Algarve: Bispo emérito de São Tomé desafiou cristãos a caminhar «ao lado dos que sofrem», na Festa da «Mãe Soberana» – Agência ECCLESIA
«A nossa Mãe Soberana, como a veneramos aqui, significa aprender com ela a caminhar na fé, mesmo sem ver tudo com clareza» – D. Manuel António dos Santos
Loulé, 21 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo emérito de São Tomé e Príncipe presidiu à Eucaristia da Festa Grande de Nossa Senhora da Piedade, a ‘Mãe Soberana’, e afirmou que “o mundo precisa de cristãos que caminhem ao lado dos que sofrem” em Loulé.
“Encontremos em Maria a Mãe da Consolação e aprendamos com ela a ir ao encontro do irmão que sofre, do irmão caído nas nossas estradas, do irmão doente, levando-lhes uma palavra amiga, um gesto de ternura, um abraço de consolação”, pediu D. Manuel António dos Santos, na Eucaristia deste domingo, citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’ da Diocese do Algarve.
O bispo emérito de São Tomé e Príncipe afirmou que, “hoje, o mundo precisa de cristãos que caminhem ao lado dos que sofrem”, como Jesus em Emaús, e como Maria junto à cruz.
“O mundo de hoje precisa de nós, precisa que sejamos «candeias acesas», «luz que ilumina», palavra de paz num mundo de violência e guerra; precisa que sejamos pessoas que escutam, que acolhem, que reacendem a esperança.”
D. Manuel António dos Santos, bispo português que colabora com a Diocese do Algarve desde 2023, alertou também para um “mundo cansado, desanimado, sem esperança, com sombras negras no horizonte”, que vive “numa cultura de morte, que banaliza o aborto, a eutanásia, a violência”.
A partir do tema da Festas de Nossa Senhora da Piedade – ‘Peregrinos com Maria, Mãe da Consolação’ –, o presidente da celebração explicou que significa “ser peregrinos com Maria, a Mãe da Consolação, a Senhora da Piedade”.
“A nossa Mãe Soberana, como a veneramos aqui, significa aprender com ela a caminhar na fé, mesmo sem ver tudo com clareza; significa confiar, mesmo quando o caminho parece escuro; significa também ser presença de consolação para os outros”, acrescentou, na Missa junto ao monumento a Duarte Pacheco.
O bispo emérito de São Tomé e Príncipe realçou que a condição de peregrinos lembra que a “vida é uma viagem a caminho da pátria celeste”, e Maria faz-se “companheira”, porque “sabe acompanhar os corações feridos”, “viveu a dor da cruz e a espera silenciosa da ressurreição”, mas não substitui Cristo, leva-os “até Ele, como uma mãe que aponta sempre para o filho”.
“Estamos todos de passagem, somos todos peregrinos. A nossa vida é uma peregrinação feita de dúvidas, encontros, esperanças e, muitas vezes também, de momentos de desânimo, (…) mas é exatamente neste caminho assim, feito de ilusões e de desânimo, que Deus se revela, vem ao nosso encontro, amparando-nos, guiando-nos, alimentando-nos com a Palavra e o Pão do Céu.”
A partir do Evangelho deste domingo, que relatou o encontro de Jesus com os discípulos de Emaús, D. Manuel António dos Santos indicou “quatro aspetos muito importantes” na vida dos cristãos a partir deste encontro: a Palavra de Deus, a Eucaristia, a comunidade e a vivência da fé em união com o Papa.
A Eucaristia da Festa Grande de Nossa Senhora da Piedade, quinze dias após o Domingo de Páscoa, foi concelebrada pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e pelo bispo emérito do Funchal, D. António Carrilho, natural de Loulé, e vários sacerdotes da diocese algarvia, informa o jornal ‘Folha do Domingo’.

O bispo do Algarve, no final da celebração, consagrou a diocese à ‘Mãe Santíssima da Piedade’, pedindo pelas famílias, crianças, jovens, idosos, doentes, “os mais sós”, “os que sofrem do corpo ou do espírito”, “governantes e todos os que exercessem autoridade”.
“Saibam cumprir a sua missão como um serviço ao bem comum, não se deixem vencer pelo desânimo e procurem sempre a promoção da justiça social, da verdade e da paz; todas as mães; todos os grupos ao serviço do bem comum, da promoção da vida e das pessoas, bombeiros, militares, centros de saúde, centros de terceira idade, Santas Casas da Misericórdia, confrarias e irmandades”, desenvolveu D. Manuel Quintas.
O grupo de jovens das Paróquias de Loulé ofereceu ao bispo do Algarve, que já pediu renúncia por limite de idade, uma lembrança – uma fotografia do grupo com D. Manuel Quintas e com o seu pároco, o cónego Carlos de Aquino – para manifestar “sincera gratidão” pelo seu “testemunho de fé, dedicação e amor” à juventude.
CB/OC
![]() As festas em honra de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como ‘Mãe Soberana’, segundo a Diocese do Algarve são consideradas “a maior manifestação religiosa a sul de Fátima”, começam anualmente no Domingo de Páscoa, com a ‘festa pequena’, com a imagem a ser levada da sua ermida para a cidade de Loulé. O andor com a imagem da Virgem Maria com Jesus nos braços foi transportado, do seu santuário para a igreja de São Francisco, por oito homens vestidos de opas brancas, com a música da Banda Filarmónica Artistas de Minerva; este domingo, dia 19 de abril, no regresso à sua capela, aos homens do andor “aliou-se a força espiritual dos muitos milhares de fiéis”. As festividades de Nossa Senhora da Piedade constituem uma tradição com provável origem em 1553, data oficial da edificação da capela que lhe é dedicada, mas um relatório de 1518 dos visitadores da Ordem de Santiago refere que na capela de Santo António da igreja matriz de Loulé já existia um “retábulo de portas com Nossa Senhora da Piedade”. |
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