cabo verde Archives - Portuguese.HCNTimes.com https://portuguese.hcntimes.com/ct/africa/cabo-verde/ Atualizações diárias de notícias portuguesas Mon, 22 Jun 2026 20:35:00 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://portuguese.hcntimes.com/wp-content/uploads/2022/03/cropped-hcntimes_favicon1-32x32.png cabo verde Archives - Portuguese.HCNTimes.com https://portuguese.hcntimes.com/ct/africa/cabo-verde/ 32 32 Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde https://portuguese.hcntimes.com/rede-paloptl-abre-candidaturas-para-filmlab-em-cabo-verde/ https://portuguese.hcntimes.com/rede-paloptl-abre-candidaturas-para-filmlab-em-cabo-verde/#respond Mon, 22 Jun 2026 20:35:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/rede-paloptl-abre-candidaturas-para-filmlab-em-cabo-verde/ Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde

“O nosso objetivo é preparar jovens cineastas cabo-verdianos e da região dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste para terem ferramentas para elaborar planos financeiros e de distribuição, apresentar ideias de filmes e aceder a técnicas de produção sustentáveis e inclusivas”, afirmou a cineasta Samira Vera-Cruz, no lançamento das candidaturas. […]

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Rede PALOP+TL abre candidaturas para FilmLab em Cabo Verde


“O nosso objetivo é preparar jovens cineastas cabo-verdianos e da região dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste para terem ferramentas para elaborar planos financeiros e de distribuição, apresentar ideias de filmes e aceder a técnicas de produção sustentáveis e inclusivas”, afirmou a cineasta Samira Vera-Cruz, no lançamento das candidaturas.


O FilmLab Cabo Verde decorrerá presencialmente entre 06 e 16 de outubro, com sessões de acompanhamento `online` após a residência, e vai selecionar até seis candidaturas, segundo o regulamento do programa.


As candidaturas estão abertas até 22 de julho a realizadores dos PALOP e de Timor-Leste, preferencialmente entre os 18 e os 35 anos, podendo ser admitidos candidatos fora desta faixa etária em função da qualidade dos projetos.


São elegíveis projetos de curta-metragem de ficção, não ficção ou híbridos, com duração prevista entre 10 e 30 minutos e em qualquer fase de desenvolvimento, pré-produção, produção, pós-produção ou distribuição.


O regulamento indica que serão valorizadas propostas sobre direitos fundamentais, sustentabilidade ambiental e questões sociais relevantes, bem como candidaturas de mulheres e pessoas não binárias.


“Acreditamos que a formação de novos talentos é essencial para a evolução do cinema e audiovisual. Assim surgem os `labs` de cinema, que vão começar em Moçambique, em agosto, em parceria com o Kugoma, e em outubro, em Cabo Verde, com o Festival Internacional de Cinema Africano Kafuka”, afirmou Samira Vera-Cruz.


Segundo a cineasta, “há muitos projetos interessantes que acabam por ficar na gaveta por falta de orientação sobre onde os submeter”.


“Há a ideia de que o financiamento vem de uma única entidade, quando existem várias formas de o procurar, públicas e privadas. A nossa ideia é desconstruir o plano financeiro e perceber onde ir buscar o dinheiro”, acrescentou.


Sobre a distribuição, Samira Vera-Cruz defendeu que muitos projetos não chegam ao público por falta de estratégia.


“Será que é para televisão, cinema, festivais, plataformas ou redes sociais? São decisões que devem ser tomadas desde o início do projeto”, referiu.


A produtora da rede Emilia Wojciechowska destacou a intenção de reforçar a participação feminina.


“Queremos incentivar mulheres a participarem. Vamos aceitar todos os géneros, mas queremos, pelo menos, um equilíbrio de 50%”, afirmou.


A organização assegura alojamento, almoço e um subsídio diário de 15 euros durante a residência, ficando as despesas de deslocação para a Praia a cargo dos participantes.


A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL é uma iniciativa da Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique, em parceria com entidades de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, e conta com financiamento da Cooperação Portuguesa, através do Programa Cultura e Empreendedorismo com Responsabilidade e Inclusão Social (PROCERIS).

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Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 1 https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-nao-cabe-nas-ilhas-parte-1/ https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-nao-cabe-nas-ilhas-parte-1/#respond Mon, 22 Jun 2026 20:07:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-nao-cabe-nas-ilhas-parte-1/ Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 1

Língua, identidade, democracia e futuro num arquipélago que continua a inventar-se Vi o jogo dos Tubarões Azuis contra a La Roja no Mundial num café na Amadora. Nas paredes, entre cachecóis do Benfica e fotografias antigas amareladas, a bandeira cabo-verdiana cobria metade de um espelho. Quando Cabo Verde falhava uma oportunidade no jogo, o pessoal levantava-se […]

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Cabo Verde não cabe nas ilhas, parte 1

Língua, identidade, democracia e futuro num arquipélago que continua a inventar-se

Vi o jogo dos Tubarões Azuis contra a La Roja no Mundial num café na Amadora. Nas paredes, entre cachecóis do Benfica e fotografias antigas amareladas, a bandeira cabo-verdiana cobria metade de um espelho. Quando Cabo Verde falhava uma oportunidade no jogo, o pessoal levantava-se frustrado, nas defesas de Vozinha, alguém invocava Deus, outro a mãe: «Ah, nha mãi!» Um mandava mensagens para França, outro gravava as reações para parentes nos Estados Unidos, um casal viera de Roterdão visitar família em Portugal… A maioria dos presentes, creio, seriam portugueses de origem cabo-verdiana que acompanham com imenso fervor este Mundial, o mais especial de todos, na estreia da sua seleção. Era muita fé naquele jogo, muita ambição acumulada e quase incredulidade por estar no Mundial. Durante noventa minutos viajei para a Praia ou para Mindelo e, no fim do jogo, a emoção não cabia no café, dando origem a manchetes como: «Goleiro cabo-verdiano Vozinha teve atuação memorável na estreia histórica de sua seleção na Copa do Mundo da FIFA, com grandes defesas diante do poderoso time espanhol.»

É possível que nenhum país se veja tão bem num jogo de futebol como Cabo Verde naquele empate a zero contra a Espanha. Um país pequeno diante de uma potência, organizado, resistente, sem grande espalhafato, a defender-se com o corpo todo («Vozinha defendeu um chuto de Ferran Torres; depois, esticou as mãos para desviar um cabeceamento perigoso de Laporte»). Cabo Verde no centro da indústria dos bilionários, o esplendor do espetáculo futebolístico.

Talvez não se trate só de futebol. É uma pequena nação africana, atlântica, crioula e diaspórica a obrigar o mundo a reparar nela, a chamar a atenção sobre si. O professor moçambicano Elísio Macamo referiu, no podcast Na Terra dos Cacos, o «doping sistémico», a propósito das dificuldades acrescidas das seleções africanas: desinvestimento, muitos miúdos a jogarem descalços em campos de areia, falta de apoio organizado. Apesar do esforço sobre-humano – ou por isso mesmo – há mais força de vontade, e Macamo coloca até a hipótese de Cabo Verde ganhar o Mundial de Futebol: «E se, depois de Marrocos ter chegado às meias-finais no Qatar, em 2022, coubesse aos estreantes “Tubarões” ser a primeira seleção africana a chegar a uma final do Mundial?» Seria um sonho para toda a África! Sobretudo depois das desprezíveis declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão da Copa do Mundo da FIFA e a classificação de alguns jogos como “desinteressantes” às quais várias federações de futebol africanas e internacionais manifestaram publicamente a sua profunda decepção.

