Cratera no Piauí é confirmada como a segunda maior da América do Sul

Uma estrutura geológica localizada em São Miguel do Tapuio, cidade do Centro-Norte piauiense a cerca de 216 quilômetros de Teresina, foi confirmada como uma cratera formada pelo impacto de um meteorito. Com 21 quilômetros de diâmetro, ela passa a ser reconhecida como a segunda maior cratera de impacto da América do Sul e a 9ª oficialmente identificada no Brasil. A descoberta foi publicada na revista científica Meteoritics & Planetary Science.

A confirmação é resultado de uma pesquisa liderada pelo geólogo Álvaro Crósta, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda a formação há décadas. A estrutura já era conhecida por pesquisadores desde os anos 1980, quando foi identificada em imagens de radar do Projeto Radambrasil, mas ainda não havia evidências conclusivas de sua origem extraterrestre.


Reprodução/Unicamp

Cratera no Piauí é confirmada como a segunda maior da América do Sul

Segundo Crósta, formações circulares de grande porte podem surgir tanto por impactos vindos do espaço quanto por processos geológicos internos da Terra. Por isso, a aparência da estrutura, por si só, não era suficiente para comprovar sua origem. “Grandes estruturas geológicas de formato circular como essa podem se formar tanto por meio de processos internos à Terra como também por um processo externo, quando um grande corpo vindo do espaço colide com o nosso planeta”, explicou o pesquisador.

Evidências encontradas nas rochas

A comprovação veio após a análise de amostras de arenito coletadas durante uma expedição realizada em 2017. Os pesquisadores identificaram nos grãos de quartzo marcas conhecidas como feições de deformação por choque, produzidas apenas sob pressões extremamente elevadas, típicas de impactos meteoríticos.

“Essas feições só se formam em regimes de pressão muito altos e ficam registradas de forma permanente nas rochas. Nenhum outro processo geológico é capaz de gerar pressões tão elevadas em rochas das porções mais superficiais da crosta terrestre”, afirmou Crósta.

As amostras foram transformadas em lâminas delgadas e analisadas em microscópio na Universidade de Viena, na Áustria. Os resultados apontaram deformações causadas por pressões em torno de 20 gigapascais, o equivalente a aproximadamente 200 mil atmosferas.

Cratera no Piauí é confirmada como a segunda maior da América do Sul - (Reprodução/Unicamp)
Reprodução/Unicamp

Cratera no Piauí é confirmada como a segunda maior da América do Sul

Além das análises laboratoriais, os cientistas utilizaram dados topográficos de satélites da Alemanha e da Europa, para estudar a forma e o estado de erosão da estrutura.

A idade exata da cratera ainda não foi determinada. No entanto, análises realizadas no mineral zircão indicaram duas possibilidades para a formação da depressão geológica, em torno de 159 milhões ou 267 milhões de anos.

Atualmente, apenas cerca de 200 crateras de impacto são reconhecidas no mundo. A estrutura de São Miguel do Tapuio ocupa a 37ª posição entre as maiores já identificadas. Na América do Sul, ela fica atrás apenas do Domo de Araguainha, localizado entre Mato Grosso e Goiás, que possui aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro.

Os resultados da pesquisa também contaram com a participação de cientistas de universidades brasileiras e serão apresentados em agosto durante o congresso anual da The Meteoritical Society, na cidade de Frankfurt, na Alemanha.


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Com edição de Ithyara Borges


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