Bubista fez do amor a Cabo Verde o trajeto histórico e leva contingente de Portugal até ao Mundial

No Grupo H, Cabo Verde estrear-se-á em Mundiais e logo enfrentando a campeã europeia, Espanha, a 15 de junho. O caminho inédito até ao grande certame justifica-se com o trajeto de continuidade. Capitão por 11 anos da seleção, Pedro Leitão Brito, conhecido no futebol por Bubista em alusão à sua ilha de nascimento, a Boa Vista, conseguiu despertar o amor pela pátria em muitos jovens.

Cabo Verde foi conseguindo capacitar-se com mais talento e vários atletas começaram a esperar pela chamada dos Tubarões Azuis antes de se comprometerem, por exemplo, com Portugal. Nani foi o último grande cabo-verdiano a representar as Quinas, tornou-se campeão europeu em 2016, e foi identificado desde cedo de que para dar um salto qualitativo era preciso cativar, desde novos, os jovens.

A vitória na eliminatória frente a Essuatíni valeu o apuramento, mas o trajeto já fora impressionante na fase de grupos, com apenas uma derrota com os Camarões. Num grupo que tinha Camarões e Angola, já habituados a estar presentes em Mundiais, foi de notar a capacidade de Cabo Verde.

Bubista fora técnico-adjunto durante sete anos, avançou para clubes cabo-verdianos, foi uma vez campeão, mas regressaria em 2020 para assumir a seleção, agora como principal. Diversificando a convocatória, encontrou soluções e a CAN de 2023, em que caiu nos quartos de final, em grandes penalidades, contra a África do Sul deu o mote para a campanha histórica de apuramento. No ano em que celebra 50 anos de independência.

“Desde o momento em que nos apurámos, dizia que queria enfrentar os melhores no Mundial e fomos sortudos por ter a Espanha, primeira do ranking da FIFA, o Uruguai, que foi campeão do mundo duas vezes, e a Arábia Saudita, que foi campeã asiática. Estamos tranquilos”, assegurou Bubista em conversa com a FIFA em março. O feito é já de tal ordem que a comitiva foi condecorada por José Maria Neves, Presidente da República do país.

Agora, Cabo Verde representará na América do Norte os 500 mil habitantes que residem nas ilhas em África e várias centenas de milhar de descendentes que assistirão em Portugal aos encontros da fase de grupos. O campeonato português tem grande impacto na base desta seleção. Fazem parte da lista de 26 convocados dos Tubarões Azuis Vozinha (Desportivo de Chaves), Sidny Cabral (Benfica), Stopira (Torreense), Telmo Arcanjo (Vitória de Guimarães), Yannick Semedo (Vizela), Jovane Cabral (Estrela da Amadora) e Dailon Livramento (Casa Pia). Stopira acabou de ser o esteio defensivo do Torreense na conquista da Taça de Portugal frente ao Sporting.

Em relação ao grupo que conquistou a qualificação para o Mundial 2026, em outubro, foi chamado ao grupo dos guarda-redes Carlos Santos (San Diego FC, EUA) e os regressos de Logan Costa (Villarreal) e Jovane Cabral. Wagner Pina é destaque na defesa, militando no Trabzonspor, Kevin Pina é médio no Krasnodar e Ryan Mendes é um dos extremos mais virtuosos, alinhando no Igdir, da Turquia.

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