Voltando ao jogo Cabo Verde/Espanha de 15 de junho. Os insultos ao árbitro, as gargalhadas, os comentários técnicos, a ansiedade e a celebração decorriam sobretudo em crioulo cabo-verdiano. Dava para distinguir palavras em badiu, a cadência do sanpadjudu e o crioulo de Lisboa, que mistura expressões de cá e de lá. Então, a beleza e a euforia do momento residiam igualmente na língua que toda a gente fala em Cabo Verde e na diáspora cabo-verdiana: a língua das mães, dos mercados, dos táxis, da música, dos amores, dos ralhetes, das discussões entre casais, do convívio entre amigos; no fundo, a língua em que a vida acontece. No entanto, esta língua caboverdiana continua a disputar o seu lugar pleno no Estado, na escola, na justiça e na escrita oficial. Cabo Verde vive em crioulo mas administra-se em português, uma ideia repetida há décadas sob diferentes modos, que resume uma das várias contradições do país.

(Quanto ao debate em curso sobre a língua cabo-verdiana, pode consultar-se no BUALA mais de duas dezenas de artigos aprofundados que o acompanham.)

Cabo Verde sempre foi um país interessante para pensar o mundo. Já o maravilhoso poeta João Vário (Mindelo, 1937-2007) olhou para o horizonte a partir do Porto Grande e percebeu que aquelas ilhas não eram um ponto isolado de sofrimento e desgraça – que nem vem nos mapas – mas sim o centro de um diálogo universal, marcado pela densidade intelectual e pelo cosmopolitismo. Enquanto a literatura da sua época cantava a dor da seca, da fome e da partida, ele queria arrancar de Cabo Verde o papel de vítima.

Frequentemente apresentado como sucesso democrático africano, com os Tubarões Azuis, Cabo Verde ficará ainda mais na moda, aumentando o turismo de resort no Sal e na Boa Vista – o que levanta problemas de sustentabilidade – ou até atraindo quem queira conhecer a fundo a sofrida e maravilhosa história das ilhas. Visto de fora, o arquipélago continua a desafiar muitos determinismos sobre África. Livre da maldição dos recursos, não lhe couberam nem petróleo, nem diamantes, nem rios caudalosos, nem grandes riquezas minerais. Assim investiu na educação, construiu uma democracia estável, alternância partidária, instituições relativamente sólidas, uma administração pública funcional e reconhecimento internacional. Num continente tantas vezes reduzido, por preguiça ou racismo, a imagens de guerra, fome ou corrupção, Cabo Verde tornou-se uma espécie de exceção atlântica, o país bem-comportado a progredir à sua escala, aliás, capaz de projetar uma influência simbólica muito superior à sua pequena dimensão territorial.

Cabo Verde insiste em nunca parar de discutir o que é Cabo Verde, e essa discussão atravessa a língua, a escola, a relação com África, a memória da escravatura, a diáspora, o turismo, a cultura e até o futebol. Quando lá vivi, observei quão recorrente era a conversa sobre identidade entre artistas, intelectuais e políticos. Parecia estarem sempre a perguntar: «Quem somos? Atlânticos, crioulos, africanos, macaronésicos, europeus?»

Um grande mérito do país – os meus amigos cabo-verdianos que desmintam se não concordarem – é essa capacidade de discutir os seus próprios problemas sem, até agora, destruir a democracia. Num tempo de polarizações violentas, tentações autoritárias e regressos nacionalistas, Cabo Verde vai mudando de governos através do voto e a produzir consensos mínimos sobre o essencial. A democracia está muito longe de ser perfeita, a verdade é que nenhuma o é, passe o cliché. Mas tem sabido preservar um pacto cívico raro. A eleição de mulheres para lugares centrais da vida política, incluindo a recente presidente da Assembleia Nacional, Janira Hopffer Almada, confirma uma maturidade que muitos países maiores gostam de proclamar, mas nem sempre praticam.

Porém, esta narrativa da excecionalidade, do bom aluno de África, corre o risco de esconder contradições e problemas bem agudos. O bem-estar continua muito mal distribuído. Há hierárquicas entre ilhas de primeira e ilhas de espera. A mobilidade interilhas é difícil, tal como a coesão nacional num país que depende de aviões e barcos para se ir de uma ilha a outra. Os acessos são necessariamente desiguais: consultas, escolas, trabalho, produtos, visitas, oportunidades – muito concentradas na capital, Praia, e nas ilhas turísticas. A crise da habitação pesa para todos, mas é sobretudo para os mais jovens. A violência urbana preocupa pais, famílias e bairros inteiros. Uma grave crise de droga anda a afetar principalmente os mais pobres (crack para o gueto, ecstasy, cocaína e afins para a classe média e ricos), e o país continua a ser usado como plataforma giratória do tráfico. O turismo sexual aumenta por todo o lado, mas especialmente no Sal, onde ainda agora foi desmantelada uma rede de pedofilia envolvendo estrangeiros, alguns residentes e crioulos. 

O governo do PAICV, com Francisco Carvalho, acabadinho de ser eleito, abre novo ciclo de expectativas perante esses desafios difíceis: habitação, transportes, desemprego jovem, desigualdades, segurança, confiança pública, transparência e cultura. A alternância foi recebida por muitos como a possibilidade de devolver escala humana à política, expressão talvez ingénua, mas a política precisa dessa ingenuidade para não se transformar apenas em gestão, contratos e nada mais que cinismo. Amílcar Cabral dizia que “o povo não luta por ideias, nem pelas coisas que estão na cabeça dos homens. O povo luta para conquistar benefícios materiais, para viver melhor e em paz, para ver a sua vida avançar e garantir o futuro dos seus filhos.” Com Cabral, acreditamos que a política não existe para alimentar partidos, carreiras, vaidades e pequenas burocracias do poder, ou pequenos poderes autossatisfeitos. A ideia é que as pessoas vivam melhor e que a democracia sirva para melhorar a vida das pessoas.

É nisso que qualquer governo deve ser medido: na vida concreta, na casa onde se dorme, nos salários, na qualidade das escolas, dos hospitais e dos transportes. Na possibilidade de caminhar nas ruas sem medo. Na liberdade de as mulheres ambicionarem ser o que quiserem, sem ficarem condenadas apenas ao papel de cuidadoras e de mães solteiras (padrão consecutivamente repetido entre caboverdianos).

fotografia de Marta Lança, Santo Antão, 2004

Cabo Verde celebrou os cinquenta anos de independência com a pergunta que já se desenhava quando lá estive nas comemorações dos trinta anos: o que fazer com o sucesso democrático? É que a estabilidade é boa mas não basta. Conquistado um lugar de respeito internacional, as interrogações sejam internas. A quem chega o crescimento e a prosperidade? Se há salários de trabalhadores hoteleiros que equivalem ao preço de uma noite nesse mesmo hotel, a quem beneficia o turismo, a única indústria no país? A cultura tem sido tratada como ornamento ou existe um pensamento estratégico sobre cultura? A língua materna continuará a ser tolerada como «língua dos afetos» e secundarizada institucionalmente? A juventude terá razões para ficar nas ilhas ou continuará a seguir na vapor di imigrason? A diáspora conta apenas como fonte de remessas e fábrica de saudades ou será chamada a participar na reinvenção do país?

