O governo peruano decretou nesta segunda-feira uma série de medidas extraordinárias por meio de um decreto emergencial para mitigar a “crise energética” e garantir a continuidade da produção e do fornecimento de hidrocarbonetos no país, confirmou a Presidência da República.
A crise de combustíveis criada pelo ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã atingiu fortemente os países da América Latina. Além do peru, Equador e Bolívia também lutam contra falta de combustíveis e aumento de preços, que levaram a protestos nas cidades e nas estradas.
O decreto peruano autoriza a estatal Petroperú a participar, individualmente ou com terceiros, “na criação de uma sociedade de propósito específico” para receber e canalizar aportes financeiros que garantirão a operação e o fornecimento da planta.
A Agência de Promoção de Investimentos Privados (Proinversión) liderará e estruturará esse processo de implementação, com a possibilidade de a estatal petrolífera ser a única sócia ou acionista, enquanto o fluxo de recursos dessas operações será realizado por meio de fundos fiduciários criados pelas entidades envolvidas.

Para garantir a viabilidade da operação, o Poder Executivo autorizou o Ministério de Energia e Minas a assumir compromissos contingentes com entidades internacionais no valor de até US$ 2 bilhões, exclusivamente para financiamento de capital de giro e reposição de estoques de hidrocarbonetos.
No Peru, hidrocarbonetos representam 74% da matriz energética, sendo um fator transversal a todas as atividades produtivas. Portanto, qualquer interrupção no fornecimento confiável geraria externalidades negativas para a economia.
As duas principais cidades do Equador, Quito e Guayaquil, sofreram com a falta de gasolina Extra, o combustível de baixa octanagem mais consumido no país, nesta segunda-feira. As autoridades iniciaram inspeções para verificar o abastecimento em meio à superlotação nos postos de gasolina.
A Agência de Regulação e Controle de Hidrocarbonetos (ARCH), estatal, informou em sua conta nas redes sociais que está realizando inspeções em todo o país “para verificar o abastecimento normal de combustível após relatos de suposto açambarcamento”.
A mesma entidade emitiu um comunicado oficial no dia 8, anunciando a ativação de protocolos imediatos para garantir a disponibilidade normal de gasolina Extra e diesel no país, após um atraso no transporte de derivados de petróleo.
Enquanto isso, a Câmara Nacional de Distribuidores de Produtos Petrolíferos do Equador descartou a especulação nas vendas de combustível e afirmou que a situação se devia a problemas logísticos e de abastecimento.
Apesar disso, filas de veículos e reclamações de motoristas persistiram em diversos postos de gasolina em Quito e Guayaquil na segunda-feira, em meio às dificuldades contínuas para obter combustível, segundo relatos da mídia local. A situação ocorre poucas horas antes do reajuste de preços que entrará em vigor amanhã, terça-feira, para as gasolinas Extra, Ecopaís e Super, bem como para o diesel, como parte de um sistema de faixas de preço implementado pelo governo.
Atualmente, a gasolina Extra está sendo vendida por mais de US$ 3 por galão nos postos de gasolina (aproximadamente R$ 4,17 por litro).
A Bolívia também enfrentou protestos contra falta de combustíveis, especialmente diesel. No final da semana passada, o governo fechou um acordo provisório com entidades de transportadoras de carga para garantir o fornecimento de combustível e indenizar as empresas por perdas devido aos aumentos.

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