A enfermagem é uma profissão de risco e que exige bastante. No Cubango, Angola, os desafios são ainda maiores, devido à falta de profissionais para dar resposta à procura. Muitos enfermeiros afirmam trabalhar além dos seus limites para garantir assistência à população, mas dizem não ver o seu esforço reconhecido.
Em vez de progredir, o enfermeiro Alberto Francisco Tchilemo queixa-se que a sua carreira estagnou. E não é só com ele que isso acontece. “Há profissionais que passam cinco, seis ou até sete anos sem progredir. Isso afeta os rendimentos e, quando chegam à reforma, o valor que recebem não permite garantir o mínimo”, conta.
A progressão na carreira, que, em condições normais, deveria acontecer de três em três anos, acaba por ser um “bicho de sete cabeças” para muita gente, segundo Tchilemo.
Para quando a promoção de carreira?
A situação é ainda mais preocupante para quem acumula décadas na função pública. Gomes Daniel, técnico de enfermagem com mais de 32 anos de serviço, diz não compreender por que nunca foi promovido, apesar dos vários cargos que desempenhou.
“Já fui supervisor; fui nomeado diretor provincial de saúde pública, fui diretor de escola técnica e diretor de hospital municipal. Foram muitas funções e não tive qualquer promoção. Estou aqui por amor à bata”, lamenta.
Com 56 anos de idade, o profissional recorda os riscos associados à profissão: “Trabalhamos com tuberculose, lepra, HIV. Há risco de vida. Ao mínimo erro, pode haver contágio. E depois de tantos anos, chegamos à reforma sem reconhecimento”.
Preocupação com a reforma
A falta de progressão nas carreiras está associada a vários fatores, incluindo a falta de dinheiro do Estado para promoções e a ausência de mecanismos e oportunidades que tornem efetiva a evolução profissional.
Segundo o técnico de enfermagem Gomes Daniel, a situação é ainda mais grave nos municípios do interior, onde há enfermeiros com mais de 30 anos de serviço a receber salários na ordem dos 50 mil kwanzas (o equivalente a 46 euros).
Por isso, Gomes Daniel deixa um apelo às autoridades: “O que queremos é a promoção para, pelo menos, termos alguma coisa quando formos para a reforma, para sustentar a nossa família.”
Crédito: Link de origem