Poucos países foram tão obrigados a inventar-se como Cabo Verde.

Se formos à história: as ilhas estavam desabitadas – seriam mesmo? anda-se a investigar – quando os portugueses e outros europeus ali chegaram no século XV. Não existia um reino conquistado, uma população autóctone ou uma língua dominante anterior à colonização. A sociedade cabo-verdiana nasceu no coração brutal do mundo atlântico: escravização de africanos, comércio colonial, circulação de mercadorias, corpos e línguas entre continentes. Antes de ser país, muito menos Estado, era um ponto de rotas, um porto de partidas e chegadas. Antes de se fundar como povo ou comunidade, começou por ser um encontro profundamente desigual entre colonizadores europeus e populações africanas arrancadas aos seus territórios, obrigadas a esquecer línguas, hábitos e modos de vida. O arquipélago foi entreposto de escravizados, laboratório de vidas, escala de navios. Esta origem singular e mórbida continua a marcar o país.

Depois, Cabo Verde ocupou uma posição ambígua no império português como uma colónia diferente. Durante o colonialismo, muitos cabo-verdianos foram incorporados na administração portuguesa e enviados para outras colónias, sobretudo para a Guiné Bissau e Angola. Ao mesmo tempo, milhares de ilhéus foram empurrados para a duríssima exploração (sob escravatura e, mais tarde, «contrato») nas roças de São Tomé. Essa migração para sul foi particularmente violenta. A proximidade relativa de certas elites ao poder colonial também coexistiu com fome, abandono, desigualdade e violência. Outra diferença é que Cabo Verde não viveu uma guerra de libertação no seu território, como Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau, embora vários cabo-verdianos se tenham juntado ao PAIGC ao lado de Amílcar Cabral, contribuindo decisivamente para a luta pela independência.

A ideia de excecionalidade cabo-verdiana continua a ser bastante interessante, mas também baralhou muitas mentes ainda por descolonizar. Durante muito tempo, o arquipélago foi apresentado como uma ponte entre continentes, uma sociedade mestiça, harmoniosa, mais próxima de Portugal do que de África. O luso-tropicalismo encontrou em Cabo Verde um dos seus laboratórios preferidos, depois do Brasil: a suposta prova de que o colonialismo português teria sido integrador, doce, miscigenador, quase familiar. Um mito conveniente para Portugal e pesado para Cabo Verde. 

Embora a visita de Gilberto Freyre ao arquipélago e as suas conclusões precipitadas tenham provocado uma profunda desilusão na intelectualidade cabo-verdiana, muitos esperavam precisamente o aval científico do «mestre», sobretudo os Claridosos. Sobre isso, veja-se o que escreveu Baltasar Lopes nos apontamentos emitidos pela Rádio Barlavento após a visita de Gilberto Freyre, posteriormente publicados sob o título “Cabo Verde visto por Gilberto Freyre” (1956). 

A história dá-nos, de facto, algumas pistas para perceber que a mestiçagem não aconteceu num campo neutro de afetos livres. Nasceu atravessada pela escravatura, pela hierarquia racial, pela violência sexual, pelo poder económico e pela dominação colonial. A ideia de harmonia racial serviu para esconder conflitos, silenciar a negritude e afastar Cabo Verde do continente africano. Foi-se consolidando a imagem do cabo-verdiano como um «preto especial»: africano suavizado, mais civilizado, mais atlântico, mais próximo da Europa. A pergunta «Cabo Verde é África?» Que é absurda e reveladora ao mesmo tempo. Absurda porque, geográfica, histórica e politicamente, Cabo Verde é África. Reveladora porque a dúvida não nasce do mapa, mas da colonização do imaginário. De séculos de associação entre África e atraso, selvajaria, pobreza, desordem ou brutalidade. Vem do desejo de escapar à categoria racializada onde o mundo colonial colocou os africanos e da necessidade de algumas elites se distinguirem dos «irmãos da costa», dos «africanos», porque «os crioulos são diferentes». Não é África o problema, mas aquilo que muitos cabo-verdianos foram ensinados a pensar sobre África. 

 oucas heranças coloniais são tão eficazes como aquelas que os próprios colonizados acabam por repetir para se protegerem da violência do mundo. A ambiguidade da cabo-verdianidade nunca foi propriamente um privilégio; é aliás uma grande armadilha. E

Nos últimos anos, artistas, investigadores, jornalistas e ativistas têm regressado a esta ferida mal resolvida de forma corajosa, sobretudo entre as novas gerações.

Não se pode construir autoestima nacional apenas com a chegada dos europeus. África tinha impérios, línguas, cidades, sistemas políticos, comércio, cosmologias, pensamento, arte, espiritualidade e conflitos muito antes da expansão europeia. Se a história cabo-verdiana começa apenas na escravatura, então começa num gesto de amputação. E nenhum povo se liberta plenamente se aceita que a sua memória começa no momento em que foi violentado.

Nas ilhas cabo-verdianas, povoadas desde 1460 por europeus e povos da África Ocidental, é difícil averiguar muita coisa sobre as origens. «O cabo-verdiano vai até ao século XV e cai no mar. Nós não sabemos quem são, de onde vieram ou a etnia dos nossos tetravós», diz Mário Lúcio Sousa, em entrevista à RFI. O processo histórico das ilhas afro-atlânticas diferencia-se de outros países colonizados por ocupação e esmagamento de populações locais, mas a própria crioulidade contém esse corte das «raízes ancestrais». Ora, se não dá para ir muito atrás, é preciso construir a partir do futuro.

O crioulo cabo-verdiano diz muito sobre essa reinvenção e futuro. É uma das grandes criações históricas do arquipélago. Uma língua nascida da violência colonial, sim, mas também da invenção popular, da necessidade de sobrevivência, da inteligência quotidiana, da mistura e da resistência. Pessoas impedidas de conservar nomes, parentescos, idiomas e memórias inteiras criaram outra forma de se entender. O crioulo é, assim, simultaneamente ferida e cura, onde uma história traumática se transformou em possibilidade de comunidade – e comunicação.

Por isso, o debate sobre a sua oficialização é tão instigante. À primeira vista, parece uma discussão técnica: ortografia, variantes, gramática, ALUPEC, legislação ou ensino bilingue. Mas é atravessado por questões profundamente políticas: que língua tem o direito de representar o Estado? A língua em que o povo vive ou a língua herdada da administração colonial? E como fazer justiça à língua materna sem empobrecer a pluralidade interna do próprio crioulo cabo-verdiano?

