Duas pesquisas eleitorais, divulgadas há duas semanas e meia da “eleição” presidencial na Venezuela, mostram o ditador Nicolás Maduro uma desvantagem quase incontornável contra a oposição. Uma primeira pesquisa, divulgada nesta quinta-feira, 11, pelo instituto ORC Consultores, apontou que 58,6% dos eleitores indicaram votar em Edmundo Urrutia (foto), o diplomata de 74 anos e o único nome autorizado pelo governo a concorrer em uma plataforma contrária à ditadura. Contra ele, Maduro teria 14,2% dos votos.
Não é a única pesquisa a demonstrar esta tendência. Em um outro levantamento, desta vez do instituto Meganalisis, Urrutia aparece com 68,4% das intenções de voto, mais de 57 pontos percentuais acima dos 11,3 do atual ditador. Os números deste instituto apontam seguem uma série histórica: no final de maio, Urrutia tinha 61,3% e Maduro, 9,8%.
Há dúvidas sérias e concretas se tais números se refletirão, de fato, nas urnas venezuelanas no dia 28 de julho. Com uma campanha de repressão a adversários do governo e a suas candidaturas desde o ano passado, a ditadura de Maduro, no poder desde 2013 (sucedendo Hugo Chávez, que estava no cargo desde 1999) já impediu María Corina Machado, o principal nome da oposição, de concorrer. Já prendeu seu chefe de gabinete. E, no inicio da campanha, eleitores e caminhões de som foram apreendidos.
São apenas algumas das armas na mão de Maduro para impedir a queda do seu regime pelas urnas. Há registros de que venezuelanos exilados —quase 20% dos eleitores registrados para votar— estão sendo impedidos de se registrar para votar (entre quem fugiu da ditadura, espera-se um apoio esmagador para a oposição). Além disso, Urrutia não tem espaço na TV e nas rádios do país, ao contrário de Maduro.
E, cimentando a farsa, o país desconvidou observadores da União Europeia que iriam monitorar a “eleição” presidencial de 28 de julho, encaminhando ainda mais a fraude nas urnas. O chefe do Conselho Nacional Eleitoral, Elvis Amoroso, indicou no fim de maio que as sanções econômicas do bloco europeu são o principal motivo. “Eles não são bem-vindos para vir aqui para o nosso país”, disse.
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