Angola integra lista de dez países em alerta máximo para possível propagação do vírus Ébola, segundo Africa CDC, que coloca RDCongo e Uganda como focos críticos
Angola está entre os dez países africanos que correm o risco de ser afetados pelo vírus Ébola, além da República Democrática do Congo (RDCongo), epicentro da epidemia, e do Uganda, alertou hoje a agência de saúde Africa CDC.
“Temos dez países em risco” de serem afetados, afirmou o presidente do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) da União Africana (UA), Jean Kaseya, durante uma conferência de imprensa realizada em Adis Abeba. O responsável sublinhou que a situação é preocupante, mas evitou declarações alarmistas.
Esses países são o Sudão do Sul, o Ruanda, o Quénia, a Tanzânia, a Etiópia, o Congo, o Burundi, Angola, a República Centro-Africana e a Zâmbia. A lista, segundo Kaseya, foi estabelecida com base na proximidade geográfica e nas rotas de transporte regionais.
Existem cerca de 750 casos suspeitos de Ébola e 177 mortes suspeitas na RDCongo, um país com cerca de 100 milhões de habitantes onde a epidemia “se propaga rapidamente”, alertou na sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS tem mobilizado equipas no terreno, mas admite dificuldades logísticas em zonas de difícil acesso.
Esta epidemia, a 17.ª a afetar a RDCongo, “é a segunda maior que conhecemos no mundo”, afirmou também Kaseya, referindo-se à escala e à velocidade de propagação. A maior ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, tendo causado mais de 11 mil mortos.
A epidemia, declarada em 15 de maio, corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS. Especialistas da organização reconhecem que a ausência de imunização agrava o desafio.
O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo. A transmissão ocorre por contacto direto com fluidos corporais de infetados ou superfícies contaminadas.
Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia atual, as diretrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de barreira e na deteção rápida dos casos. Kaseya insistiu que a vigilância nas fronteiras será determinante para travar a entrada do vírus nos países vizinhos.
O governo angolano ainda não emitiu comunicado oficial, mas fontes do Ministério da Saúde indicaram à Lusa que estão a ser reforçados os protocolos nos aeroportos e postos de fronteira com a RDCongo, nomeadamente na província do Uíge.
NR/HN/Lusa
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