O português é a língua oficial de Cabo Verde, língua franca extremamente importante. Seria absurdo negar o seu valor como instrumento de comunicação internacional, acesso académico, circulação literária, relações diplomáticas e ligação a outros países. Claro que o português deve continuar a ocupar um lugar central no arquipélago; um maior isolamento seria um erro crasso. O problema está em a língua caboverdiana continuar a ser tratada como se fosse apenas doméstico, afetivo e informal, enquanto o português é associado ao prestígio, à escola, ao Estado, às leis, ao jornalismo, às instituições académicas e à literatura. Esta hierarquia produz efeitos, produz insegurança linguística e desigualdade escolar. Produz também a sensação de que a língua de casa não cabe no mundo, mas naquele café da Amadora couve muito bem.

O debate, porém, está longe de ser simples. Há defensores da oficialização plena do crioulo, entre eles o Presidente José Maria Neves, que a associam aos cinquenta anos da independência e à necessidade de completar a soberania cultural. Há linguistas como Manuel Veiga, figura central neste processo, que há muito defendem a construção do bilinguismo e a valorização institucional da língua materna. Existem experiências, estudos, gramáticas, dicionários, materiais didáticos, produção literária e instrumentos de normalização suficientes para mostrar que não se trata de um capricho identitário.

Algumas resistências e hesitações são legítimas, outras nem por isso. Algumas pessoas receiam que uma norma oficial favoreça a variante de Santiago ou a de São Vicente, esmagando a riqueza das restantes ilhas. Outras temem que o ALUPEC, apesar de concebido como alfabeto unificado, seja sentido como artificial, distante das práticas espontâneas de escrita e leitura. Outras ainda receiam que a oficialização enfraqueça o domínio do português e dificulte a circulação internacional dos cabo-verdianos. Mas muitos destes receios tendem a conservar a velha ordem simbólica: o crioulo é para a emoção e o português para o poder.

A pergunta «qual crioulo cabo-verdiano?» não deve ser descartada. Cabo Verde é também arquipelágico na língua. O de Santiago não é igual ao de São Vicente, nem ao do Fogo, Santo Antão, São Nicolau, Maio, Boa Vista, Sal ou Brava. Cada ilha guarda uma música própria, um vocabulário particular, ritmos, entoações, marcas de história e de orgulho. Oficializar uma língua num arquipélago tão diverso exige delicadeza política, tal como a discussão sobre o Novo Acordo Ortográfico a exigia. A unidade não pode ser construída à custa da diversidade, mas a diversidade também não deve servir de desculpa eterna para manter a língua materna numa espécie de sala de espera constitucional.

Toda esta discussão pode igualmente ser vista como uma questão de classe. Quem domina mais o português escolar parte com vantagem. Quem cresce em casas com livros, pais escolarizados e facilidade de circulação entre códigos linguísticos aprende cedo a mover-se entre mundos. Quem chega à escola falando apenas a língua de casa pode sentir, logo no primeiro dia, que a sua inteligência foi suspensa até conseguir expressar-se na língua autorizada. O problema é pedagógico, mas também íntimo. Uma criança que aprende que a língua da mãe não serve para o conhecimento aprende igualmente algo de doloroso sobre a mãe, a casa e o lugar social de onde vem.

A professora Ana Josefa Cardoso tem desenvolvido, a partir da diáspora portuguesa, um trabalho notável sobre as questões da aprendizagem em língua materna em territórios com grande presença de pessoas de origem cabo-verdiana, como o Vale da Amoreira.

A oficialização da língua caboverdiana, se acontecer, não resolve magicamente a desigualdade, porque nenhuma lei resolve sozinha séculos de hierarquia. Mas pode deslocar o centro simbólico do país e dizer às crianças que a língua em que sonham também pode pensar. Que a língua em que as avós contam histórias também pode escrever ciência, justiça, teatro, filosofia, matemática. Pode permitir que a escola deixe de ser uma fronteira brusca entre casa e Estado. Pode completar uma parte da independência.

E sim, sou portuguesa e gosto muito de ouvir falar português em muitas partes do mundo. Mas conheço a história que está por detrás da lusofonia, como procurei explicar há alguns anos no ensaio «A lusofonia é uma bolha». Não sou purista da língua portuguesa e a criatividade do português do Brasil ou de Angola e de tantos lado tem-me mostrado a maravilha desse caldo cultural, sempre em mudança e em disputa, que a língua transporta.

 

por Marta Lança
A ler | 22 Junho 2026 | Cabo Verde, crioulo, futebol, língua caboverdiana

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Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-cabo-verde-encanta-e-ja-sonha-com-um-segundo-milagre-no-atlantico/ https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-cabo-verde-encanta-e-ja-sonha-com-um-segundo-milagre-no-atlantico/#respond Mon, 22 Jun 2026 19:30:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/selecao-de-cabo-verde-encanta-e-ja-sonha-com-um-segundo-milagre-no-atlantico/ Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico

O documentário “Um milagre no Atlântico”, que detalha a épica qualificação de Cabo Verde para o Mundial2026, o primeiro da história dos tubarões azuis, ainda não estreou, mas já pede uma sequela. A participação da seleção está a surpreender desportivamente e a encantar os amantes do futebol mundial, que fizeram de Vozinha, um guarda-redes de […]

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Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico

O documentário “Um milagre no Atlântico”, que detalha a épica qualificação de Cabo Verde para o Mundial2026, o primeiro da história dos tubarões azuis, ainda não estreou, mas já pede uma sequela. A participação da seleção está a surpreender desportivamente e a encantar os amantes do futebol mundial, que fizeram de Vozinha, um guarda-redes de 40 anos e sem clube depois de duas temporadas no Desp. Chaves na II Liga, a primeira grande figura a emergir do Mundial2016.

E se a viagem até aos EUA só foi garantida na última oportunidade da qualificação, logo no avião a seleção mostrou a forma de ser e estar dos caboverdianos. As imagens partilhadas pelos jogadores e pela federação nas redes sociais mostram o bom ambiente da comitiva rumo ao primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, mas assim que a bola começou a rolar, eles fizeram mais do que participar.

A seleção liderada por Bubista mostrou muita organização defensiva – estiveram seis jogos sem sofrer golos nos dez da qualificação – e capacidade ofensiva, maturidade emocional e muita capacidade física nos dois duelos de nível máximo de exigência – Espanha (0-0) e Uruguai (2-2) e com o mesmo desfecho: dois empates com sabor a vitória, que deixam Cabo Verde a sonhar com a passagem aos 16-avos-de-final.

Mas foi o lado humano dos tubarões azuis a cativarem não só os apaixonados do futebol como os adeptos mais racionais. Vozinha sobressaiu pela competência com que manteve a baliza a zero diante da Espanha, com sete intervenções históricas, duas delas sérias candidatas a melhor do Mundial e tornou-se num ícone global e digital.

