África Archives - Portuguese.HCNTimes.com https://portuguese.hcntimes.com/ct/africa/ Atualizações diárias de notícias portuguesas Tue, 23 Jun 2026 08:48:00 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://portuguese.hcntimes.com/wp-content/uploads/2022/03/cropped-hcntimes_favicon1-32x32.png África Archives - Portuguese.HCNTimes.com https://portuguese.hcntimes.com/ct/africa/ 32 32 Angola defende criação de emprego como caminho para a paz sustentável na ONU – Mercado https://portuguese.hcntimes.com/angola-defende-criacao-de-emprego-como-caminho-para-a-paz-sustentavel-na-onu-mercado/ https://portuguese.hcntimes.com/angola-defende-criacao-de-emprego-como-caminho-para-a-paz-sustentavel-na-onu-mercado/#respond Tue, 23 Jun 2026 08:48:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/angola-defende-criacao-de-emprego-como-caminho-para-a-paz-sustentavel-na-onu-mercado/ Angola defende criação de emprego como caminho para a paz sustentável na ONU – Mercado

Angola defendeu esta segunda-feira, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, que a criação de emprego é um instrumento fundamental para consolidar a paz — e não apenas uma prioridade económica. “O trabalho digno promove a inclusão, a dignidade e as oportunidades, especialmente para os jovens, permitindo-lhes contribuir ativamente para as suas comunidades”, afirmou […]

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Angola defende criação de emprego como caminho para a paz sustentável na ONU – Mercado

Angola defendeu esta segunda-feira, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, que a criação de emprego é um instrumento fundamental para consolidar a paz — e não apenas uma prioridade económica.

“O trabalho digno promove a inclusão, a dignidade e as oportunidades, especialmente para os jovens, permitindo-lhes contribuir ativamente para as suas comunidades”, afirmou o embaixador Francisco José da Cruz, representante permanente de Angola junto da ONU, numa reunião conjunta do Conselho Económico e Social (ECOSOC) e da Comissão para a Consolidação da Paz.

Cruz falou a partir da experiência concreta do país: Angola emergiu em 2002 de quase três décadas de guerra civil e, desde então, tem apostado na juventude como elemento central de uma sociedade estável. O diplomata citou o Programa Kwenda — de proteção social e inclusão económica das famílias mais vulneráveis — como exemplo da ligação entre apoio social e desenvolvimento, e destacou o Corredor do Lobito como motor de emprego e integração regional.

Na sua intervenção, Angola defendeu que as estratégias de emprego em contextos pós-conflito devem centrar-se no investimento em competências, no empreendedorismo e no apoio às pequenas e médias empresas, com especial atenção ao empoderamento de mulheres e jovens. “Alargar o acesso ao trabalho digno e às oportunidades económicas é fundamental para construir sociedades mais inclusivas, coesas e resilientes”, sublinhou o embaixador junto das Nações Unidas.

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Moçambique reforça transferências imediatas com cada vez menos cheques https://portuguese.hcntimes.com/mocambique-reforca-transferencias-imediatas-com-cada-vez-menos-cheques/ https://portuguese.hcntimes.com/mocambique-reforca-transferencias-imediatas-com-cada-vez-menos-cheques/#respond Tue, 23 Jun 2026 06:19:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/mocambique-reforca-transferencias-imediatas-com-cada-vez-menos-cheques/ Moçambique reforça transferências imediatas com cada vez menos cheques

“A contínua modernização dos sistemas de liquidação influenciou a utilização dos instrumentos tradicionais de pagamentos interbancários”, destaca o relatório do Banco de Moçambique, explicando que de 2024 para 2025 a emissão de cheques recuou praticamente 25%. Em 2023, o sistema bancário moçambicano tinha processado 949.000 cheques. No ano passado, esses cheques corresponderam a um movimento […]

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Moçambique reforça transferências imediatas com cada vez menos cheques

“A contínua modernização dos sistemas de liquidação influenciou a utilização dos instrumentos tradicionais de pagamentos interbancários”, destaca o relatório do Banco de Moçambique, explicando que de 2024 para 2025 a emissão de cheques recuou praticamente 25%.

Em 2023, o sistema bancário moçambicano tinha processado 949.000 cheques.

No ano passado, esses cheques corresponderam a um movimento de 243 mil milhões de meticais (3.281 milhões de euros), contra 282 mil milhões de meticais (3.807 milhões de euros) em 2024, segundo os mesmos dados.

Por sua vez, a incidência de cheques sem provisão registou igualmente uma redução em 2025, de 7,55%, passando de 3.110 clientes para 2.880, observando igualmente uma redução do número de clientes inscritos na ‘lista negra’ (-12,67%) e na ‘lista primária’ (-3,55%), em comparação com 2024.

“Esta evolução é consistente com a redução do uso do cheque no sistema de pagamentos”, justifica o banco central.

Além dos cheques, as também tradicionais Transferências Eletrónicas Interbancárias (TEI) acompanharam a queda nos cheques e recuaram 13,2% em 2025, para 2,477 milhões de operações, no valor de 433 mil milhões de meticais (5.848 milhões de euros).

“A redução das TEI reflete a consolidação das plataformas de liquidação em tempo real, especialmente do RTGS [sistema de pagamentos em grosso em tempo real], bem como o reforço da interoperabilidade através da SIMOrede. Estes avanços têm favorecido, entre outros, a migração para transferências imediatas, reduzindo progressivamente a utilização de instrumentos tradicionais de pagamento”, lê-se no documento do Banco de Moçambique.

Já este ano, entrou em vigor o novo Sistema de Pagamentos Instantâneos moçambicano, denominado Metix, lançado em março e que vai acabar com as taxas cobradas pelos bancos nas transferências entre particulares, que passam a ser feitas em segundos, anunciou então o governador do banco central.

“Apesar dos notáveis progressos registados, persistiam ainda alguns desafios no nosso Sistema Nacional de Pagamentos, particularmente no que respeita à eficiência das transações interbancárias de retalho, nomeadamente em termos de celeridade, comodidade e custos”, disse Rogério Zandamela, em Maputo, no lançamento da plataforma, após dois anos de desenvolvimento.

Com o Metix “os fundos serão disponibilizados de forma imediata, ou seja, em poucos segundos”, as transferências entre bancos, realizadas por particulares, através desta plataforma, “serão isentas de custos”, o qual estará “disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano”.

“Por último: trata-se de um sistema cómodo e de fácil acesso, que poderá ser utilizado através do website, aplicações móveis ou por via de canais USSD dos bancos. O canal USSD garante o acesso ao sistema através de qualquer tipo de telemóvel, sem necessidade de ligação à internet ou de dados móveis, permitindo assim a sua utilização por qualquer cidadão”, acrescentou.

