Cooperação política, económica e militar. Macron realiza visita de dois dias a Portugal

No dia em que se assinalava o terceiro aniversário da guerra na Ucrânia, Donald Trump e Emmanuel Macron estiveram reunidos na Casa Branca onde discutiram o conflito.

No primeiro encontro entre ambos desde a tomada de posse de Donald Trump no mês passado, o tom foi de grande cordialidade. No entanto, apesar de todos os sorrisos, abraços e apertos de mão, Trump e Macron não conseguiram disfarçar o crescente abismo entre os Estados Unidos e a Europa sobre a guerra na Ucrânia.Macron e Trump garantem ter um objetivo comum: a paz na Ucrânia. Mas divergem relativamente aos termos para essa paz.

Apesar de reconhecer que a chegada de Trump para um segundo mandato na Casa Branca representou uma “virada no jogo” e que o homólogo norte-americano “tem boas razões para retomar o diálogo com o presidente Putin”, Macron pediu ao presidente norte-americano para “ter cuidado” no processo de negociação para acabar com a guerra na Ucrânia.

Macron lembra que o cessar-fogo tem de ter garantias e que a paz na Ucrânia “não pode representar a capitulação da Ucrânia”.

“Esta paz não pode ser um cessar-fogo sem garantias. Esta paz deve prever as condições de uma soberania ucraniana, permitir à Ucrânia negociar com as partes envolvidas todas as questões que a afetam e pelas quais é a única entidade legítima para negociar”, salientou Macron, reiterando que os EUA têm de participar na prestação de garantias de segurança a Kiev.

“Partilhamos o objetivo da paz, mas estamos muito conscientes da necessidade de garantias para alcançar uma paz estável que permita que a situação estabilize”, acrescentou Macron.

Por sua vez, Trump, que na semana passada rotulou o presidente ucraniano de “ditador” e culpou falsamente a Ucrânia por começar a guerra, rejeitou qualificar Putin como um ditador e recusou avançar sobre qualquer garantia de segurança aos ucranianos, afirmando que as tropas norte-americanas não vão ser enviadas para a Ucrânia.

Tropas europeias na Ucrânia? Trump diz que sim, mas Kremlin rejeita

Trump avançou, no entanto, que perguntou a Vladimir Putin sobre o envio de tropas europeias para a Ucrânia e adiantou que o seu homólogo russo “não tem problemas” com isso.

“Sim, ele aceitará isso. Já lhe perguntei isso e ele não se importa”, respondeu Trump aos jornalistas em conferência de imprensa na Casa Branca, após o encontro com Macron.

No entanto, em conferência de imprensa esta terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, remeteu para uma declaração anterior em que disse que essa mobilização seria inaceitável para Moscovo.

“Há uma posição sobre este assunto que foi expressa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Lavrov. Não tenho nada a acrescentar a isso e nada a comentar”, disse Peskov, referindo-se às declarações de Sergey Lavrov, que na semana passada disse que a presença de tropas da NATO na Ucrânia seria vista como “uma ameaça direta” à soberania da Rússia.

Trump congratulou-se também pela disponibilidade manifestada por Macron e por outros líderes do G7 para suportar os custos do conflito.

“Têm de ser suportados pelas nações da Europa, não pelos Estados Unidos”, sublinhou Trump na conferência de imprensa conjunta, voltando a alegar, incorretamente, que os norte-americanos gastaram mais dinheiro do que os aliados europeus em ajudas à Ucrânia nestes três anos.

“A Europa está a emprestar o dinheiro à Ucrânia. Eles estão a recuperar o seu dinheiro”, alegou Trump, antes de ser interrompido pelo presidente francês, que o corrigiu sobre os apoios dados à Ucrânia.

“Para ser sincero, pagámos 60% do esforço total. Foi, como com os Estados Unidos, através de empréstimos, garantias, subsídios e demos dinheiro real. Para que fique claro”, disse Macron.

Acordo de paz nas próximas semanas?

Apesar de todas estas visões antagónicas, tanto Trump como Macron admitem que a paz na Ucrânia pode ser alcançada nas próximas semanas.

Quem o disse inicialmente foi Donald Trump durante o encontro com o seu homólogo francês, afirmando que tem mantido contactos intensos com Vladimir Putin e que este está empenhado em alcançar um acordo.

“Eu realmente acredito que ele quer fazer um acordo. Posso estar errado, mas ele quer fazer um acordo”, garantiu o presidente norte-americano.

“É isto que eu faço. Faço negócios. Toda a minha vida foi isso. Só sei fazer isso, negócios. Sei quando alguém quer ou não chegar a acordo”, disse Trump.

Pouco tempo depois, em entrevista à Fox News na segunda-feira, Macron também disse acreditar num acordo de paz “nas próximas semanas”.

Putin aceita europeus nas conversações

O presidente russo, por sua vez, afirmou na segunda-feira que a Rússia não se opõe ao envolvimento da União Europeia nas conversações russo-americanas sobre a Ucrânia e diz que foi Bruxelas que cortou relações com Moscovo e recusou até agora iniciar um diálogo.


“A sua participação no processo de negociação é solicitada, claro. Nunca recusámos. Tínhamos discussões constantes com eles. A dada altura, sob todo o tipo de ideias absurdas para derrotar a Rússia no campo de batalha, eles próprios se recusaram a ter contacto connosco. Se quiserem voltar, são bem-vindos”, disse Putin numa entrevista à televisão estatal russa. Na semana passada, as autoridades norte-americanas e russas reuniram-se na Arábia Saudita para conversações sobre a Ucrânia sem a presença de Kiev ou dos aliados europeus, o que gerou uma onda de críticas da parte dos aliados europeus.




Por outro lado, Putin não poupou nos elogios ao seu homólogo norte-americano, mostrando que Moscovo e Washington estão cada vez mais próximos.

O líder do Kremlin disse que Trump estava a agir “pelo interesse da Ucrânia, pelo interesse do Estado ucraniano, para preservar o Estado ucraniano” e defendeu Trump por pedir a demissão de Zelensky, argumentando que o presidente ucraniano é “um fator de corrupção do exército, da sociedade e do estado” na Ucrânia.

O Kremlin também prestou elogios aos Estados Unidos por terem votado contra uma resolução das Nações Unidas que condenava o ataque da Rússia à Ucrânia.

Em conferência de imprensa esta terça-feira, o porta-voz de Vladimir Putin celebrou o que considerou ser uma “posição equilibrada” da Casa Branca.

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