Emocionado, e depois de receber o prémio de melhor em campo, Vozinha partilhou que a mãe, não tinha conseguido um visto para o ir ver jogar. O Mundo sentiu a sua dor e a Federação Caboverdiana de Futebol, a FIFA e os governos dos EUA e de Cabo Verde uniram esforços para que Ana Cândida Évora chegasse a Miami a tempo do jogo com o Uruguai. A presença dela no estádio foi mais uma motivação para Vozinha e a seleção garantirem mais um empate. Até o presidente da FIFA Gianni Infantino foi conhecer a mãe de Vozinha no final do encontro com os uruguaios.

O último jogo no Grupo H do Mundial2026 é com a Arábia Saudita e os Tubarões Azuis já avisaram que vão à procura da vitória e da passagem aos 16-avos-de-final. O que seria ainda mais histórico e digno de registo como o segundo milagre do Atlântico. Mas seja qual for o resultado, Cabo Verde já ganhou o Mundial dentro e fora de campo.

O bom ambiente dos adeptos tem sido destacado pelos meios de comunicação social de todo o Mundo presentes do Mundial2026. E, se em algumas cidades dos EUA, sobressaíram as imagens das apertadas medidas de segurança, em Boston e Miami, local dos jogos da equipa, nem os polícias resistiram à alegria e boa onda vivida na fan zone repleta de caboverdianos, uma comunidade de 500 mil habitantes na região de Miami.

isaura.almeida@dn.pt


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Vamos lá chegar pois sabemos da nossa qualidade https://portuguese.hcntimes.com/vamos-la-chegar-pois-sabemos-da-nossa-qualidade/ https://portuguese.hcntimes.com/vamos-la-chegar-pois-sabemos-da-nossa-qualidade/#respond Mon, 22 Jun 2026 19:16:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/vamos-la-chegar-pois-sabemos-da-nossa-qualidade/ Vamos lá chegar pois sabemos da nossa qualidade

Cabo Verde continua a surpreender noCampeonato do Mundo, somando um segundo empate, desta vez frente ao Uruguai, e confirmando o bom momento da seleção, quetem sido destaque pela organização, entrega e capacidade competitiva frente a adversários de topo. Depois de um resultado histórico diante da Espanha, os Tubarões Azuis voltaram a mostrar qualidade e carácter, […]

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Vamos lá chegar pois sabemos da nossa qualidade

Cabo Verde continua a surpreender noCampeonato do Mundo, somando um segundo empate, desta vez frente ao Uruguai, e confirmando o bom momento da seleção, quetem sido destaque pela organização, entrega e capacidade competitiva frente a adversários de topo.

Depois de um resultado histórico diante da Espanha, os Tubarões Azuis voltaram a mostrar qualidade e carácter, num jogo intenso, marcado também por um lance polémico envolvendo fair play.

Para analisar este desempenho e as ambições da seleção cabo-verdiana na competição, a DW África ouviu o jornalista cabo-verdiano Elves Neves.

DW África: Cabo Verde somou mais um empate, desta vez frente ao Uruguai. Como foi vivida esta noite em Cabo Verde e o que revelou este resultado sobre a seleção?

Elves Neves (EN): É um enorme prazer poder voltar a falar da seleção nacional, do feito que estamos a ter no contexto mundial nesta Copa do Mundo, pela forma como estamos a jogar, pela forma briosa como estamos a enfrentar as equipas. Enfrentámos duas seleções campeãs do mundo: Espanha e Uruguai.

No jogo com a Espanha, como foi falado por todo o lado, a qualidade defensiva de Cabo Verde, o controlo emocional num jogo bastante difícil, em que Cabo Verde pouco viu a bola, mas teve a capacidade de respeitar o adversário e lutar até ao fim, foi notável. Grande resultado. Foi histórico. Foi a primeira vez. Cabo Verde vibrou. Toda a nação, dentro e fora do país, vibrou.

E ontem também não fugiu à regra. No jogo com o Uruguai, foi uma festa enorme à noite, porque em Cabo Verde o jogo só terminou depois da meia-noite. Portanto, foi uma festa que durou a madrugada, porque foi o segundo resultado positivo. Num jogo em que Cabo Verde se soltou mais, já sabia que ia ser um jogo difícil pelo contexto do adversário. O Uruguai é uma seleção que obriga a qualquer equipa a disputar o jogo, porque é muito físico. Não controla o jogo com muita bola, mas traz a velocidade, o físico. E o jogo posicional do Uruguai é muito forte no meio-campo, com Bugarte e também com Fede Valverde, que são jogadores de enorme qualidade.

Portanto, um grande resultado. Cabo Verde desconcentrou na parte final da primeira parte, e falou-se muito também de fair play, ou não. Mas estamos numa competição em que vamos aprendendo com o tempo, porque todos querem vencer. O fair play é sempre muito importante, mas naquele momento não se pensou nisso. A desconcentração… acho que aprendemos com isso. Mas não fomos abaixo,  fomos já a buscar força. Conseguimos chegar ao empate e ainda podíamos ter chegado à vitória.

Foi um momento vergonhoso para aquele jogador do Uruguai. A seleção uruguaia está a ser muito criticada pela falta de fair play. Porque ele, naquele momento, enquanto ser humano, poderia ter agido de outra forma. Estamos a falar de uma seleção que tem Bielsa como selecionador, um treinador muito correto, que tem deixado boa imagem daquilo que as suas equipas representam, a nível do fair play e do jogo jogado.

Eu acho que naquele momento o jogador, se calhar, vai fazer uma autorreflexão depois de ver as imagens, depois de ver todo o contexto. Porque na vida e no futebol não vale tudo. E naquele momento perdeu-se uma grande oportunidade de mostrar fair play. Quando o jogador cabo-verdiano estava debilitado fisicamente, ele podia ter agido de outra forma. E quem sabe, podia ser ele também a estar diminuído fisicamente naquele momento.

DW África: Onde é que esta seleção é mais forte? E acha que Cabo Verde passa à fase seguinte?

EN: A nossa seleção vale pelo seu coletivo. Já está provado. É claro que temos as nossas individualidades que podem, num lance ou noutro, conseguir fazer algo diferente. Mas vamos conseguir passar à próxima fase porque o nosso coletivo trabalha bastante bem, e essa é a identidade do povo cabo-verdiano: muita resiliência, muita luta e muita vontade de lá chegar.

Portanto, vamos lá chegar, porque sabemos da nossa qualidade. E sabemos o que está em jogo no jogo com a Arábia Saudita. Como já disse no final do jogo: sabemos que podemos seguir em frente. Temos a possibilidade de chegar à próxima fase. Vamos lutar e vamos tentar buscar a vitória diante da Arábia Saudita, que é também uma seleção muito boa e que merece o nosso respeito.

