As ações da LG Electronics subiram mais de 24% em Seul na sexta-feira, depois que a empresa sul-coreana revelou um sistema de software automotivo apoiado pelo Google que pode fortalecer sua investida além de TVs e eletrodomésticos.
Para um grupo ainda conhecido por refrigeradores, máquinas de lavar e televisores OLED, a reação foi notável, pois os investidores não estavam simplesmente recompensando mais uma atualização de painel.
Reagiram a um sinal mais claro de que a LG quer fornecer o software e os sistemas de display na próxima geração de automóveis.
Sua mais recente plataforma baseada no Android Automotive OS, desenvolvida com o Google e executada em hardware da Qualcomm, coloca a LG na corrida para moldar veículos definidos por software.
Um chip para gerenciar o cockpit
No centro do anúncio da LG está um sistema capaz de controlar vários displays internos a partir de um único system-on-chip (SoC), em vez de usar um chip de controle separado para cada tela.
A atratividade para as montadoras é simples: os carros estão se enchendo de telas, desde painéis de instrumentos e painéis de navegação até telas de entretenimento para passageiros.
Gerenciar cada uma por meio de hardware separado aumenta os custos e a complexidade de engenharia.
A LG afirma que sua abordagem pode suportar displays de tamanhos e proporções diferentes ao mesmo tempo, usando sua própria tecnologia de alocação de recursos para manter o desempenho estável.
Para as fabricantes que avançam rumo a veículos definidos por software, a proposta é eficiência.
Uma arquitetura de cockpit mais simples pode reduzir custos de implantação, acelerar decisões de manufatura e facilitar a implementação de novos recursos via software.
A LG não está sozinha, já que NXP, Renesas, Nvidia e outros também miram o cockpit e a pilha de computação veicular.
A vantagem da LG aqui é integrar diretamente sua expertise em displays e infotainment ao ecossistema Android Automotive OS do Google.
A aprovação do Google dá peso à história
O sinal mais forte no comunicado da LG foi o endosso público do Google.
Patrick Brady, vice-presidente de Android Automotive no Google, elogiou a “integração contínua de múltiplas telas, controles de voz intuitivos e desempenho estável” da LG, alimentados por um único SoC.
Para os investidores, isso importa porque o Android Automotive OS não é mais uma aposta experimental.
Já é usado em modelos da Volvo, GM, Ford e Renault, dando à LG acesso a um ecossistema que as grandes montadoras conhecem.
O timing também ajuda, já que as montadoras estão sob pressão para fazer as cabines se parecerem mais com dispositivos conectados, enquanto reduzem os custos dos sistemas eletrônicos.
O Android Automotive OS fica na intersecção dessas demandas. Future Market Insights expects the AAOS market to grow from 895,6 milhões USD (aprox. R$ 4,7 mil milhões) in 2025 to about 2,1 mil milhões USD (aprox. R$ 11,2 mil milhões) by 2035.
A VS já vinha fazendo o trabalho pesado
O rali de sexta-feira não ocorreu no vácuo. O negócio Vehicle Solution da LG, ou VS, passou a ser uma parte maior da tese de investimento.
No primeiro trimestre, a unidade registrou sua maior receita trimestral e lucro operacional de todos os tempos, com vendas de 3.64 trillion won e lucro operacional de 212 billion won.
Sua margem operacional ultrapassou 6% pela primeira vez, ajudada por produtos de infotainment mais sofisticados e maior adoção entre montadoras europeias.
A LG também está com uma grande carteira de pedidos.
A empresa disse no ano passado que o backlog de vehicle solutions estava em cerca de 100 trillion won, mostrando há quanto tempo as montadoras vinham se comprometendo com a LG antes do salto de sexta-feira.
Provedores de dados de mercado ainda mostram um consenso de Compra para a LG, embora o rali tenha levado a ação acima do alvo médio dos analistas.
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