As empresas cotadas na bolsa de Lisboa vão distribuir 3,14 mil milhões de euros em dividendos relativos aos lucros do último ano, num exercício em que Angola surge como um dos principais beneficiários do encaixe financeiro fora de Portugal, a par da China.
Depois de um ano de forte valorização do principal índice da bolsa portuguesa — com ganhos próximos dos 30%, o melhor desempenho desde 2009 —, os acionistas estrangeiros deverão receber pelo menos 1,07 mil milhões de euros, cerca de um terço do total distribuído.
De acordo com a análise às participações qualificadas das cotadas do PSI e do PSI Geral, Angola e China concentram 59% dos dividendos pagos a investidores não residentes.
A China é o maior beneficiário externo, com cerca de 356 milhões de euros, sobretudo através de participações em empresas como o BCP, a EDP, a Mota-Engil e a REN.
Já Angola, através da Sonangol, deverá encaixar aproximadamente 277 milhões de euros, beneficiando das posições detidas no BCP e na Galp Energia.
Entre os casos mais relevantes destaca-se ainda o BCP, onde a Fosun detém 20,45% do capital e que prevê também um programa de recompra de ações no valor de cerca de 407 milhões de euros. A política de distribuição de até 90% dos lucros poderá vir a ser formalizada na assembleia geral do banco.
Também a EDP vai distribuir cerca de 858 milhões de euros em dividendos, enquanto a EDP Renováveis mantém a opção por um modelo de remuneração flexível aos acionistas.
Entre os grandes investidores institucionais internacionais, a BlackRock lidera os ganhos, com cerca de 162 milhões de euros em dividendos provenientes de posições no BCP, EDP, Galp e Jerónimo Martins. Seguem-se fundos como a Vanguard, com 56,7 milhões, e a Fidelity e a Massachusetts Financial Services, com valores inferiores.
Apesar do peso dos investidores estrangeiros, parte significativa dos dividendos permanece em Portugal ou chega a pequenos acionistas, sobretudo nas empresas do PSI Geral, onde os principais acionistas são nacionais.
A análise teve por base as participações qualificadas superiores a 2% e os dados de distribuição geográfica dos acionistas, não sendo possível determinar com precisão o destino de toda a massa de dividendos devido à dispersão do capital por investidores de menor dimensão.
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