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“Contem com mais história de Cabo Verde”, avisa Stopira https://portuguese.hcntimes.com/contem-com-mais-historia-de-cabo-verde-avisa-stopira/ https://portuguese.hcntimes.com/contem-com-mais-historia-de-cabo-verde-avisa-stopira/#respond Mon, 22 Jun 2026 16:30:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/contem-com-mais-historia-de-cabo-verde-avisa-stopira/ “Contem com mais história de Cabo Verde”, avisa Stopira

Stopira é lenda da seleção cabo-verdiana, mas ainda sem minutos neste Mundial, ao cabo das duas prineiras jornadas. O defesa do Torreense, decisivo a marcar o golo que consagrou o clube da II Liga vencedor da Taça de Portugal, vai vivendo novo conto de fadas na sua seleção, não esquecendo a sua odisseia, o seu […]

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“Contem com mais história de Cabo Verde”, avisa Stopira

Stopira é lenda da seleção cabo-verdiana, mas ainda sem minutos neste Mundial, ao cabo das duas prineiras jornadas. O defesa do Torreense, decisivo a marcar o golo que consagrou o clube da II Liga vencedor da Taça de Portugal, vai vivendo novo conto de fadas na sua seleção, não esquecendo a sua odisseia, o seu regresso ao espaço de eleição, marcado um golo no encontro que decidiu o apuramento dos Tubarões Azuis para este certame. Aos 38 anos, Stopira continua a acumular emoções grandiosas e falou no final do 2-2 diante do Uruguai.

“É uma sensação de orgulho e uma honra fazer parte deste grupo. Nunca duvidei que podíamos fazer história, ficou provado que podemos competir olhos nos olhos contra qualquer seleção. Estamos a mostrar apesar do nosso tamanho, a ambiçao e coração enorme que temos”, confessou, lendo os méritos, percorrendo-os com emoção. “Esta equipa resulta de um grupo unido e cheio de qualidade. Desde o início na qualificação, este era um sonho nosso, o de competir com os melhores e provar o que valemos. Agora temos de pensar na Arábia Saudita para alcançar o nosso objetivo, com a mesma humildade e concentração. Temos as nossas armas mas não vai ser fácil”, avisou Stopira, maravilhado com o encanto das bancadas, a energia que emana de cada aglomerado cabo-verdiano. “O país merece isto, toda a diáspora e esta forte comunidade nos Estados Unidos. Que sigam todos juntos a apoiar-nos, ainda temos muito a conquistar”, observou o central, rendido ao que tem vivido mais recentemente.

“Com trabalho tudo se conquista. Nunca desisti do meu sonho e estou a prolongar um final de época extraordinário. Está a ser aqui no Mundial, ainda sem minutos mas essa hora vai chegar. Temos muito por fazer, contem com mais história de Cabo Verde.”

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Cabo Verde? Está à vista de toda a gente aquilo que têm feito https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-esta-a-vista-de-toda-a-gente-aquilo-que-tem-feito/ https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-esta-a-vista-de-toda-a-gente-aquilo-que-tem-feito/#respond Mon, 22 Jun 2026 12:25:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-esta-a-vista-de-toda-a-gente-aquilo-que-tem-feito/ Cabo Verde? Está à vista de toda a gente aquilo que têm feito

O antigo defesa Fernando Varela assumiu grande entusiasmo com a prestação de Cabo Verde no Mundial’2026 de futebol, revelando não sentir pena de não ter conseguido chegar a este palco nos 10 anos que esteve na seleção. “[Tenho visto] Com muito entusiasmo. Acho que os jogadores entusiasmaram todo o adepto cabo-verdiano, todo o povo cabo-verdiano. […]

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Cabo Verde? Está à vista de toda a gente aquilo que têm feito

O antigo defesa Fernando Varela assumiu grande entusiasmo com a prestação de Cabo Verde no Mundial’2026 de futebol, revelando não sentir pena de não ter conseguido chegar a este palco nos 10 anos que esteve na seleção.

“[Tenho visto] Com muito entusiasmo. Acho que os jogadores entusiasmaram todo o adepto cabo-verdiano, todo o povo cabo-verdiano. Acho que o que têm feito dentro de campo está a ser histórico, está a ser único e acho que cada jogador está orgulhoso daquilo que tem feito e têm deixado o povo cabo-verdiano muito feliz”, assumiu, em entrevista à agência Lusa.

Na sua estreia em Mundiais, os “tubarões azuis” já pararam dois antigos campeões mundiais, ao empatarem com Espanha (0-0) e Uruguai (2-2), dependo apenas de si para se apurarem para os 16 avos de final na última jornada do Grupo H, frente à Arábia Saudita, em 26 de junho.

Dizendo “respeitar que as pessoas tivessem o pensamento” de que Cabo Verde pudesse não ter qualquer hipótese neste grupo, “apesar de não concordar”, Fernando Varela sabia que a sua seleção “ia dar resposta” e “ia ser muito competitiva”. “Aí está à vista de toda a gente aquilo que eles têm feito e a depender de si no último jogo para passar à fase seguinte. Acho que é muito benéfico para Cabo Verde se conseguir. Porque vai dar mais visibilidade aos jogadores, vai dar mais visibilidade ao país e é isso que o país precisa. Acho que cada jogador também tem feito isso para que o país também possa sair valorizado”, afirmou.

Com 52 internacionalizações por Cabo Verde, Varela, de 38 anos, garante que não sente qualquer pena de nunca ter conseguido jogar um Mundial, porque tudo fez para o conseguir. “Por detalhes não o conseguimos, estivemos perto várias vezes. Participei em duas CAN [Taça das Nações Africanas], dei o meu melhor quando vestia a camisola de Cabo Verde. Estive lá 10 anos, 10 anos de muitas alegrias. Posso dizer que também contribuí para que esse momento chegasse hoje. Foram muitas batalhas, muitos jogadores antigos, antes de mim, também o tentaram. Não conseguiram, coube a esta geração poder estar no Mundial, estar-nos a representar da melhor maneira e acho que não pode ser um sentimento de pena, mas sim de muita felicidade por eles terem conseguido aquilo que muitos jogadores já tentaram”, assumiu.

Para Fernando Varela, “foi o ideal o Mundial ter sido nos Estados Unidos”, por haver uma grande comunidade cabo-verdiana no país, que agora pode sentir “essa parte do coração, estar ligado ao país mais perto”.

Daqui a quatro anos, o Mundial vai ser realizado em Marrocos, Espanha e Portugal, outro país com uma grande comunidade cabo-verdiana, e Fernando Varela acredita que Cabo Verde pode voltar a estar presente. “Acho que Cabo Verde agora, a cada classificação, tem uma palavra a dizer e acho que faz parte do pensamento de todos e da federação, que de certeza absoluta que já está a organizar para poder participar nesse próximo Mundial, que vinha a dar mais motivação e mais orgulho a todo o povo cabo-verdiano”, concluiu.

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Telmo Arcanjo participa em momento histórico de Cabo Verde no Mundial 2026 https://portuguese.hcntimes.com/telmo-arcanjo-participa-em-momento-historico-de-cabo-verde-no-mundial-2026/ https://portuguese.hcntimes.com/telmo-arcanjo-participa-em-momento-historico-de-cabo-verde-no-mundial-2026/#respond Mon, 22 Jun 2026 08:50:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/telmo-arcanjo-participa-em-momento-historico-de-cabo-verde-no-mundial-2026/ Telmo Arcanjo participa em momento histórico de Cabo Verde no Mundial 2026

O jogador do Vitória SC, Telmo Arcanjo, foi titular no empate de Cabo Verde frente ao Uruguai (2-2), em encontro da fase de grupos do Mundial 2026. O internacional cabo-verdiano integrou o onze inicial dos Tubarões Azuis e permaneceu em campo durante os primeiros 45 minutos de uma partida que voltou a ficar marcada pela […]

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Telmo Arcanjo participa em momento histórico de Cabo Verde no Mundial 2026

O jogador do Vitória SC, Telmo Arcanjo, foi titular no empate de Cabo Verde frente ao Uruguai (2-2), em encontro da fase de grupos do Mundial 2026.

