
Em entrevista exclusiva ao TI Inside, Carlos Eduardo Mazzei, CTO Do Itaú Unibanco, compartilha as iniciativas de inovação e segurança tecnológica do banco, os impactos das melhorias na escalabilidade e da conexão com o cliente e a relação da tecnologia com o setor financeiro.
O executivo destaca, em sua fala, o Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú (ICTI) como um mecanismo crítico para desenvolver e conectar o ecossistema de inovação no setor financeiro. “Um dos grandes objetivos dele é fomentar a ciência no ecossistema brasileiro e conectá-lo. A gente entende que ele, de fato, habilita novas capacidades e depois muitas delas podem evoluir para melhorar produtos que vão tocar clientes”, explica.
Mazzei aponta que, devido ao ICTI, o Itaú apresentou uma melhora exponencial de eficiência, que tornou viável fornecer uma consultoria personalizada e individualizada para cada cliente com base nas suas atividades e finanças. “Graças a ele [ao ICTI], processos de otimização de portfólio que levavam horas agora são realizados em cerca de dois segundos. Então, hoje a gente consegue fazer uma otimização de portfólio, pessoa a pessoa, de investimento, com dados de produtos que ela tem ou deveria ter”, afirma.
Contudo, o CTO afirma que essa evolução não é possível sem a intervenção humana. “A GenAI, por si só, não é capaz de fazer essa otimização. Ela tem várias características dela que não a torna apropriada para isso. Então como a gente compõe? Um dos exemplos é o Pix WhatsApp. Toda a parte de guardrails que a gente fez, né, para garantir que as respostas estejam adequadas aos nossos valores, aos nossos princípios.” Mazzei acrescenta que o produto de segurança é público e disponível para outras empresas.
Segundo o executivo, o modelo do Itaú possui um diferencial do restante do mercado. “É um equilíbrio legal entre como a gente vê valor na tecnologia. A gente vê que ela é capaz de simplificar a vida financeira do cliente, de tornar os produtos mais acessíveis, mas como a gente faz isso de uma forma segura, desenvolvendo as capacidades necessárias”, afirma. “É bem diferente de pegar um modelo simplesmente que está disponível no mercado e usar e pegar o nosso. O nosso vai ter os guard-reios, vão ter os dados proprietários do banco, que a gente tem garantia de que eles estão corretos, certificados, estão sendo usados de maneira adequada.”
Outro ponto destacado por Mazzei é como o cenário altamente competitivo brasileiro impulsiona o mercado e o Itaú a buscarem soluções cada vez mais efetivas, no que chama de “ciclo virtuoso”. “A concorrência no Brasil sempre nos provoca, acho que isso é muito bom. A gente tem um ambiente competitivo saudável e que gera bons resultados para o cliente como um todo. E cria ativos específicos que a gente pode usar de maneira estratégica e ofereça serviços ainda melhores, mais personalizados, mais adequados para a realidade do cliente”, explica.
Para o futuro, o CTO ressalta o potencial da computação quântica para áreas como avaliação de risco, precificação e otimização, principalmente, devido a alta capacidade de processamento. “Há uma série de algoritmos que no final a computação quântica nos habilita e permite com que seja embutido nesses serviços específicos. Se a gente é capaz de calcular risco de uma maneira mais rápida, a gente é capaz de calcular preço de uma maneira mais rápida e a exposição do cliente ao risco diminui”, afirma. “Como é um negócio que ainda não está em ampla escala comercialmente viável, ainda é difícil de ver a implementação por si só, mas o potencial existe.”
Mazzei acrescenta que será cada vez mais necessário se manter atualizado e conectado ao cliente. “O futuro está entre a gente entender a necessidade do cliente e a solução que está disponível na mão dele para usar. Esses ciclos vão importar ao longo do tempo. Então, isso acho que em alguns aspectos vai ser algo natural e que vai fazer com que a nossa exigência em termos de qualidade de serviço, qualidade do produto, vai aumentar muito rápido, o que é bom, e que vai também levar engajamento, vai fazer com que a gente melhore o ecossistema como um todo”, conclui.
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