Brasil e Uruguai discutem leite, acordo com a União Europeia e ampliam cooperação no agro – O Presente Rural

Apesar do crescimento expressivo no acumulado de 2025, o desempenho do PIB do agronegócio foi fortemente influenciado pelo comportamento dos preços. A recuperação começou ainda no segundo semestre de 2024, quando as cotações passaram a subir de forma mais consistente, após um período de níveis mais baixos no início daquele ano. A valorização se intensificou no fim de 2024 e foi determinante para reverter um cenário que até então indicava retração no PIB do setor.

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Ao longo de 2025, os preços reais permaneceram elevados, embora com desaceleração gradual do ritmo de alta trimestre a trimestre. Com a consolidação dos dados do quarto trimestre, o resultado final ficou mais moderado do que indicavam as projeções parciais ao longo do ano. Ainda assim, o avanço foi sustentado por dois fatores combinados: manutenção de preços em patamares superiores aos de 2024 e crescimento da produção.

O resultado anual também se destaca na série histórica. O avanço de 12,20% representa o segundo maior crescimento já registrado para o PIB do agronegócio. Além do efeito preço, houve expansão relevante do volume produzido. O chamado PIB-volume cresceu 6,76% em 2025, indicando aumento efetivo da atividade no campo e nos demais elos da cadeia.

A combinação entre alta de preços e expansão da produção foge ao padrão histórico do setor. Em ciclos anteriores de forte crescimento do volume, como 2004, 2010, 2013, 2017 e 2023, o movimento predominante foi de queda nos preços. Em 2025, a dinâmica foi distinta, com os dois vetores atuando no mesmo sentido e ampliando o resultado agregado do agronegócio.

Insumos, campo e indústria mostram ritmos distintos em 2025

Sob a ótica dos segmentos, o PIB de insumos acumulou alta de 5,37% em 2025. O resultado foi puxado pelos insumos de base agrícola, que

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cresceram 12,51%, enquanto os insumos voltados à pecuária recuaram 11,67%. No caso agrícola, o avanço acompanha o aumento da produção e maior demanda por fertilizantes, defensivos e máquinas. Os fertilizantes também foram favorecidos pela elevação de preços ao longo do período. Já a retração nos insumos pecuários reflete, principalmente, o desempenho negativo da indústria de rações, pressionada pela queda das cotações.

No segmento primário, o crescimento foi mais expressivo, com alta de 17,06% no ano. A produção agrícola avançou 13,09%, sustentada pelo aumento de volume em culturas como milho e café, mesmo com preços médios mais baixos. Na pecuária, o crescimento chegou a 24,16%, apoiado tanto pela elevação dos preços em relação a 2024 quanto pelo aumento da produção nas principais atividades.

A agroindústria registrou crescimento de 5,60% no período, mas com comportamento desigual entre os ramos. As indústrias ligadas à produção agrícola recuaram 3,33%, impactadas pela queda de preços, apesar do maior volume processado. Em contraste, a agroindústria de base pecuária avançou 36,54%, impulsionada pela valorização dos produtos e pelo aumento da produção. O desempenho também foi favorecido pelo ritmo das exportações, que sustentou a demanda ao longo do ano.

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Serviços do agro crescem puxados pela pecuária

O PIB dos agrosserviços cresceu 13,76% em 2025, com desempenho sustentado principalmente pelo ramo pecuário. Os serviços ligados à agropecuária de base agrícola tiveram alta de 1,13%, acompanhando a evolução mais moderada da produção e dos insumos ao longo do ano. Já os agrosserviços de base pecuária avançaram 41,59%, refletindo o maior dinamismo da atividade em toda a cadeia, da produção ao processamento e à distribuição, conforme detalhado na Tabela 2.

Com esse desempenho, o PIB do agronegócio brasileiro somou R$ 3,20 trilhões em 2025. Desse total, R$ 2,06 trilhões vieram do ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão da pecuária, considerando valores a preços do quarto trimestre, de acordo com a Tabela 3.

A participação do agronegócio na economia nacional também aumentou. O setor respondeu por 25,13% do PIB brasileiro em 2025, acima dos 22,9% registrados em 2024, reforçando o peso da atividade no conjunto da economia.

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