A nova ferramenta insere-se “no amplo projeto de modernização do Sistema Nacional de Pagamentos, que tem vindo a privilegiar a digitalização, a eficiência e a segurança das transações financeiras em Moçambique” desde 2023, como, entre outras, a “interoperabilidade” completa entre as IME e entre estas e os bancos, “promovendo maior integração no sistema financeiro”.

O sistema é “operado e gerido” pela Sociedade Interbancária de Moçambique (SIMO) e prevê que as instituições financeiras podem limitar os montantes máximos diários para transferências imediatas a 200 mil meticais (2.670 euros) para pessoas singulares e 500 mil meticais (6.680 euros) para pessoas coletivas.

Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.

Leia Também: Portugal vai recrutar este ano quase 160 trabalhadores em Moçambique

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MCA assina financiamento de 246,3 milhões de dólares para reabilitação da estrada Mavinga-Rivungo em Angola https://portuguese.hcntimes.com/mca-assina-financiamento-de-2463-milhoes-de-dolares-para-reabilitacao-da-estrada-mavinga-rivungo-em-angola/ https://portuguese.hcntimes.com/mca-assina-financiamento-de-2463-milhoes-de-dolares-para-reabilitacao-da-estrada-mavinga-rivungo-em-angola/#respond Tue, 23 Jun 2026 01:00:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/mca-assina-financiamento-de-2463-milhoes-de-dolares-para-reabilitacao-da-estrada-mavinga-rivungo-em-angola/ MCA assina financiamento de 246,3 milhões de dólares para reabilitação da estrada Mavinga-Rivungo em Angola

O acordo foi celebrado entre a Atradius Dutch State Business e o Ministério das Finanças de Angola. A MCA atuará como empreiteiro EPC (Engineering, Procurement and Construction), reforçando assim a sua posição como uma das principais empresas europeias de engenharia e infraestruturas com forte presença em África. A MCA Group vai reabilitar os 212 km […]

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MCA assina financiamento de 246,3 milhões de dólares para reabilitação da estrada Mavinga-Rivungo em Angola

O acordo foi celebrado entre a Atradius Dutch State Business e o Ministério das Finanças de Angola. A MCA atuará como empreiteiro EPC (Engineering, Procurement and Construction), reforçando assim a sua posição como uma das principais empresas europeias de engenharia e infraestruturas com forte presença em África.

A MCA Group vai reabilitar os 212 km da estrada nacional que liga Mavinga a Rivungo, em Angola. O projeto é financiado por uma linha de crédito de 246,3 milhões de dólares americanos (cerca de 215,49 milhões de euros), garantida pela Atradius Dutch State Business e assinada durante a TXF Global 2026, que decorreu em Praga.

O acordo foi celebrado entre a Atradius Dutch State Business e o Ministério das Finanças de Angola. A MCA atuará como empreiteiro EPC (Engineering, Procurement and Construction), reforçando assim a sua posição como uma das principais empresas europeias de engenharia e infraestruturas com forte presença em África.

A notícia foi avançada na página do Linkedin da MCA.

Segundo a construtora, a infraestrutura vai melhorar significativamente a conectividade de regiões remotas do sudeste angolano, facilitando o acesso das comunidades rurais a mercados, serviços de saúde e educação. Além do impacto económico esperado, o projeto promove a integração regional e contribui para um desenvolvimento mais sustentável.

A MCA esteve representada na assinatura por Paulo Oliveira, CFO, Carlo Amado, COO Energies, e Rodrigo Costeira, Structured Finance Advisor.

O financiamento envolve uma estreita colaboração entre Angola, Países Baixos e Portugal. O ING atuou como Sole Coordinator da operação, liderando a estruturação, syndicação e coordenação com a Atradius. Participam ainda o Standard Bank Group e o DZ Bank AG. Esta é a terceira operação do género em Angola entre MCA, ING e agências de crédito à exportação europeias, depois das facilidades EKN (2020) e Euler Hermes (2022).  É o maior seguro de crédito à exportação concedido pela Atradius Dutch State Business nos últimos quatro anos.

Manuel Couto Alves, Chairman & CEO da MCA Group, diz que “este projeto reflete o compromisso do MCA Group em entregar infraestruturas que criam valor a longo prazo para as comunidades e economias. É uma honra apoiar o desenvolvimento de Angola através da reabilitação deste corredor estratégico e voltar a trabalhar com o ING e a Atradius DSB em projetos transformadores”.

Bert Bruning, Director da Atradius Dutch State Business, considera que “esta estrada é um exemplo da vontade e compromisso de Angola em melhorar as suas infraestruturas. Estamos satisfeitos por poder contribuir com a cobertura de seguro de crédito ao consórcio liderado pelo ING, viabilizando o financiamento desta importante reabilitação”.

Com esta nova obra, a MCA diz que reforça o seu papel ativo no desenvolvimento de infraestruturas de transporte em Angola, continuando a construir ligações que aproximam comunidades e abrem caminho para o progresso económico e social.

MCA inaugura no Corredor do Lobito o maior parque off-grid do continente africano


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Seleção de basquetebol já está na Letónia https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-basquetebol-ja-esta-na-letonia/ https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-basquetebol-ja-esta-na-letonia/#respond Tue, 23 Jun 2026 00:06:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-basquetebol-ja-esta-na-letonia/ Seleção de basquetebol já está na Letónia

Depois de cumprir um estágio em Portugal e de realizar jogos de controlo em Girona, Espanha, a equipa orientada pelo selecionador Josep Clarós encontra-se agora em Riga, Letónia, onde ultimará os detalhes antes da competição que terá lugar entre 2 e 5 de Julho, no Pavilhão Arena do Kilamba, em Luanda. O secretismo marcou a […]

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Seleção de basquetebol já está na Letónia

Depois de cumprir um estágio em Portugal e de realizar jogos de controlo em Girona, Espanha, a equipa orientada pelo selecionador Josep Clarós encontra-se agora em Riga, Letónia, onde ultimará os detalhes antes da competição que terá lugar entre 2 e 5 de Julho, no Pavilhão Arena do Kilamba, em Luanda.

O secretismo marcou a passagem da selecção por solo espanhol. Os encontros disputados diante do Misto da Catalunha decorreram à porta fechada e os respectivos resultados não foram divulgados, por decisão da equipa técnica. Segundo Pep Clarós, a medida visa impedir que os futuros adversários tenham acesso a informações estratégicas sobre o funcionamento do conjunto angolano numa fase considerada crucial da campanha de apuramento para a Copa do Mundo.

Apesar da confiança no potencial da equipa, o técnico espanhol admite que persistem desafios, sobretudo no plano defensivo. Em Riga, trabalha actualmente com 13 atletas, aguardando ainda a integração de Bruno Fernando e Kevin Kokila. Antes do regresso ao país, previsto para o dia 27, Angola enfrentará a Ucrânia e a Geórgia em jogos de preparação. Enquanto isso, mantém-se a expectativa em torno da recuperação de Jilson Bango, uma das figuras do Afrobasket conquistado pelos angolanos, que continua a recuperar de uma lesão no joelho esquerdo.

