Cratera gigante descoberta no interior do Piauí é a 2ª maior da América do Sul e uma das maiores do mundo
#
Uma impressionante estrutura geológica localizada no município de São Miguel do Tapuio, no interior do Piauí, acaba de ganhar reconhecimento internacional após cientistas confirmarem oficialmente sua origem extraterrestre. A gigantesca formação foi causada pelo impacto de um meteorito há milhões de anos e agora está entre as maiores crateras de impacto já identificadas no planeta.
A descoberta foi publicada em 21 de maio de 2026 pela The Meteoritical Society, responsável pela renomada revista científica Meteoritics & Planetary Science, liderada pelo professor Alvaro Crósta. Segundo informações divulgadas pela Universidade Estadual de Campinas, a estrutura possui cerca de 21 quilômetros de diâmetro e é considerada atualmente a segunda maior cratera de impacto meteorítico da América do Sul, a nona oficialmente reconhecida no Brasil e a 37ª maior do mundo.
A formação circular já era conhecida desde a década de 1980, quando apareceu em imagens de radar do Projeto Radambrasil. No entanto, a confirmação científica de que a estrutura foi realmente criada por um impacto cósmico só aconteceu após décadas de pesquisas, análises laboratoriais e expedições realizadas por equipes brasileiras e internacionais.
Segundo os pesquisadores, a morfologia da área já chamava atenção por apresentar anéis concêntricos e uma região central elevada — características típicas de crateras complexas formadas por impactos de grandes corpos celestes. Apesar disso, os cientistas precisavam reunir provas mais contundentes para descartar outros processos geológicos naturais da Terra.
Professor Alvaro Crósta liderou o grupo de cientistas responsável pela descoberta. (Foto: Unicamp)
Um dos maiores desafios enfrentados pelos pesquisadores foi o difícil acesso à região. Localizada a aproximadamente 215 quilômetros de Teresina, a área possui relevo acidentado e vegetação densa da Caatinga, dificultando a chegada ao ponto central da cratera, considerado o local mais provável para encontrar evidências do impacto.
A confirmação definitiva veio após uma expedição realizada em 2017, quando os cientistas coletaram amostras de arenito na região. Em laboratório, foram identificadas deformações microscópicas em grãos de quartzo, chamadas de “estruturas de choque”, marcas que só se formam sob pressões extremamente elevadas, típicas de impactos meteoríticos.
Imagem da cratera com dados de satélite. (Foto: Unicamp)
De acordo com os pesquisadores, as rochas foram submetidas a pressões de cerca de 20 gigapascais — o equivalente a aproximadamente 200 mil atmosferas. Os cientistas afirmam que nenhum outro processo geológico conhecido na superfície terrestre é capaz de produzir esse tipo de alteração mineral.
Além das análises laboratoriais, a equipe utilizou imagens de satélites de alta precisão, como o TanDEM-X, da Alemanha, e o Sentinel-2, da Europa, para mapear a topografia e confirmar a dimensão da estrutura, que apresenta sinais avançados de erosão devido à ação do tempo.
Material utilizado para comprovação. (Foto: Unicamp)
Embora a idade exata da cratera ainda não tenha sido definida, os estudos indicam que o impacto pode ter ocorrido entre 159 milhões e 267 milhões de anos atrás, durante eventos cósmicos que marcaram a história geológica do planeta.
Pelo tamanho da estrutura, os especialistas acreditam que o impacto foi provocado por um grande asteroide, capaz de alterar significativamente a superfície terrestre da região naquele período.
Segundo os pesquisadores envolvidos, a descoberta possui relevância científica internacional e ajuda a ampliar o entendimento sobre a evolução da Terra ao longo de milhões de anos.
“Os estudos de crateras de impacto nos permitem compreender a evolução das superfícies planetárias e também a frequência de grandes colisões cósmicas”, destacou o pesquisador Álvaro Crósta, um dos responsáveis pelo estudo. Ele ressaltou ainda que esse tipo de pesquisa também contribui para o monitoramento de possíveis ameaças futuras à Terra.
A descoberta deve ganhar ainda mais destaque em agosto deste ano, quando será apresentada oficialmente durante o congresso anual da Meteoritical Society, que acontecerá na Alemanha.
Com informações do Portal CLube News
Crédito: Link de origem