O internacional cabo-verdiano integrou o onze inicial dos Tubarões Azuis e permaneceu em campo durante os primeiros 45 minutos de uma partida que voltou a ficar marcada pela história da seleção africana. Cabo Verde apontou frente ao Uruguai o primeiro golo da sua história em fases finais de Campeonatos do Mundo, com Telmo Arcanjo a ter participação no lance que deu origem ao momento histórico.

Naquela que é a primeira presença de sempre dos cabo-verdianos num Mundial, a seleção continua a surpreender e mantém-se na luta pelo apuramento para a fase seguinte da competição.

Com este empate diante do Uruguai, Cabo Verde soma agora dois pontos no Grupo F, ocupando atualmente o terceiro lugar da classificação, quando falta disputar a última jornada da fase de grupos.

Os Tubarões Azuis encerram a fase de grupos frente à Arábia Saudita, num encontro agendado para o próximo dia 27 de junho, à 1h00 de sábado, que poderá revelar-se decisivo nas contas do apuramento para os 16 avos de final do Mundial 2026. Atualmente no segundo lugar do Grupo F, Cabo Verde mantém intactas as aspirações de seguir em frente na competição.

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Copa 2026: Técnico de Cabo Verde diz focar classificação – 22/06/2026 – Esporte https://portuguese.hcntimes.com/copa-2026-tecnico-de-cabo-verde-diz-focar-classificacao-22-06-2026-esporte/ https://portuguese.hcntimes.com/copa-2026-tecnico-de-cabo-verde-diz-focar-classificacao-22-06-2026-esporte/#respond Mon, 22 Jun 2026 03:35:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/copa-2026-tecnico-de-cabo-verde-diz-focar-classificacao-22-06-2026-esporte/ Copa 2026: Técnico de Cabo Verde diz focar classificação – 22/06/2026 – Esporte

O técnico de Cabo Verde, Bubista, acredita que seus jogadores provaram que os sonhos podem superar limitações financeiras depois de conseguirem mais um ponto precioso no empate em 2 a 2 com o Uruguai neste domingo (21), na primeira Copa do Mundo que o país disputa. No Grupo H, a seleção africana empatou também com […]

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Copa 2026: Técnico de Cabo Verde diz focar classificação – 22/06/2026 – Esporte

O técnico de Cabo Verde, Bubista, acredita que seus jogadores provaram que os sonhos podem superar limitações financeiras depois de conseguirem mais um ponto precioso no empate em 2 a 2 com o Uruguai neste domingo (21), na primeira Copa do Mundo que o país disputa.

No Grupo H, a seleção africana empatou também com outro campeão mundial, a Espanha, e está na briga por uma histórica classificação ao mata-mata.

“Quando você está em campo, muitas coisas se igualam. Por maior que o adversário seja, muitas seleções ficam em pé de igualdade”, disse Bubista, radiante, aos repórteres.

“Mostrar que é possível alcançar grandes feitos, independentemente dos desafios, sejam eles financeiros ou de qualquer outro tipo. Desde que você tenha um sonho e lute por ele”, afirmou.

O desempenho notável de Cabo Verde fez com que o técnico ousasse pensar em avançar da fase de grupos neste torneio com 48 seleções, no qual as oito melhores terceiras colocadas também se classificam.

A equipe está em terceiro lugar, empatada em pontos com o Uruguai (2), e atrás da Espanha, líder do grupo, com 4. A Arábia Saudita está em último lugar, com 1 ponto, antes da última rodada da etapa inicial.

“Considerando o que conseguimos contra duas seleções de alto nível, acho que nosso foco tem que ser a classificação”, disse.

“Se formos pensar nisso, acho que é legítimo fazê-lo, considerando o que conquistamos… Mas também sabemos que qualquer uma dessas seleções tem a oportunidade de avançar.”

Apesar das atuações impressionantes, Bubista insistiu que seus jogadores precisam manter os pés no chão antes da última partida da fase de grupos, contra a Arábia Saudita.

“Sabemos que essa também será uma partida desafiadora. A Arábia Saudita também tem chances de se classificar”, alertou.

“Obviamente, serão partidas desafiadoras para todas as seleções, mas com certeza vamos tentar vencer.”

Antes da partida deste domingo, Bubista deu um presente ao técnico do Uruguai, Marcelo Bielsa, dizendo que era uma pequena lembrança de Cabo Verde e algo para que o técnico de 70 anos se recordasse deles.

“Para mim e para muitos outros treinadores, especialmente na África, Bielsa é um mestre. Estudamos o que ele fez ao longo de sua carreira”, disse Bubista. “Fiquei muito feliz por poder conhecê-lo pessoalmente.”

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Cabo Verde já não é a surpresa, é uma das histórias do Mundial https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-ja-nao-e-a-surpresa-e-uma-das-historias-do-mundial/ https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-ja-nao-e-a-surpresa-e-uma-das-historias-do-mundial/#respond Mon, 22 Jun 2026 01:00:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/cabo-verde-ja-nao-e-a-surpresa-e-uma-das-historias-do-mundial/ Cabo Verde já não é a surpresa, é uma das histórias do Mundial

Quando Kevin Pina bateu o livre que entrou na baliza uruguaia, aos 21 minutos, não marcou apenas o primeiro golo de Cabo Verde numa fase final do Campeonato do Mundo. Marcou também um momento de mudança na forma como esta seleção deve ser vista. Até aqui, os Tubarões Azuis chegavam ao Mundial de 2026 como […]

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Cabo Verde já não é a surpresa, é uma das histórias do Mundial

Quando Kevin Pina bateu o livre que entrou na baliza uruguaia, aos 21 minutos, não marcou apenas o primeiro golo de Cabo Verde numa fase final do Campeonato do Mundo. Marcou também um momento de mudança na forma como esta seleção deve ser vista.

Até aqui, os Tubarões Azuis chegavam ao Mundial de 2026 como uma das estreantes mais curiosas da competição. Hoje, depois de um empate frente à Espanha e de uma recuperação diante do Uruguai para garantir um empate a dois golos, Cabo Verde deixa de ocupar o espaço da curiosidade para dar lugar a um espaço da relevância.

O empate frente ao Uruguai teve todos os ingredientes que costumam definir as grandes histórias dos Mundiais. Houve um golo histórico, uma reviravolta emocional, momentos de sofrimento e uma resposta à altura quando parecia que a lógica do futebol iria prevalecer.

Durante a primeira parte, Cabo Verde colocou-se em vantagem através de Kevin Pina. O Uruguai respondeu perto do intervalo, com golos de Maxi Araújo e Agustín Canobbio, chegando ao descanso a vencer por 2-1. Para muitas equipas estreantes, seria o início do fim.