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Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde https://portuguese.hcntimes.com/rede-paloptl-abre-candidaturas-para-filmlab-em-cabo-verde/ https://portuguese.hcntimes.com/rede-paloptl-abre-candidaturas-para-filmlab-em-cabo-verde/#respond Mon, 22 Jun 2026 20:35:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/rede-paloptl-abre-candidaturas-para-filmlab-em-cabo-verde/ Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde

“O nosso objetivo é preparar jovens cineastas cabo-verdianos e da região dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste para terem ferramentas para elaborar planos financeiros e de distribuição, apresentar ideias de filmes e aceder a técnicas de produção sustentáveis e inclusivas”, afirmou a cineasta Samira Vera-Cruz, no lançamento das candidaturas. […]

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Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde


“O nosso objetivo é preparar jovens cineastas cabo-verdianos e da região dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste para terem ferramentas para elaborar planos financeiros e de distribuição, apresentar ideias de filmes e aceder a técnicas de produção sustentáveis e inclusivas”, afirmou a cineasta Samira Vera-Cruz, no lançamento das candidaturas.


O FilmLab Cabo Verde decorrerá presencialmente entre 06 e 16 de outubro, com sessões de acompanhamento `online` após a residência, e vai selecionar até seis candidaturas, segundo o regulamento do programa.


As candidaturas estão abertas até 22 de julho a realizadores dos PALOP e de Timor-Leste, preferencialmente entre os 18 e os 35 anos, podendo ser admitidos candidatos fora desta faixa etária em função da qualidade dos projetos.


São elegíveis projetos de curta-metragem de ficção, não ficção ou híbridos, com duração prevista entre 10 e 30 minutos e em qualquer fase de desenvolvimento, pré-produção, produção, pós-produção ou distribuição.


O regulamento indica que serão valorizadas propostas sobre direitos fundamentais, sustentabilidade ambiental e questões sociais relevantes, bem como candidaturas de mulheres e pessoas não binárias.


“Acreditamos que a formação de novos talentos é essencial para a evolução do cinema e audiovisual. Assim surgem os `labs` de cinema, que vão começar em Moçambique, em agosto, em parceria com o Kugoma, e em outubro, em Cabo Verde, com o Festival Internacional de Cinema Africano Kafuka”, afirmou Samira Vera-Cruz.


Segundo a cineasta, “há muitos projetos interessantes que acabam por ficar na gaveta por falta de orientação sobre onde os submeter”.


“Há a ideia de que o financiamento vem de uma única entidade, quando existem várias formas de o procurar, públicas e privadas. A nossa ideia é desconstruir o plano financeiro e perceber onde ir buscar o dinheiro”, acrescentou.


Sobre a distribuição, Samira Vera-Cruz defendeu que muitos projetos não chegam ao público por falta de estratégia.


“Será que é para televisão, cinema, festivais, plataformas ou redes sociais? São decisões que devem ser tomadas desde o início do projeto”, referiu.


A produtora da rede Emilia Wojciechowska destacou a intenção de reforçar a participação feminina.


“Queremos incentivar mulheres a participarem. Vamos aceitar todos os géneros, mas queremos, pelo menos, um equilíbrio de 50%”, afirmou.


A organização assegura alojamento, almoço e um subsídio diário de 15 euros durante a residência, ficando as despesas de deslocação para a Praia a cargo dos participantes.


A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL é uma iniciativa da Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique, em parceria com entidades de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, e conta com financiamento da Cooperação Portuguesa, através do Programa Cultura e Empreendedorismo com Responsabilidade e Inclusão Social (PROCERIS).

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Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 1 https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-nao-cabe-nas-ilhas-parte-1/ https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-nao-cabe-nas-ilhas-parte-1/#respond Mon, 22 Jun 2026 20:07:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-nao-cabe-nas-ilhas-parte-1/ Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 1

Língua, identidade, democracia e futuro num arquipélago que continua a inventar-se Vi o jogo dos Tubarões Azuis contra a La Roja no Mundial num café na Amadora. Nas paredes, entre cachecóis do Benfica e fotografias antigas amareladas, a bandeira cabo-verdiana cobria metade de um espelho. Quando Cabo Verde falhava uma oportunidade no jogo, o pessoal levantava-se […]

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Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 1

Língua, identidade, democracia e futuro num arquipélago que continua a inventar-se

Vi o jogo dos Tubarões Azuis contra a La Roja no Mundial num café na Amadora. Nas paredes, entre cachecóis do Benfica e fotografias antigas amareladas, a bandeira cabo-verdiana cobria metade de um espelho. Quando Cabo Verde falhava uma oportunidade no jogo, o pessoal levantava-se frustrado, nas defesas de Vozinha, alguém invocava Deus, outro a mãe: «Ah, nha mãi!» Um mandava mensagens para França, outro gravava as reações para parentes nos Estados Unidos, um casal viera de Roterdão visitar família em Portugal… A maioria dos presentes, creio, seriam portugueses de origem cabo-verdiana que acompanham com imenso fervor este Mundial, o mais especial de todos, na estreia da sua seleção. Era muita fé naquele jogo, muita ambição acumulada e quase incredulidade por estar no Mundial. Durante noventa minutos viajei para a Praia ou para Mindelo e, no fim do jogo, a emoção não cabia no café, dando origem a manchetes como: «Goleiro cabo-verdiano Vozinha teve atuação memorável na estreia histórica de sua seleção na Copa do Mundo da FIFA, com grandes defesas diante do poderoso time espanhol.»

É possível que nenhum país se veja tão bem num jogo de futebol como Cabo Verde naquele empate a zero contra a Espanha. Um país pequeno diante de uma potência, organizado, resistente, sem grande espalhafato, a defender-se com o corpo todo («Vozinha defendeu um chuto de Ferran Torres; depois, esticou as mãos para desviar um cabeceamento perigoso de Laporte»). Cabo Verde no centro da indústria dos bilionários, o esplendor do espetáculo futebolístico.

Talvez não se trate só de futebol. É uma pequena nação africana, atlântica, crioula e diaspórica a obrigar o mundo a reparar nela, a chamar a atenção sobre si. O professor moçambicano Elísio Macamo referiu, no podcast Na Terra dos Cacos, o «doping sistémico», a propósito das dificuldades acrescidas das seleções africanas: desinvestimento, muitos miúdos a jogarem descalços em campos de areia, falta de apoio organizado. Apesar do esforço sobre-humano – ou por isso mesmo – há mais força de vontade, e Macamo coloca até a hipótese de Cabo Verde ganhar o Mundial de Futebol: «E se, depois de Marrocos ter chegado às meias-finais no Qatar, em 2022, coubesse aos estreantes “Tubarões” ser a primeira seleção africana a chegar a uma final do Mundial?» Seria um sonho para toda a África! Sobretudo depois das desprezíveis declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão da Copa do Mundo da FIFA e a classificação de alguns jogos como “desinteressantes” às quais várias federações de futebol africanas e internacionais manifestaram publicamente a sua profunda decepção.

