime organizado, travestido de defesa de soberania, não vai colar.

Lula foi a Trump, intermediado por um empresário inescrupuloso, Joesley Batista, que certamente teve alto custo para isso, tentando evitar a classificação das organizações criminosas brasileiras como terroristas.

Depois de ter vazado os áudios de Flávio Bolsonaro, por meio de sua polícia política, tentando acabar com a candidatura do seu oponente, Lula toma uma invertida do mesmo Flávio, que foi a Trump e conseguiu aquilo que Lula tentou evitar: classificar as organizações criminosas brasileiras como terroristas.

Trump atendeu a Flávio, desmoralizando toda a viagem que Lula fez, que teve como resultado o simples anúncio de criação de uma comissão entre as partes para estudo do problema.

Flávio foi lá e obteve, em 24 horas, o que Lula iria querer que não acontecesse nunca.

Vem Lula e fala que Flávio é um traidor e que isso afronta a nossa soberania.

Será que afeta mesmo? Ou afeta de verdade a soberania das organizações criminosas que não são combatidas pelo governo de forma a realmente serem exterminadas?

Será que Lula teme que Trump faça aqui o que fez com Maduro?

Faz aí uma nova pesquisa, acrescendo ao questionário se o povo quer trabalhar mais ou menos, se quer pagar mais ou menos impostos, se quer ou não o governo norte-americano intervindo para acabar com as organizações criminosas.

Tenho certeza que a resposta será favorável aos norte-americanos, da mesma forma que preferem trabalhar menos e pagar menos impostos.

Aí o Paraguai também agradece, pois essas organizações criminosas também invadem ou se escondem por lá, adorando que o governo norte-americano os ajude a combatê-las.

Lula realmente ficou sem saber o caminho de casa, não conseguindo anotar a placa do caminhão que o atropelou.

Se continuar gritando, dará eco ao discurso de que defende o crime. Se calar, perderá o rumo do processo eleitoral.

Essa eleição será de uma gangorra sem igual, em que os golpes mútuos ao fim trarão o relatório da contagem dos ferimentos, para ver quem se salvará, para poder vencer finalmente as eleições.

A cada dia que passa, vão se alternando os vencedores, em função de cada nova crise apresentada.

Nesse exato momento, estamos debaixo de um empate, aguardando os próximos vazamentos, as próximas operações policiais, além das próximas atitudes de Trump.


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