Braga: o Portugal que podemos construir – Observador

Até ao dia 26 de maio, data em que o Observador organiza a Cimeira da Indústria, desafiamos alguns especialistas a escrever sobre os desafios da economia e indústria do futuro. A entrada no evento é gratuita, mediante inscrição, que pode ser feita AQUI.

Há dias perguntavam-me o que distingue Braga de outras cidades. A resposta, dada com genuína humildade, talvez esteja nesta ideia: há cidades que procuram acompanhar o tempo; em Braga tentamos fazer mais do que isso. Tentamos antecipá-lo. E, em muitos domínios, temos conseguido.

Também por isso, num momento em que Portugal volta a discutir a importância da indústria, da produção e da criação de valor, faz sentido que essa conversa aconteça em Braga. Mas não por acaso: faz sentido porque Braga é hoje um dos territórios onde melhor se percebe o país que trabalha, que produz, que inova e que quer competir.

Durante demasiado tempo, falou-se da indústria como se ela pertencesse ao passado. Como se fosse apenas memória de fábricas, máquinas e processos tradicionais. E essa visão está completamente ultrapassada.

A indústria de hoje é tecnologia, engenharia, automação, eletrónica, sustentabilidade, logística e conhecimento aplicado. É transformar boas ideias em produtos, investimento em emprego e inovação em valor. E Braga tem procurado afirmar-se precisamente neste cruzamento.

Braga tem tradição produtiva, uma base empresarial sólida, uma cultura de trabalho exigente e uma localização privilegiada numa das regiões mais industriais e exportadoras do país. Mas tem também conhecimento, juventude, instituições fortes e uma relação cada vez mais próxima entre o universo municipal, as universidades, os centros de investigação, as empresas, os empreendedores e os cidadãos.

E é aqui que Braga se distingue. Quem escolhe Braga para investir não escolhe apenas uma lugar no mapa. Escolhe um ecossistema, uma forma de ser e estar. Escolhe talento jovem e qualificado, capacidade técnica, proximidade institucional, qualidade de vida, escala urbana e uma cidade que tem crescido a olhos vistos, sem querer perder aquilo que a torna reconhecível.

Não nos podemos esquecer que, hoje, as empresas seguem cada vez mais o talento. E o talento procura lugares onde possa trabalhar, crescer, criar família e viver bem. Por isso, uma cidade com cultura, espaço público cuidado, mobilidade, habitação, serviços e horizonte torna-se também mais competitiva. A qualidade de vida deixou de ser apenas uma dimensão social. Passou a ser, também, uma vantagem económica.

Naturalmente, sabemos que há muito a fazer. Braga cresce, mas quer crescer bem. Quer crescer melhor. Temos desafios exigentes na mobilidade, na habitação, nas infraestruturas, na qualificação e na criação de novas áreas para atividade económica. Nenhuma cidade séria ignora os seus problemas. Mas nenhuma cidade ambiciosa abdica de reconhecer as suas forças. E Braga tem-nas e de forma evidente. Tem empresas que competem fora de portas. Tem jovens preparados. Tem universidades comprometidas. Tem centros de conhecimento. Tem empreendedores. Tem trabalhadores qualificados. Tem uma cultura empresarial discreta, mas determinada e, sobretudo, concretizadora. Há em Braga uma forma muito própria de fazer: com exigência, com trabalho, com sentido prático e com vontade de ir mais longe.

É também por isso que não temos perdido tempo. Por exemplo, estamos já a concluir a nova Estratégia de Desenvolvimento Territorial de Braga, que traduz uma ideia simples: o território não é apenas chão disponível. É um ativo estratégico. É nele que se decide se uma cidade consegue atrair investimento, fixar pessoas, criar emprego qualificado e garantir qualidade de vida. E Braga vai passar a ter mais de 1500 hectares disponíveis para desenvolver o território. Ora, este é um elemento único e distintivo no país. Num tempo em que muitas cidades discutem a falta de espaço, Braga prepara-se para ser a única cidade do país a ganhar uma nova (e real!) capacidade de crescimento. Mas não para crescer de qualquer maneira: para crescer com critério, com planeamento e com uma visão clara sobre o que quer ser.

Por tudo isto, a Cimeira da Indústria em Braga faz todo o sentido. Coloca esta discussão num território que não se limita a falar de indústria. Faz indústria todos os dias: com quem produz, com quem exporta, com quem investe, com quem arrisca e com quem cria emprego. E fá-lo a partir de uma cidade que quer aproximar a indústria tradicional da economia digital, a produção da inovação e o investimento da qualidade de vida.

Parece-me, mais uma vez com humildade, que Portugal precisa desta visão.

Portugal precisa de valorizar mais os territórios que criam riqueza. O futuro económico do país não pode depender apenas de um centro de decisão, nem de uma visão estreita do desenvolvimento. Tem de olhar para as cidades e regiões que exportam, que qualificam, que empregam e que transformam conhecimento em valor.

Braga não reclama para si um lugar que dispense trabalho. Sabe, antes, que a relevância se conquista todos os dias, com planeamento, com estabilidade, com diálogo, com investimento e com execução. Mas também sabe que tem condições para estar na primeira linha de uma nova ambição industrial portuguesa.

Com humildade e sem complexos. Com consciência de que ainda há muito caminho a fazer, mas também com a confiança de quem sabe que Braga já é hoje um dos motores de um Portugal mais produtivo, mais moderno e mais equilibrado.


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