Voltando ao jogo Cabo Verde/Espanha de 15 de junho. Os insultos ao árbitro, as gargalhadas, os comentários técnicos, a ansiedade e a celebração decorriam sobretudo em crioulo cabo-verdiano. Dava para distinguir palavras em badiu, a cadência do sanpadjudu e o crioulo de Lisboa, que mistura expressões de cá e de lá. Então, a beleza e a euforia do momento residiam igualmente na língua que toda a gente fala em Cabo Verde e na diáspora cabo-verdiana: a língua das mães, dos mercados, dos táxis, da música, dos amores, dos ralhetes, das discussões entre casais, do convívio entre amigos; no fundo, a língua em que a vida acontece. No entanto, esta língua caboverdiana continua a disputar o seu lugar pleno no Estado, na escola, na justiça e na escrita oficial. Cabo Verde vive em crioulo mas administra-se em português, uma ideia repetida há décadas sob diferentes modos, que resume uma das várias contradições do país.

(Quanto ao debate em curso sobre a língua cabo-verdiana, pode consultar-se no BUALA mais de duas dezenas de artigos aprofundados que o acompanham.)

Cabo Verde sempre foi um país interessante para pensar o mundo. Já o maravilhoso poeta João Vário (Mindelo, 1937-2007) olhou para o horizonte a partir do Porto Grande e percebeu que aquelas ilhas não eram um ponto isolado de sofrimento e desgraça – que nem vem nos mapas – mas sim o centro de um diálogo universal, marcado pela densidade intelectual e pelo cosmopolitismo. Enquanto a literatura da sua época cantava a dor da seca, da fome e da partida, ele queria arrancar de Cabo Verde o papel de vítima.

Frequentemente apresentado como sucesso democrático africano, com os Tubarões Azuis, Cabo Verde ficará ainda mais na moda, aumentando o turismo de resort no Sal e na Boa Vista – o que levanta problemas de sustentabilidade – ou até atraindo quem queira conhecer a fundo a sofrida e maravilhosa história das ilhas. Visto de fora, o arquipélago continua a desafiar muitos determinismos sobre África. Livre da maldição dos recursos, não lhe couberam nem petróleo, nem diamantes, nem rios caudalosos, nem grandes riquezas minerais. Assim investiu na educação, construiu uma democracia estável, alternância partidária, instituições relativamente sólidas, uma administração pública funcional e reconhecimento internacional. Num continente tantas vezes reduzido, por preguiça ou racismo, a imagens de guerra, fome ou corrupção, Cabo Verde tornou-se uma espécie de exceção atlântica, o país bem-comportado a progredir à sua escala, aliás, capaz de projetar uma influência simbólica muito superior à sua pequena dimensão territorial.

Cabo Verde insiste em nunca parar de discutir o que é Cabo Verde, e essa discussão atravessa a língua, a escola, a relação com África, a memória da escravatura, a diáspora, o turismo, a cultura e até o futebol. Quando lá vivi, observei quão recorrente era a conversa sobre identidade entre artistas, intelectuais e políticos. Parecia estarem sempre a perguntar: «Quem somos? Atlânticos, crioulos, africanos, macaronésicos, europeus?»

Um grande mérito do país – os meus amigos cabo-verdianos que desmintam se não concordarem – é essa capacidade de discutir os seus próprios problemas sem, até agora, destruir a democracia. Num tempo de polarizações violentas, tentações autoritárias e regressos nacionalistas, Cabo Verde vai mudando de governos através do voto e a produzir consensos mínimos sobre o essencial. A democracia está muito longe de ser perfeita, a verdade é que nenhuma o é, passe o cliché. Mas tem sabido preservar um pacto cívico raro. A eleição de mulheres para lugares centrais da vida política, incluindo a recente presidente da Assembleia Nacional, Janira Hopffer Almada, confirma uma maturidade que muitos países maiores gostam de proclamar, mas nem sempre praticam.

Porém, esta narrativa da excecionalidade, do bom aluno de África, corre o risco de esconder contradições e problemas bem agudos. O bem-estar continua muito mal distribuído. Há hierárquicas entre ilhas de primeira e ilhas de espera. A mobilidade interilhas é difícil, tal como a coesão nacional num país que depende de aviões e barcos para se ir de uma ilha a outra. Os acessos são necessariamente desiguais: consultas, escolas, trabalho, produtos, visitas, oportunidades – muito concentradas na capital, Praia, e nas ilhas turísticas. A crise da habitação pesa para todos, mas é sobretudo para os mais jovens. A violência urbana preocupa pais, famílias e bairros inteiros. Uma grave crise de droga anda a afetar principalmente os mais pobres (crack para o gueto, ecstasy, cocaína e afins para a classe média e ricos), e o país continua a ser usado como plataforma giratória do tráfico. O turismo sexual aumenta por todo o lado, mas especialmente no Sal, onde ainda agora foi desmantelada uma rede de pedofilia envolvendo estrangeiros, alguns residentes e crioulos. 

O governo do PAICV, com Francisco Carvalho, acabadinho de ser eleito, abre novo ciclo de expectativas perante esses desafios difíceis: habitação, transportes, desemprego jovem, desigualdades, segurança, confiança pública, transparência e cultura. A alternância foi recebida por muitos como a possibilidade de devolver escala humana à política, expressão talvez ingénua, mas a política precisa dessa ingenuidade para não se transformar apenas em gestão, contratos e nada mais que cinismo. Amílcar Cabral dizia que “o povo não luta por ideias, nem pelas coisas que estão na cabeça dos homens. O povo luta para conquistar benefícios materiais, para viver melhor e em paz, para ver a sua vida avançar e garantir o futuro dos seus filhos.” Com Cabral, acreditamos que a política não existe para alimentar partidos, carreiras, vaidades e pequenas burocracias do poder, ou pequenos poderes autossatisfeitos. A ideia é que as pessoas vivam melhor e que a democracia sirva para melhorar a vida das pessoas.

