Candidato da esquerda peruana pede respeito pelo voto do “Peru profundo”

Com a aproximação do anúncio previsto dos resultados da primeira volta das presidenciais, em 12 e 13 de abril, e perante a possibilidade de uma segunda volta com a candidata de direita, Keiko Fujimori, que segue à frente na contagem, Sánchez pediu aos seus apoiantes para se prepararem.

“Irão seguramente interpor recursos; o objetivo deles [direita] é gerar caos, retirar a legitimidade da próxima vitória política do povo e também criar pânico para especular com os recursos económicos”, afirmou.

“Sabemos o que vamos enfrentar, eles não querem reconhecer o voto popular, há uma vontade de anular o voto dos centros populacionais, dizem que não nos representam”, afirmou o candidato do Juntos pelo Peru, num comício na comunidade de Huaycán, a leste de Lima.

Sánchez disse ainda que lançou um apelo a outros partidos de centro e de esquerda para formar um “centro patriótico e popular”, que lhes permita ter “uma coligação sólida” no Parlamento a partir do próximo dia 28 de julho, data prevista para a tomada de posse do próximo governo e da nova Assembleia Legislativa.

“Estamos perto de alcançar esta maioria política com forças democráticas. Disseram-nos que, se formos capazes de dar um passo em frente e formar esse governo popular, não vamos desiludir o povo pobre; sabemos que se começa com uma nova Constituição”, afirmou o candidato.

Trata-se de “um novo começo para a nossa pátria”, que passa pela “defesa cidadã do voto popular” e pela intenção de formar uma unidade política para “estabelecer um governo que nos dê a maioria suficiente” para realizar uma profunda reforma do sistema judicial, bem como mudanças nas áreas económica e social, declarou ainda.

O candidato da esquerda descreveu o Peru como um sistema onde se vive “um governo parlamentar, onde a senhora Keiko Fujimori governa”, para em seguida afirmar que “a máfia, a injustiça e o crime tomaram o Poder Judicial, a Junta Nacional de Justiça, o Tribunal Constitucional e o Ministério Público”.

Com 95,7% das urnas apuradas no final de abril, a candidata de direita Keiko Fujimori registava 17,1% dos votos válidos, o que a lança na disputa de uma segunda volta da eleição presidencial peruana contra o candidato que ficar em segundo lugar – que na mesma altura era Roberto Sánchez, com 12,1% dos votos escrutinados, à frente do candidato de extrema-direita Rafael López Aliaga, com 11,9%.

López Aliaga tem lançado críticas ao sistema eleitoral e e afirmado ter sido vítima de fraude, sem apresentar provas.

Sánchez concorre em nome do ex-Presidente do Peru Pedro Castillo (2021-2022), que visitou na prisão este sábado, e tem reiterado que, se for eleito presidente, conceder-lhe-á um perdão.

Castillo foi condenado a mais de 11 anos de prisão por uma tentativa de golpe de Estado em dezembro de 2022.

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