Do semba ao samba: Thiaguinho celebra conexão com Angola em novo documentário

Lançado nesta quarta-feira (13), em São Paulo, o documentário “Raízes” registra a passagem inédita da turnê Tardezinha por Luanda, em Angola, em 2025. Disponibilizado gratuitamente no YouTube, a produção vai além dos bastidores do show e propõe uma aula sobre o semba, ritmo angolano que atravessou o oceano nos porões da escravização, fincou raízes no Brasil e floresceu como o samba.

Em entrevista à Alma Preta, Thiaguinho não escondeu a emoção ao falar da conexão ancestral com o país. “É muito difícil de explicar o que a gente sente. Eu falo para todos os meus amigos, principalmente meus amigos pretos: pelo menos uma vez na vida, vá ao continente africano”, frisa.

Para ele, pisar em Angola foi fundamental para entender a origem da cultura brasileira — da culinária às palavras. “É muito gostoso ver a nobreza deles, ver o porquê a gente é assim aqui, o porquê a gente se comporta assim aqui. Mesmo tendo um oceano de distância, a gente herdou muita coisa deles. O nosso gênero musical mais popular aqui é o gênero musical que teve origem lá”, ressalta.

Leia mais: ‘Eles não querem samba’: dirigente denuncia ameaça ao Cruz da Esperança em SP

O documentário traz depoimentos de artistas brasileiros como Péricles, Leci Brandão e Jorge Aragão, que contribuem ativamente na perservação do legado do samba, assim como o sócio de Thiaguinho no projeto Tardezinha, Rafael Zulu. 

Do lado angolano, artistas locais mostram como o semba é o gênero que eles fazem questão de preservar, por refletir uma resistência que espelha a luta pelo samba em terras brasileiras.

A herança do semba que atravessa o Atlântico

A conexão de Thiaguinho com o solo angolano não é de hoje. Desde 2013, o cantor mantém uma relação de troca com o país, revelando que a experiência atual foi um processo de espelhamento.

“Desde a primeira vez que eu pisei lá pra cantar, eu entendi que não estava lá só para cantar, que eu estava lá para me reconhecer também e para aprender mais sobre a história dos meus”, revela.

A imersão no país africano reflete diretamente no trabalho recente de Thiaguinho. Se no álbum “Sorte”, lançado em 2024, as batidas do Afrobeat já se faziam presentes, em “Bem Black” (2026), a influência africana é o alicerce do projeto que celebra a música preta brasileira.

Leia mais: Thiaguinho une sonho e ancestralidade no projeto ‘Bem Black’

Durante a entrevista, o cantor ainda mencionou o desejo de estreitar ainda mais esses laços, citando nomes como os artistas angolanos Matias Damásio e Preto Show como futuros parceiros de microfone.

“Além de ser aprendizado, é também uma celebração de Brasil e Angola, que são países irmãos, em todos os sentidos, culturalmente falando, e pra mim foi muito importante, então é um documentário que eu espero que as pessoas possam curtir, mas principalmente possam aprender bastante sobre o nosso semba e sobre o nosso samba”, conclui Thiaguinho.

O documentário “Raízes” está disponível gratuitamente no canal do Thiaguinho no YouTube. 

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.