É nisso que qualquer governo deve ser medido: na vida concreta, na casa onde se dorme, nos salários, na qualidade das escolas, dos hospitais e dos transportes. Na possibilidade de caminhar nas ruas sem medo. Na liberdade de as mulheres ambicionarem ser o que quiserem, sem ficarem condenadas apenas ao papel de cuidadoras e de mães solteiras (padrão consecutivamente repetido entre caboverdianos).

fotografia de Marta Lança, Santo Antão, 2004

Cabo Verde celebrou os cinquenta anos de independência com a pergunta que já se desenhava quando lá estive nas comemorações dos trinta anos: o que fazer com o sucesso democrático? É que a estabilidade é boa mas não basta. Conquistado um lugar de respeito internacional, as interrogações sejam internas. A quem chega o crescimento e a prosperidade? Se há salários de trabalhadores hoteleiros que equivalem ao preço de uma noite nesse mesmo hotel, a quem beneficia o turismo, a única indústria no país? A cultura tem sido tratada como ornamento ou existe um pensamento estratégico sobre cultura? A língua materna continuará a ser tolerada como «língua dos afetos» e secundarizada institucionalmente? A juventude terá razões para ficar nas ilhas ou continuará a seguir na vapor di imigrason? A diáspora conta apenas como fonte de remessas e fábrica de saudades ou será chamada a participar na reinvenção do país?

Poucos países foram tão obrigados a inventar-se como Cabo Verde.

Se formos à história: as ilhas estavam desabitadas – seriam mesmo? anda-se a investigar – quando os portugueses e outros europeus ali chegaram no século XV. Não existia um reino conquistado, uma população autóctone ou uma língua dominante anterior à colonização. A sociedade cabo-verdiana nasceu no coração brutal do mundo atlântico: escravização de africanos, comércio colonial, circulação de mercadorias, corpos e línguas entre continentes. Antes de ser país, muito menos Estado, era um ponto de rotas, um porto de partidas e chegadas. Antes de se fundar como povo ou comunidade, começou por ser um encontro profundamente desigual entre colonizadores europeus e populações africanas arrancadas aos seus territórios, obrigadas a esquecer línguas, hábitos e modos de vida. O arquipélago foi entreposto de escravizados, laboratório de vidas, escala de navios. Esta origem singular e mórbida continua a marcar o país.

Depois, Cabo Verde ocupou uma posição ambígua no império português como uma colónia diferente. Durante o colonialismo, muitos cabo-verdianos foram incorporados na administração portuguesa e enviados para outras colónias, sobretudo para a Guiné Bissau e Angola. Ao mesmo tempo, milhares de ilhéus foram empurrados para a duríssima exploração (sob escravatura e, mais tarde, «contrato») nas roças de São Tomé. Essa migração para sul foi particularmente violenta. A proximidade relativa de certas elites ao poder colonial também coexistiu com fome, abandono, desigualdade e violência. Outra diferença é que Cabo Verde não viveu uma guerra de libertação no seu território, como Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau, embora vários cabo-verdianos se tenham juntado ao PAIGC ao lado de Amílcar Cabral, contribuindo decisivamente para a luta pela independência.

A ideia de excecionalidade cabo-verdiana continua a ser bastante interessante, mas também baralhou muitas mentes ainda por descolonizar. Durante muito tempo, o arquipélago foi apresentado como uma ponte entre continentes, uma sociedade mestiça, harmoniosa, mais próxima de Portugal do que de África. O luso-tropicalismo encontrou em Cabo Verde um dos seus laboratórios preferidos, depois do Brasil: a suposta prova de que o colonialismo português teria sido integrador, doce, miscigenador, quase familiar. Um mito conveniente para Portugal e pesado para Cabo Verde. 

Embora a visita de Gilberto Freyre ao arquipélago e as suas conclusões precipitadas tenham provocado uma profunda desilusão na intelectualidade cabo-verdiana, muitos esperavam precisamente o aval científico do «mestre», sobretudo os Claridosos. Sobre isso, veja-se o que escreveu Baltasar Lopes nos apontamentos emitidos pela Rádio Barlavento após a visita de Gilberto Freyre, posteriormente publicados sob o título “Cabo Verde visto por Gilberto Freyre” (1956). 

A história dá-nos, de facto, algumas pistas para perceber que a mestiçagem não aconteceu num campo neutro de afetos livres. Nasceu atravessada pela escravatura, pela hierarquia racial, pela violência sexual, pelo poder económico e pela dominação colonial. A ideia de harmonia racial serviu para esconder conflitos, silenciar a negritude e afastar Cabo Verde do continente africano. Foi-se consolidando a imagem do cabo-verdiano como um «preto especial»: africano suavizado, mais civilizado, mais atlântico, mais próximo da Europa. A pergunta «Cabo Verde é África?» Que é absurda e reveladora ao mesmo tempo. Absurda porque, geográfica, histórica e politicamente, Cabo Verde é África. Reveladora porque a dúvida não nasce do mapa, mas da colonização do imaginário. De séculos de associação entre África e atraso, selvajaria, pobreza, desordem ou brutalidade. Vem do desejo de escapar à categoria racializada onde o mundo colonial colocou os africanos e da necessidade de algumas elites se distinguirem dos «irmãos da costa», dos «africanos», porque «os crioulos são diferentes». Não é África o problema, mas aquilo que muitos cabo-verdianos foram ensinados a pensar sobre África. 

 oucas heranças coloniais são tão eficazes como aquelas que os próprios colonizados acabam por repetir para se protegerem da violência do mundo. A ambiguidade da cabo-verdianidade nunca foi propriamente um privilégio; é aliás uma grande armadilha. E

Nos últimos anos, artistas, investigadores, jornalistas e ativistas têm regressado a esta ferida mal resolvida de forma corajosa, sobretudo entre as novas gerações.

Não se pode construir autoestima nacional apenas com a chegada dos europeus. África tinha impérios, línguas, cidades, sistemas políticos, comércio, cosmologias, pensamento, arte, espiritualidade e conflitos muito antes da expansão europeia. Se a história cabo-verdiana começa apenas na escravatura, então começa num gesto de amputação. E nenhum povo se liberta plenamente se aceita que a sua memória começa no momento em que foi violentado.

Nas ilhas cabo-verdianas, povoadas desde 1460 por europeus e povos da África Ocidental, é difícil averiguar muita coisa sobre as origens. «O cabo-verdiano vai até ao século XV e cai no mar. Nós não sabemos quem são, de onde vieram ou a etnia dos nossos tetravós», diz Mário Lúcio Sousa, em entrevista à RFI. O processo histórico das ilhas afro-atlânticas diferencia-se de outros países colonizados por ocupação e esmagamento de populações locais, mas a própria crioulidade contém esse corte das «raízes ancestrais». Ora, se não dá para ir muito atrás, é preciso construir a partir do futuro.

O crioulo cabo-verdiano diz muito sobre essa reinvenção e futuro. É uma das grandes criações históricas do arquipélago. Uma língua nascida da violência colonial, sim, mas também da invenção popular, da necessidade de sobrevivência, da inteligência quotidiana, da mistura e da resistência. Pessoas impedidas de conservar nomes, parentescos, idiomas e memórias inteiras criaram outra forma de se entender. O crioulo é, assim, simultaneamente ferida e cura, onde uma história traumática se transformou em possibilidade de comunidade – e comunicação.