Não foi o caso.

A equipa orientada por Bubista voltou para a segunda parte sem abdicar da sua identidade. Continuou organizada, competitiva e emocionalmente equilibrada. Aos 61 minutos, Hélio Varela aproveitou uma falha defensiva uruguaia para restabelecer a igualdade e devolver esperança aos milhares de cabo-verdianos espalhados pelo mundo que acompanhavam a partida.

O resultado final foi um empate, mas o significado vai muito além do marcador.

Em duas jornadas, Cabo Verde conseguiu evitar a derrota frente à Espanha e ao Uruguai, duas seleções com história, tradição e estatuto incomparavelmente superiores. O arquipélago de pouco mais de meio milhão de habitantes apresenta-se agora no palco mais importante do futebol mundial sem complexos e sem medo.

Esta campanha também desafia algumas narrativas antigas sobre as seleções africanas. Cabo Verde não depende exclusivamente do talento individual nem vive apenas da emoção. Existe uma estrutura coletiva clara, uma ideia de jogo consistente e uma utilização inteligente da riqueza produzida pela diáspora cabo-verdiana espalhada pela Europa e pelo mundo.

O que se está a ver neste Mundial é o resultado de anos de crescimento, de qualificações competitivas, de uma identidade consolidada e de uma geração que acredita que pode competir com qualquer adversário.

A última jornada do Grupo H ainda decidirá o futuro dos Tubarões Azuis. Mas independentemente do desfecho, uma conclusão já parece inevitável.

Cabo Verde chegou ao Mundial como uma surpresa.

Sai desta segunda jornada como uma das histórias mais marcantes do torneio.

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Vozinha e Cabo Verde voltam aos gramados contra o Uruguai – Times Brasil https://portuguese.hcntimes.com/vozinha-e-cabo-verde-voltam-aos-gramados-contra-o-uruguai-times-brasil/ https://portuguese.hcntimes.com/vozinha-e-cabo-verde-voltam-aos-gramados-contra-o-uruguai-times-brasil/#respond Sun, 21 Jun 2026 21:00:00 +0000 https://portuguese.hcntimes.com/vozinha-e-cabo-verde-voltam-aos-gramados-contra-o-uruguai-times-brasil/ Vozinha e Cabo Verde voltam aos gramados contra o Uruguai – Times Brasil

A seleção de Cabo Verde volta a campo neste domingo (21) para uma partida contra o Uruguai, na segunda rodada da Copa do Mundo 2026. O jogo será em Miami, nos Estados Unidos, às 19h, e as atenções estarão voltadas ao experiente goleiro Vozinha, que se tornou uma das estrelas da primeira fase do Mundial. O […]

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Vozinha e Cabo Verde voltam aos gramados contra o Uruguai – Times Brasil

A seleção de Cabo Verde volta a campo neste domingo (21) para uma partida contra o Uruguai, na segunda rodada da Copa do Mundo 2026. O jogo será em Miami, nos Estados Unidos, às 19h, e as atenções estarão voltadas ao experiente goleiro Vozinha, que se tornou uma das estrelas da primeira fase do Mundial.

O defensor foi um dos protagonistas do empate em 0x0 com a Espanha, na estreia das seleções pelo Grupo H, na última segunda-feira (15).

A sequência espetacular de defesas que segurou o resultado contra uma das maiores potências do futebol fez com que Vozinha se transformasse em uma celebridade, que acumula mais de 14 milhões de seguidores no Instagram.

Leia também: Mãe do goleiro Vozinha desembarca nos Estados Unidos para a Copa

“Tem sido realmente incrível, não esperava por isso. Não sei como é que vou continuar a ser a mesma pessoa e o mesmo Vozinha de sempre. Mas gostaria de agradecer a todos que aderiram a isso, a todos os seguidores, a todos os brasileiros e a todas as pessoas que fizeram isso acontecer”, disse em entrevista exclusiva aos canais Telesur e TV Brasil.

Para o próximo jogo, ele pretende manter a concentração e disciplina que une os Tubarões, como se chamam os jogadores de Cabo Verde. 

“Estamos felizes, mas isso [a Copa] ainda não acabou”, ponderou. “Conhecemos a qualidade do nosso grupo, assim como as limitações, mas sabemos que podemos competir com qualquer seleção e que tudo pode acontecer em 90 minutos [de partida]”.

Vozinha

Foto: Instagram

Quem é o jogador mais caro entre as 4 seleções estreantes da Copa do Mundo de 2026?

Inspiração

Hoje com 40 anos, Vozinha nasceu Josimar José Évora Dias, na cidade de Mindelo. O pai, fanático por futebol, batizou o menino com o nome do lateral brasileiro que atuava na Copa do Mundo de 1986, também disputada no México. Agora, é ele quem inspira torcedores.

O goleiro diz se emocionar ao perceber a influência dos Tubarões Azuis sobre crianças e jovens cabo-verdianos. “Somos um país que não temos muitas referências, isso é um erro, mas está mudando, graças às forças da federação e dos jogadores”.

Leia também: Copa do Mundo: quem é e qual o valor de mercado do goleiro Vozinha

Ele lembra da trajetória, na Ilha de São Vicente, jogando bola nas ruas do bairro.

“Passava mais tempo no campo do que em casa. Estava sempre jogando duas ruas atrás da minha casa ou na outra mais abaixo”, contou.

Ele também se recorda do sonho de ser profissional, que exigiu dedicação. “Perdi uma parte da minha infância e juventude, mas sou grato a tudo”.

A sua caminhada no esporte, no entanto, não foi linear, e ele só começou a jogar profissionalmente aos 25 anos, quando muitos goleiros estão no auge. Por se considerado baixo, muitas vezes, perdeu espaço para atletas mais altos. Apesar dos revezes, Josimar não desistiu. “Sempre fui muito disciplinado e focado”.

Com o futebol, Vozinha conta que conseguiu ajudar a família. Entre as conquistas, destaca a possibilidade construir uma casa para a mãe e cuidar da avó que o criou, mas sofreu os últimos anos com Alzheimer.

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“O futebol deu-me tudo. Deu-me condições de ajudar a minha família e de me tornar quem eu sou”, afirmou.

Leia também: Deu zebra: Cabo Verde segura Espanha e expõe abismo bilionário entre elencos

Cultura brasileira

A relação com o Brasil também marca a trajetória do goleiro cabo-verdiano. Além da influência no futebol, ele destaca a cultura brasileira presente no arquipélago. O avô, recorda, era fã de Roberto Carlos, enquanto ele cita Ivete Sangalo, Cidade Negra e Revelação.

Segundo o goleiro, gerações cresceram acompanhando novelas e ouvindo artistas brasileiros, apesar dele ser “um pau mesmo” e preferir zouk, um ritmo caribenho que se dança a dois.

O cabo-verdiano, que tem um irmão brasileiro, no Recife, professor de matemática, também aproveitou a entrevista para agradecer ao apoio da torcida do Brasil.

“Os brasileiros sempre tiveram um grande carinho por nós, é incrível, não esperava, não tenho palavras [para agradecer] a todos”.

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