BNA continua a financiar Banco Económico apesar de dívida acumulada de 259,6 milhões de euros – Angola24Horas
O Banco Económico, instituição que sucedeu ao antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA), continua a operar com forte dependência da liquidez disponibilizada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), mantendo uma dívida ao supervisor avaliada em 256,96 mil milhões de kwanzas, equivalente a cerca de 259,6 milhões de euros, acumulada desde 2016.
A informação é avançada esta semana pelo jornal Expansão, que destaca igualmente o envolvimento do banco no processo-crime actualmente em julgamento em Lisboa, iniciado em Maio de 2025, e que tem entre os principais arguidos Álvaro Sobrinho, Ricardo Salgado e outros antigos administradores ligados ao universo BES.
Segundo a publicação, o Banco Económico constituiu-se assistente no processo judicial e exige uma indemnização superior a quatro mil milhões de euros.
Os dados divulgados indicam ainda que a instituição financeira deverá actualmente ao BNA cerca de 81 milhões de euros relativos a operações de cedência de liquidez. De acordo com o regulamento do banco central angolano, estas operações deveriam ser regularizadas no dia seguinte à sua concretização.
Com base no relatório do BNA sobre as operações de cedência de liquidez em 2025, citado pelo Expansão, o Banco Económico beneficiou de cerca de 82 mil milhões de kwanzas, correspondentes a aproximadamente 75 milhões de euros. No entanto, o valor líquido em dívida terá atingido 87,7 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 81 milhões de euros.
O relatório refere igualmente que o banco central constituiu imparidades sobre este crédito no montante de 22 mil milhões de kwanzas, mais de 20 milhões de euros, sinalizando que cerca de 25% dos empréstimos concedidos ao antigo BESA através destas operações já são considerados de difícil ou improvável recuperação.
O cenário evidencia o prolongamento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Económico, mais de uma década após a crise que afectou o antigo BES Angola e levou à sua reestruturação.
O Expansão recorda ainda que, em 2023, o valor da cedência de liquidez concedida pelo BNA ao ex-BESA ascendia a 15,5 mil milhões de kwanzas, cerca de 14,3 milhões de euros. Na altura, o supervisor reconheceu imparidades de 10,2 mil milhões de kwanzas, o equivalente a 9,4 milhões de euros.
Os números agora revelados reforçam as preocupações em torno da sustentabilidade financeira do Banco Económico e do peso continuado do apoio do banco central à instituição.
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