Por isso, o debate sobre a sua oficialização é tão instigante. À primeira vista, parece uma discussão técnica: ortografia, variantes, gramática, ALUPEC, legislação ou ensino bilingue. Mas é atravessado por questões profundamente políticas: que língua tem o direito de representar o Estado? A língua em que o povo vive ou a língua herdada da administração colonial? E como fazer justiça à língua materna sem empobrecer a pluralidade interna do próprio crioulo cabo-verdiano?

O português é a língua oficial de Cabo Verde, língua franca extremamente importante. Seria absurdo negar o seu valor como instrumento de comunicação internacional, acesso académico, circulação literária, relações diplomáticas e ligação a outros países. Claro que o português deve continuar a ocupar um lugar central no arquipélago; um maior isolamento seria um erro crasso. O problema está em a língua caboverdiana continuar a ser tratada como se fosse apenas doméstico, afetivo e informal, enquanto o português é associado ao prestígio, à escola, ao Estado, às leis, ao jornalismo, às instituições académicas e à literatura. Esta hierarquia produz efeitos, produz insegurança linguística e desigualdade escolar. Produz também a sensação de que a língua de casa não cabe no mundo, mas naquele café da Amadora couve muito bem.

O debate, porém, está longe de ser simples. Há defensores da oficialização plena do crioulo, entre eles o Presidente José Maria Neves, que a associam aos cinquenta anos da independência e à necessidade de completar a soberania cultural. Há linguistas como Manuel Veiga, figura central neste processo, que há muito defendem a construção do bilinguismo e a valorização institucional da língua materna. Existem experiências, estudos, gramáticas, dicionários, materiais didáticos, produção literária e instrumentos de normalização suficientes para mostrar que não se trata de um capricho identitário.

Algumas resistências e hesitações são legítimas, outras nem por isso. Algumas pessoas receiam que uma norma oficial favoreça a variante de Santiago ou a de São Vicente, esmagando a riqueza das restantes ilhas. Outras temem que o ALUPEC, apesar de concebido como alfabeto unificado, seja sentido como artificial, distante das práticas espontâneas de escrita e leitura. Outras ainda receiam que a oficialização enfraqueça o domínio do português e dificulte a circulação internacional dos cabo-verdianos. Mas muitos destes receios tendem a conservar a velha ordem simbólica: o crioulo é para a emoção e o português para o poder.

A pergunta «qual crioulo cabo-verdiano?» não deve ser descartada. Cabo Verde é também arquipelágico na língua. O de Santiago não é igual ao de São Vicente, nem ao do Fogo, Santo Antão, São Nicolau, Maio, Boa Vista, Sal ou Brava. Cada ilha guarda uma música própria, um vocabulário particular, ritmos, entoações, marcas de história e de orgulho. Oficializar uma língua num arquipélago tão diverso exige delicadeza política, tal como a discussão sobre o Novo Acordo Ortográfico a exigia. A unidade não pode ser construída à custa da diversidade, mas a diversidade também não deve servir de desculpa eterna para manter a língua materna numa espécie de sala de espera constitucional.

Toda esta discussão pode igualmente ser vista como uma questão de classe. Quem domina mais o português escolar parte com vantagem. Quem cresce em casas com livros, pais escolarizados e facilidade de circulação entre códigos linguísticos aprende cedo a mover-se entre mundos. Quem chega à escola falando apenas a língua de casa pode sentir, logo no primeiro dia, que a sua inteligência foi suspensa até conseguir expressar-se na língua autorizada. O problema é pedagógico, mas também íntimo. Uma criança que aprende que a língua da mãe não serve para o conhecimento aprende igualmente algo de doloroso sobre a mãe, a casa e o lugar social de onde vem.

A professora Ana Josefa Cardoso tem desenvolvido, a partir da diáspora portuguesa, um trabalho notável sobre as questões da aprendizagem em língua materna em territórios com grande presença de pessoas de origem cabo-verdiana, como o Vale da Amoreira.

A oficialização da língua caboverdiana, se acontecer, não resolve magicamente a desigualdade, porque nenhuma lei resolve sozinha séculos de hierarquia. Mas pode deslocar o centro simbólico do país e dizer às crianças que a língua em que sonham também pode pensar. Que a língua em que as avós contam histórias também pode escrever ciência, justiça, teatro, filosofia, matemática. Pode permitir que a escola deixe de ser uma fronteira brusca entre casa e Estado. Pode completar uma parte da independência.

E sim, sou portuguesa e gosto muito de ouvir falar português em muitas partes do mundo. Mas conheço a história que está por detrás da lusofonia, como procurei explicar há alguns anos no ensaio «A lusofonia é uma bolha». Não sou purista da língua portuguesa e a criatividade do português do Brasil ou de Angola e de tantos lado tem-me mostrado a maravilha desse caldo cultural, sempre em mudança e em disputa, que a língua transporta.

 

por Marta Lança
A ler | 22 Junho 2026 | Cabo Verde, crioulo, futebol, língua caboverdiana

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Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-cabo-verde-encanta-e-ja-sonha-com-um-segundo-milagre-no-atlantico/ https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-cabo-verde-encanta-e-ja-sonha-com-um-segundo-milagre-no-atlantico/#respond Mon, 22 Jun 2026 19:30:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-cabo-verde-encanta-e-ja-sonha-com-um-segundo-milagre-no-atlantico/ Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico

O documentário “Um milagre no Atlântico”, que detalha a épica qualificação de Cabo Verde para o Mundial2026, o primeiro da história dos tubarões azuis, ainda não estreou, mas já pede uma sequela. A participação da seleção está a surpreender desportivamente e a encantar os amantes do futebol mundial, que fizeram de Vozinha, um guarda-redes de […]

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Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico

O documentário “Um milagre no Atlântico”, que detalha a épica qualificação de Cabo Verde para o Mundial2026, o primeiro da história dos tubarões azuis, ainda não estreou, mas já pede uma sequela. A participação da seleção está a surpreender desportivamente e a encantar os amantes do futebol mundial, que fizeram de Vozinha, um guarda-redes de 40 anos e sem clube depois de duas temporadas no Desp. Chaves na II Liga, a primeira grande figura a emergir do Mundial2016.

E se a viagem até aos EUA só foi garantida na última oportunidade da qualificação, logo no avião a seleção mostrou a forma de ser e estar dos caboverdianos. As imagens partilhadas pelos jogadores e pela federação nas redes sociais mostram o bom ambiente da comitiva rumo ao primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, mas assim que a bola começou a rolar, eles fizeram mais do que participar.

A seleção liderada por Bubista mostrou muita organização defensiva – estiveram seis jogos sem sofrer golos nos dez da qualificação – e capacidade ofensiva, maturidade emocional e muita capacidade física nos dois duelos de nível máximo de exigência – Espanha (0-0) e Uruguai (2-2) e com o mesmo desfecho: dois empates com sabor a vitória, que deixam Cabo Verde a sonhar com a passagem aos 16-avos-de-final.

Mas foi o lado humano dos tubarões azuis a cativarem não só os apaixonados do futebol como os adeptos mais racionais. Vozinha sobressaiu pela competência com que manteve a baliza a zero diante da Espanha, com sete intervenções históricas, duas delas sérias candidatas a melhor do Mundial e tornou-se num ícone global e digital.

Emocionado, e depois de receber o prémio de melhor em campo, Vozinha partilhou que a mãe, não tinha conseguido um visto para o ir ver jogar. O Mundo sentiu a sua dor e a Federação Caboverdiana de Futebol, a FIFA e os governos dos EUA e de Cabo Verde uniram esforços para que Ana Cândida Évora chegasse a Miami a tempo do jogo com o Uruguai. A presença dela no estádio foi mais uma motivação para Vozinha e a seleção garantirem mais um empate. Até o presidente da FIFA Gianni Infantino foi conhecer a mãe de Vozinha no final do encontro com os uruguaios.

O último jogo no Grupo H do Mundial2026 é com a Arábia Saudita e os Tubarões Azuis já avisaram que vão à procura da vitória e da passagem aos 16-avos-de-final. O que seria ainda mais histórico e digno de registo como o segundo milagre do Atlântico. Mas seja qual for o resultado, Cabo Verde já ganhou o Mundial dentro e fora de campo.

O bom ambiente dos adeptos tem sido destacado pelos meios de comunicação social de todo o Mundo presentes do Mundial2026. E, se em algumas cidades dos EUA, sobressaíram as imagens das apertadas medidas de segurança, em Boston e Miami, local dos jogos da equipa, nem os polícias resistiram à alegria e boa onda vivida na fan zone repleta de caboverdianos, uma comunidade de 500 mil habitantes na região de Miami.

isaura.almeida@dn.pt


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Vamos lá chegar pois sabemos da nossa qualidade https://portuguese.hcntimes.com/vamos-la-chegar-pois-sabemos-da-nossa-qualidade/ https://portuguese.hcntimes.com/vamos-la-chegar-pois-sabemos-da-nossa-qualidade/#respond Mon, 22 Jun 2026 19:16:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/vamos-la-chegar-pois-sabemos-da-nossa-qualidade/ Vamos lá chegar pois sabemos da nossa qualidade

Cabo Verde continua a surpreender noCampeonato do Mundo, somando um segundo empate, desta vez frente ao Uruguai, e confirmando o bom momento da seleção, quetem sido destaque pela organização, entrega e capacidade competitiva frente a adversários de topo. Depois de um resultado histórico diante da Espanha, os Tubarões Azuis voltaram a mostrar qualidade e carácter, […]

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Vamos lá chegar pois sabemos da nossa qualidade

Cabo Verde continua a surpreender noCampeonato do Mundo, somando um segundo empate, desta vez frente ao Uruguai, e confirmando o bom momento da seleção, quetem sido destaque pela organização, entrega e capacidade competitiva frente a adversários de topo.

Depois de um resultado histórico diante da Espanha, os Tubarões Azuis voltaram a mostrar qualidade e carácter, num jogo intenso, marcado também por um lance polémico envolvendo fair play.

Para analisar este desempenho e as ambições da seleção cabo-verdiana na competição, a DW África ouviu o jornalista cabo-verdiano Elves Neves.

DW África: Cabo Verde somou mais um empate, desta vez frente ao Uruguai. Como foi vivida esta noite em Cabo Verde e o que revelou este resultado sobre a seleção?

Elves Neves (EN): É um enorme prazer poder voltar a falar da seleção nacional, do feito que estamos a ter no contexto mundial nesta Copa do Mundo, pela forma como estamos a jogar, pela forma briosa como estamos a enfrentar as equipas. Enfrentámos duas seleções campeãs do mundo: Espanha e Uruguai.

No jogo com a Espanha, como foi falado por todo o lado, a qualidade defensiva de Cabo Verde, o controlo emocional num jogo bastante difícil, em que Cabo Verde pouco viu a bola, mas teve a capacidade de respeitar o adversário e lutar até ao fim, foi notável. Grande resultado. Foi histórico. Foi a primeira vez. Cabo Verde vibrou. Toda a nação, dentro e fora do país, vibrou.

E ontem também não fugiu à regra. No jogo com o Uruguai, foi uma festa enorme à noite, porque em Cabo Verde o jogo só terminou depois da meia-noite. Portanto, foi uma festa que durou a madrugada, porque foi o segundo resultado positivo. Num jogo em que Cabo Verde se soltou mais, já sabia que ia ser um jogo difícil pelo contexto do adversário. O Uruguai é uma seleção que obriga a qualquer equipa a disputar o jogo, porque é muito físico. Não controla o jogo com muita bola, mas traz a velocidade, o físico. E o jogo posicional do Uruguai é muito forte no meio-campo, com Bugarte e também com Fede Valverde, que são jogadores de enorme qualidade.

Portanto, um grande resultado. Cabo Verde desconcentrou na parte final da primeira parte, e falou-se muito também de fair play, ou não. Mas estamos numa competição em que vamos aprendendo com o tempo, porque todos querem vencer. O fair play é sempre muito importante, mas naquele momento não se pensou nisso. A desconcentração… acho que aprendemos com isso. Mas não fomos abaixo,  fomos já a buscar força. Conseguimos chegar ao empate e ainda podíamos ter chegado à vitória.

Foi um momento vergonhoso para aquele jogador do Uruguai. A seleção uruguaia está a ser muito criticada pela falta de fair play. Porque ele, naquele momento, enquanto ser humano, poderia ter agido de outra forma. Estamos a falar de uma seleção que tem Bielsa como selecionador, um treinador muito correto, que tem deixado boa imagem daquilo que as suas equipas representam, a nível do fair play e do jogo jogado.

Eu acho que naquele momento o jogador, se calhar, vai fazer uma autorreflexão depois de ver as imagens, depois de ver todo o contexto. Porque na vida e no futebol não vale tudo. E naquele momento perdeu-se uma grande oportunidade de mostrar fair play. Quando o jogador cabo-verdiano estava debilitado fisicamente, ele podia ter agido de outra forma. E quem sabe, podia ser ele também a estar diminuído fisicamente naquele momento.

DW África: Onde é que esta seleção é mais forte? E acha que Cabo Verde passa à fase seguinte?

EN: A nossa seleção vale pelo seu coletivo. Já está provado. É claro que temos as nossas individualidades que podem, num lance ou noutro, conseguir fazer algo diferente. Mas vamos conseguir passar à próxima fase porque o nosso coletivo trabalha bastante bem, e essa é a identidade do povo cabo-verdiano: muita resiliência, muita luta e muita vontade de lá chegar.

Portanto, vamos lá chegar, porque sabemos da nossa qualidade. E sabemos o que está em jogo no jogo com a Arábia Saudita. Como já disse no final do jogo: sabemos que podemos seguir em frente. Temos a possibilidade de chegar à próxima fase. Vamos lutar e vamos tentar buscar a vitória diante da Arábia Saudita, que é também uma seleção muito boa e que merece o nosso respeito.

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Mais oito migrantes expulsos dos Estados Unidos chegam à Guiné Equatorial https://portuguese.hcntimes.com/mais-oito-migrantes-expulsos-dos-estados-unidos-chegam-a-guine-equatorial/ https://portuguese.hcntimes.com/mais-oito-migrantes-expulsos-dos-estados-unidos-chegam-a-guine-equatorial/#respond Mon, 22 Jun 2026 18:32:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/mais-oito-migrantes-expulsos-dos-estados-unidos-chegam-a-guine-equatorial/ Mais oito migrantes expulsos dos Estados Unidos chegam à Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial faz parte dos países africanos que aceitaram participar num controverso programa migratório norte-americano de envio de cidadãos estrangeiros em situação irregular nos Estados Unidos para países terceiros, entre os quais os Camarões, a República Centro-Africana, o Gana, o Ruanda, o Sudão do Sul, o Essuatíni e a República Democrática do Congo (RDC). […]

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Mais oito migrantes expulsos dos Estados Unidos chegam à Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial faz parte dos países africanos que aceitaram participar num controverso programa migratório norte-americano de envio de cidadãos estrangeiros em situação irregular nos Estados Unidos para países terceiros, entre os quais os Camarões, a República Centro-Africana, o Gana, o Ruanda, o Sudão do Sul, o Essuatíni e a República Democrática do Congo (RDC).

Estas oito pessoas expulsas dos Estados Unidos chegaram a 18 de junho a Malabo, a antiga capital da Guiné Equatorial, afirmou Lucas Olo Fernandes, advogado e membro da ONG Comissão de Juristas da Guiné Equatorial.

Trata-se do quarto voo que transporta migrantes expulsos dos Estados Unidos para este pequeno país da África Central.

Os visados encontram-se desde então retidos num hotel próximo do aeroporto de Malabo.

No total, 40 pessoas foram transferidas para a Guiné Equatorial desde o final de 2025, em troca do pagamento, por parte de Washington, de 7,5 milhões de dólares (6,4 milhões de euros), segundo um relatório do Senado norte-americano publicado em fevereiro.

Ao abrigo deste acordo, os Estados Unidos podem expulsar para a Guiné Equatorial pessoas que tinham sido protegidas pela justiça norte-americana contra uma expulsão para os seus países de origem devido a receios pela sua segurança, um estatuto que confere direitos menos abrangentes do que o asilo.

Estas expulsões tornaram-se um elemento essencial da política anti-imigração conduzida pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, embora a sua legalidade esteja a ser contestada nos tribunais dos Estados Unidos e de outros países.

No início de junho, foi apresentada uma queixa junto da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (o principal órgão africano em matéria de direitos humanos) com o objetivo de suspender estas expulsões para a Guiné Equatorial.

A queixa pretende igualmente impedir que a Guiné Equatorial reenvie posteriormente estes expulsos para os seus países de origem.

O vice-presidente equato-guineense, Teodoro Nguema Obiang Mangue, condenou esta iniciativa alguns dias mais tarde, numa publicação na rede social X, argumentando que Malabo “sempre agiu no respeito pela dignidade humana, garantindo a cada pessoa a liberdade de escolher o seu destino e prestando o acompanhamento necessário”.

Leia Também: Guiné Equatorial prepara-se para assumir próxima presidência da CPLP

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Adalberto Costa Júnior apela ao diálogo e defende alternância democrática em Angola – Angola24Horas https://portuguese.hcntimes.com/adalberto-costa-junior-apela-ao-dialogo-e-defende-alternancia-democratica-em-angola-angola24horas/ https://portuguese.hcntimes.com/adalberto-costa-junior-apela-ao-dialogo-e-defende-alternancia-democratica-em-angola-angola24horas/#respond Mon, 22 Jun 2026 18:09:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/adalberto-costa-junior-apela-ao-dialogo-e-defende-alternancia-democratica-em-angola-angola24horas/ Adalberto Costa Júnior apela ao diálogo e defende alternância democrática em Angola – Angola24Horas

O presidente da Adalberto Costa Júnior lançou um apelo ao diálogo nacional e à participação cívica dos angolanos, numa mensagem publicada na sua página oficial nas redes sociais, onde defendeu uma visão de governação assente na inclusão, transparência e alternância democrática. Sob o lema “Vamos Dialogar”, o líder da UNITA destacou a importância da humildade […]

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Adalberto Costa Júnior apela ao diálogo e defende alternância democrática em Angola – Angola24Horas

O presidente da Adalberto Costa Júnior lançou um apelo ao diálogo nacional e à participação cívica dos angolanos, numa mensagem publicada na sua página oficial nas redes sociais, onde defendeu uma visão de governação assente na inclusão, transparência e alternância democrática.

Sob o lema “Vamos Dialogar”, o líder da UNITA destacou a importância da humildade na vida política, afirmando que “nenhum líder sabe tudo” e que “nenhum partido é dono da verdade absoluta”. Para Adalberto Costa Júnior, o reconhecimento da necessidade de cooperação entre diferentes actores políticos constitui um elemento fundamental para o fortalecimento da democracia.

Na publicação, o dirigente traçou uma distinção entre a visão política da UNITA e a do partido que governa o país. Segundo defendeu, enquanto o actual modelo de governação encara o Estado como pertencente a um grupo restrito, a sua formação política acredita num Estado ao serviço de todos os cidadãos, gerido com transparência, supervisionado por instituições independentes e aberto à diversidade de opiniões.

Adalberto Costa Júnior voltou também a sublinhar a importância da alternância no poder, classificando-a como um elemento essencial para a vitalidade democrática. Na sua visão, a renovação da liderança política contribui para o fortalecimento das instituições e para uma maior responsabilização dos governantes perante os cidadãos.

O presidente da UNITA afirmou ainda que o debate político em Angola deve centrar-se em princípios e valores, mais do que em disputas pessoais. Nesse sentido, defendeu um projecto político orientado para a devolução do protagonismo aos cidadãos, permitindo que os angolanos tenham um papel mais activo na definição do futuro do país.

A mensagem terminou com um convite directo à participação popular. O líder da oposição incentivou os cidadãos a partilharem as suas expectativas em relação aos governantes e aos partidos da oposição, bem como a reflectirem sobre a forma como cada pessoa pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade.

A iniciativa surge num momento em que o debate sobre governação, transparência e participação cívica continua a ocupar um lugar central na agenda política angolana, com os diferentes actores a procurarem mobilizar os cidadãos para os desafios que o país enfrenta.


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